Interrogatório O Fuxico
"Um dia, deu um
estalo e resolvi ser locutor de rádio"

É verdade que você já foi
jogador de vôlei?
É, sim. Sou de Cuiabá, Mato Grosso, e vim para
São Paulo com 14 anos para jogar vôlei no
Banespa, e nem imaginava que um dia iria
trabalhar em rádio ou TV. Não imaginava, mas
gostava de fazer imitações, já tinha um jeito
para o negócio. Uns dois anos depois, morava na
Alameda Joaquim Eugenio de Lima, mesma rua onde
ficava a rádio Jovem Pan 2 FM. Um belo dia,
estava esperando o ônibus do Banespa que vinha
me buscar para o treino, quando vi um monte de
gente na porta do prédio da Pan e resolvi ir até
lá. Na hora pensei: Quero ser locutor! Quero
trabalhar, acho que tenho alguma coisa para
oferecer. Subi, falei com a secretária,
tentei ser recebido por alguém, insisti e nada.
Foi engraçada a hora que ela me perguntou se eu
tinha uma fita demo (de demonstração). Como não
sabia o que era, respondi: Não tenho, não
sou do diabo. Fui embora, mas voltei decidido
a mostrar o que sabia. Fui até a grade que
separava o corredor e comecei a fazer imitações.
Comecei a fazer um monte de efeitos com a boca.
E aí, não te colocaram para fora?
Saiu um monte de gente de suas salas para ver o
que era, até que também apareceu o Emílio
Surita, diretor da rádio, que me levou para um
estúdio e pediu para gravar tudo o que tinha
feito na porta. Nossa, fiquei realizado. No dia
seguinte, quando voltei do colégio Objetivo,
onde estudava, tinha um recado para ir até lá
conversar com o Beto Rivera, coordenador artístico
da rádio. E ele me disse: Você vai fazer um
programa das dez à meia-noite, toda sextas-feira,
que se chama Pan Demônio. Você vai
produzir, dirigir, escrever... Topa? É claro que
topei. E comecei a fazer um humor diferente, que
não tinha na época, 1990. Era parecido com o do
Sobrinhos do Ataíde, da rádio 89 FM.
E como você foi parar na TV?
Meu primeiro trabalho na TV foi na Escolinha
do Golias, do SBT. A Patrícia Opik, que
fazia aquela aluna que sentava no colo do Carlos
Alberto de Nóbrega no programa, estudava no
Objetivo também. Um dia ela perguntou se eu era
o Otaviano do Pan Demônio, da Jovem Pan,
e se eu queria conhecer o SBT. Topei na hora.
Cheguei lá, fui apresentado para o Golias, disse
que fazia várias vozes e ele quis ver. O cara
gostou, me mandou voltar e me colocou no programa
fazendo o quadro Aguidalberto do Apito.
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