Cosmogonia
Egípcia e Brasileira.
Julho de
1899 e.v.
Número
01.
Séculos
passaram por sobre o Egito.
Assírios,
persas, gregos e romanos violaram-lhe o solo fértil,
minaram-lhe
os Templos e a Necrópole.
O que fora poupado
pela cólera de Kambyses e pela vidência de Alexandre,
ruiu violentamente
sob a brutalidade ciosa dos legionários de César e Octavius.
As Pirâmides incomparáveis
adormeceram no deserto; emudecera a voz dos seus santuários.
Os obeliscos encerraram
nas faces de granito o segredo das Dinastias e a Cosmogonia Egípcia.
As Necrópoles
e Hippogeas fecharam aos profanadores as abscondidas entradas.
A Bári da Boa
Deusa já não singrava o Nilo, piedosamente, conduzindo, ou
para Thebas, ou para Memphis,
ou para Philoe, os corpos
embalsamados...
No deserto, porém,
à sombra criptal das Pirâmides emudecidas, avultava a Esphynge,
silenciosa e magnífica.
O Simun atira-lhe aos
flancos um sudário de olivedo. Areias invadem o colosso, acumulam-se,
sobem, cobrindo-lhe as garras, envolvendo-lhe os flancos, cingindo-lhe
as asas.
Mas, a cabeça,
que é a Inteligência e o Saber, vence o deserto.
Os olhos vagos, na indefinível
nostalgia das Tradições perdidas, iluminando-se, por vezes,
de rápidos fulgores
súbitos, quando o disco resplandecente de Ammon
brilha entre os zênites
de púrpura do Oriente.
Entanto, à noite,
quando Isis lhe aureola a cabeça de um diáfono e espiritual
nimbo de Argentum,
já não
sorri a Esphynge como outrora...
E só freme, à
hora trágica do poente, ao sucumbir de Osíris,
como se o astro
agonizante lhe a segredasse em um derradeiro reflexo: o Grande Arcano da
Ressurreição.
A mocidade estudiosa
volta os olhos para o Egito,
e tenta reconstruir-lhe
o passado magnífico e os mistérios tão sábios,
na aliança perfeita
da Ciência, da Arte e do Mistério; interroga a Esphynge, e
a Esphynge interroga o Iniciado, nos olhos velados de nostalgia intensa
a revelação tácita de toda uma sinarquia Imortal.
O Brasil não
podia conservar-se alheio ao belo movimento que se tem acentuado na Europa
e se vai acentuando
na América.
Os arautos do século
XX proclamam a Renascença do Espírito, a Era nova da Alma.
De novo são investigados
os Santuários Antigos.
Os Templos da Ciência
Oculta iluminam-se; sábios e pensadores grupam-se em Centros de
Estudos Esotéricos (P.S.: Não por acaso, os mesmos estetas
criadores da Esphynge foram os responsáveis pela aparição
em solo Curitibano da Rosa Cruz Cabalística, de Papus, formando
um Grupo Independente de Estudos Esotéricos (Goupe Independant d’Estudes
Esoteriques), melhor qualificado como um Ramo da Loja francesa. Os mesmos
registraram na publicação de número 10 (anno II, 1900)
- que mais adiante republicaremos - os eestatutos do Grupo, relatando os
acontecidos na primeira reunião, realizada sob os Pilares da Loja
Luz Invisível),
continuando as Tradições
da Kabbala, da Gnose, da Rosae Cruxix...
Os Símbolos da
Maç . ' . fulgem dos Santuários; e a Alma das Tradições
surge, numa aparição radiosa,
alimentando no coração
dos F . ' . V . ' . a flamejante Estrela da Esperança.
Autor anônimo.
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