Do Amor.
Novembro de 1899 e.v.
Número 05.
Existem substâncias,
perfumes, sensações capazes de influenciar cada um de nossos
três centros orgânicos.
O ser total,
porém, o homem de Vontade, o homem Imortal, estará ao abrigo
de semelhante ação?
Não,
certamente.
Mas, não
é mais uma substância, ou perfume, não é mesmo
uma sensação por mais elevada,
a música
mais divina, por exemplo, que pode agitar o Espírito Imortal em
seu profundo retiro,
é algo
de teor mais avantajado, conforme o emprego que faz dele o ser humano:
O Amor.
O Amor, desde
a afinidade misteriosa que impele o átomo para o átomo,
da impulsão
insensata que aproxima o homem da mulher amada por entre todos os obstáculos,
até o
enlevo misterioso que leva a Inteligência, anciosa de desconhecido,
aos pés da beleza ou da verdade,
o Amor é
o grande móvel de todo ser criado agindo imortalmente,
e o Amor tem
dois trâmites de realização: a geração
em baixo, e o êxtase no alto;
porque o centro
sexual do Espírito Imortal é o mesmo da Esfera Anímica,
apenas tendo
o raio mais longo.
Eis porque a
Magia, considerada sinteticamente, é a Ciência do Amor.
Amor dos astros
para o Sol, ou amor do átomo para a força.
Eis porque a
mulher, sacerdotisa instintiva do amor na Terra, ou agindo lunarmente como
mãe de família,
ou venusiamente
como amante, esposa ou cortesã, a mulher é a magista nascida
da humanidade;
e qualquer guardadora
de porcos ainda ontem pode reinar em um Palácio luxuoso pela virtude
mágicka de seu olhar, servido pelos ensinamentos de Heve
que ilumina a mulher neste mundo.
Quem foge ao
amor não saberá resistir-lhe, e um maravilhoso escritor,
que é
também um verdadeiro conhecedor da alma humana,
Anatole France,
expôs perfeitamente esta lei mágic (k) a emThäis
(P.S.: Obra
que se encontra traduzida para o português e que fora publicada,
em partes, nas páginas da Esphynge Jornal, mas de forma incompleta
- a verificar...), fazendo o mongee Paphuncio tombar.
Definitivamente
derrubado por potência que não havia bem compreendido...
Assim, o imprudente
que pede à Magia meios para prosseguir em sua paixão amorosa
é apenas
um ignorante ou um tôlo;
posto que pede
armas para combater no próprio momento em que se considera vencido...
O magista não
deve ser domado pelo amor, como também não deve o ignorar:
a castidade
absoluta só é exigida do experimentador nos quarenta dias
que precedem a obra mágicka
(P.S.: A
abstinência, mesmo desta forma extremada, não é necessária
em seu complemento).
Se o magista
deve poder resistir à cólera ou ao ódio que sente
se lhe despertarem, deve, principalmente, poder dirigir esta força
dinâmica formidável - o Amor - quando e onde o encontre.
Quando magnífica
e bela carruagem , puxada por maravilhosos cavalos, se vos depara em caminho,
e tendes a faculdade
de continuar de carro a viagem, abreviando-a, que fazeis???
Deixareis escoar-se
vosso tempo, já tão precioso, lutando contra o vigor dos
animais,
procurando vedar-lhe
os passos???
Ou, lançando-vos
no carro, tomarei as rédeas com seguras mãos???
Conclui; que
na vida o problema se vos apresentará quase diariamente.
Tendes dois
perigos a temer: se vos deixais ficar na estrada, podereis ser chifrado
pelos corcéis,
ou pelo menos,
perdereis o tempo sem nenhum proveito; se tomais a carruagem,
e vos falta
a necessária energia, os cavalos podem tomar o freio nos dentes.
Lembrai-vos
que a audácia é, após a Sabedoria, a primeira das
qualidades exigidas do Mago,
e aprendei a
resolver o enigma da Esphynge...
O homem não
deve esquecer que é um dos pólos psíquicos da humanidade,
e sua idéia
só se tornará dinâmica quando reacionada por um cérebro
feminino.
Indicai-me o
realizador religioso que houversse triunfado em sua obra sem o auxílio
das mulheres???
Platão,
em O Banquete, dá-nos a chave da separação primitiva
do ser humano em dois polos;
toda Ciência
Mágicka reside no emprego psíquico e não psicológico
da falha produzida, e é essa - indubitavelmente -
a força
mais poderosa que é dada ao magista conhecer e dirigir.
Os poetas, que
são os profetas da Natureza, o têm soberanamente ensinado
através das idades.
Não se
deve desprezar nunca os ensinamentos dos poetas,
se se quizer
conhecer e praticar a Ciência Eterna dos Magos.
À proporção,
porém, que o ser psíquico enlaça-se mais alto,
novos amores
se revelam ao homem,
e a Santa Cabala
nos ensina que o sábio,
consagrando
seus esforços e vigílias ao culto desinteressado da Verdade,
será
auxiliado em seus trabalhos pela presença mais e mais perceptível
da Alma Irmã,
entidade astral
que sacrifica a evolução própria à de seu bem
amado.
É este
um dos Arcanos mais profundos dos Mistérios do Amor;
só os
que estudarem a Cabala poderão penetrar-lhe inteiramente o Segredo.
Papus (foto).
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