Os Números: 05.
Setembro de 1889
e.v.
Número 03.
O quinário é
o número religioso, porque é o número de Deus Reunido
ao da Mulher.
A fé não
é a credulidade estúpida da ignorância maravilhada.
A fé é
a consciência e a confiança do amor.
A fé é
o grito da razão que persiste em negar o absurdo, mesmo em face
do desconhecido.
A fé é
o sentimento necessário à alma, como a respiração
à vida:
é a dignidade
do coração, é a realidade do entusiasmo.
A fé não
consiste na afirmação de tal ou tal símbolo,
mas na aspiração
verdadeira e constante às verdades veladas por todos os simbolismos.
Um homem repele uma
idéia divina indigna,quebra falsas imagens,
revolta-se contra idiotas
idolatrias, e o chamais de ateu?
Os perseguidores da
Roma Antiga chamavam também de ateus aos primeiros cristãos,
porque estes não
adoravam os ídolos de Calígula e Nero.
Negar uma religião
ou as religiões todas, que aderir às fórmulas que
a consciência reprova,
é um ato de fé
corajoso e sublime.
Todo homem que sofre
por suas convicções é um mártir da fé.
Talvez que se explique
mal, porém prefere a tudo à justiça e à verdade;
não o condeneis sem ouvi-lo.
Crer na verdade suprema
não é defini-la, e declarar que se crê é reconhecer
que se a ignora.
O apóstalo São
Paulo limita a fé a estas duas causas: crer que Deus existe e recompensa
os que o procuram.
A fé é
a maior que as religiões, porque precisa menos dos artifícios
da crença.
Um dogma constitui apenas
uma crença e pertence a uma comunhão especial;
a fé é
sentimento comum à humanidade toda.
Tanto mais se discute
e tanto menos se crê; um dogma de mais é uma crença
da qual se apropria uma seita, subtraindo-a de algum modo à fé
universal.
Deixemos os sectários
fazer e refazer seus dogmas,
deixemos os superticiosos
acentuar e formular suas supertições,
deixemos os mortos enterrar
seus mortos, como dizia o Mestre,
e acreditemos na verdade
indivisível,
no absoluto que a razão
admite sem compreender pressentimentos sem saber.
Creiamos na Razão
Suprema!!!
Creiamos no Amor infinito
e tomemos em piedade os absurdos da escola e as crueldades da falsa religião.
Eliphas Levi.
ANTERIOR
PRÓXIMA
RETORNAR
À PÁGINA INICIAL
666/04