Parte Iniciática: o Ocultismo.
Agosto de 1899 e.v.
Número 02.
Quando houve certeza
de que a maior parte dos fenômenos produzidos pela força física
eram reais,
foi lembrada a existência
de uma teoria particular destes fenômenos: a Magia.
Os Magos da Pérsia
pretendiam explicar e reproduzir à vontade fatos do mesmo gênero:
seria, pois, interessante
conhecer suas idéias nesse sentido.
Estas idéias
não se acham tão inteiramente perdidas como se poderia crer.
Um estudo, mesmo superficial,
dos autores que têm tratado de Magia e de Alquimia,
e algumas confrontações
entre as idéias expostas por tais autores e as emitidas no Zend,
Avesta e pela Kabbala, permitem reconhecer, mesmo com as transformações
dos vocábulos através das idades,
a perfeita concordância
de idéias.
De todo esse conjunto
se desprende uma Doutrina particular
que pode perfeitamente
aliar-se às nossas teorias científicas, contemporâneas,
e pode ainda auxiliar
a ciência a levar alguma Luz ao caos dos fatos, ainda inexplicável,
da Natureza.
O Ocultismo é
uma Doutrina que vale o que valem todas as Doutrinas.
Não têm
pretensão de possuir a Verdade em tudo;
porém, as teorias
que expõe tendem a substituir o misticismo por um certo racionalismo.
Principalmente nos estudos
dos fatos espíritas, o Ocultismo, sem negar a intervenção,
em certos casos,
das entidades pessoais
dos seres defuntos,
restringe consideravelmente
o papel que se possa atribuir a essas entidades,
e entende que a maior
parte de tais fatos são devidos a fenômenos de hipnotismo
transcendente,
produzidos principalmente
pelas forças emanadas do médium e dos assistentes.
A história conta
que os maiores pensadores da Antiguidade, que o ocidente tem visto nascer,
foram completar a instrução
nos Mistérios Egípcios.
A Ciência ensinada
pelos possuidores desses Mistérios é conhecida por diferentes
nomes:
Ciência
Oculta, Hermetismo, Magia, Ocultismo, etc, etc.
Em tudo idêntica
em seus princípios, este código de instrução
constitui a Ciência Tradicional dos Magos,
a que damos, geralmente,
o nome de Ocultismo.
Esta ciência contêm
a Teoria e a Prática de grande número de fenômenos,
de entre as quais apenas
uma insignificante parte constitui atualmente o domínio do magnetismo
ou das evocações,
ditas, “espíritas”.
Estas práticas,
contidas no estudo da Psicologia, eram, repetimos, uma insignificante parte
da Ciência Oculta, que compreendia ainda três grandes divisões:
a Teurgia, a Magia, a Alquimia.
O estudo do Ocultismo
é capital sob dois pontos de vista:
ilumina o passado de
uma luz intensa e nova,
e permite ao historiador
estudar a antiguidade sob aspecto quase desconhecido ainda.
Apresenta ao experimentador
contemporâneo um sistema sintético de afirmações
a comprovar pela ciência,
e idéia sobre
forças quase ignoradas, Forças da Natureza ou do Homem a
comprovar pela observação.
O emprego da analogia,
método característico do Ocultismo,
e sua aplicação
às nossas ciências contemporâneas ou às nossas
concepções modernas de arte e de sociologia
(Nota: ...e História,
porque não???),
permite lançar
uma luz inteiramente nova sobre os problemas que mais insolúveis
pareçam.
O Ocultismo não
pretende, entretanto, dar a única solução possível
das questões de que trata.
É um instrumento
de trabalho, um meio de estudo; e só um tolo orgulho,
poderia levar à
seus adeptos a pretensão de possuírem a Verdade Absoluta.
O Ocultismo é
um sistema filosófico que resolve quase sempre as questões
que se apresentam ao nosso espírito.
Tal solução
será a expressão única da Verdade?
É o que só
a experimentação e a observação podem determinar.
O Ocultismo, para
que seja evitado qualquer erro de interpretação, deve ser
dividido em duas grandes partes:
01.
Uma parte Imutável formando a base da Tradição
e que facilmente se
pode encontrar nos escritos de todos os hermetistas,
qualquer que seja a
época ou a Ordem;
02.
Uma parte pessoal ao autor e constituída por alguns comentários
e aplicações específicos.
A parte Imutável
pode ser dividida em três pontos:
01. A
existência da Tri - Unidade como lei fundamental de ação
em todos os planos do Universo;
02.
A existência de Correspondências unindo intimamente todas as
porções do Universo visível e Invisível;
03.
A existência de um mundo invisível, duplo, exato e perpétuo
fator do mundo visível.
A possibilidade dada
a cada inteligência de manifestar suas potencialidades nas aplicações
de pormenor é
a causa eficiente do progresso dos estudos, a origem das diversas escolas
e a prova
da sensibilidade e da
possibilidade que em cada autor de conservar toda sua individualidade,
qualquer que seja o campo de ação por si atingido.
Papus.
ANTERIOR
PRÓXIMA
RETORNAR
À PÁGINA INICIAL
666/03