Arquitetos Medievais.
Novembro de 1899 e.v.
Número 05.
 
Passara o ano mil!!!
 
O negro espectro de terror e da morte ia-se para incógnitas regiões, e na Europa,
como uma Aurora  de Esperança, desabrochavam corações, ainda em transe de pasmo,
entrando em nova-era, de amor e trabalho.
Já não morriam à porta das Igrejas famílias inteiras; mortas de fome; as epidemias tinham abrandado; os mercados de carne humana tinham desaparecido.
Já se não violavam sepulturas para saciar a fome com a carne dos mortos;
as feras tinham voltado às florestas; a terra produzia de novo: de novo se cultivava o solo.
Passara o ano mil!!!
O ano mil que era anunciado como o de término do mundo,
que era assinalado nas profecias como encerrando o dia do "juízo final",
que tão profundamente convulsionara a Europa; o ano mil passara. Dia a dia,
abismando-se na insondável noite dos tempos,
sem o nosso planeta ao menos sentir o fechar do ciclo da vida.
 
Mas a Igreja de Roma ficara com a posse de inúmeras doações que lhe tinham sido feitas,
quando os proprietários, alucinados de pavor e fanatismo,
lhe foram suplicar que intercedesse junto do Eterno,
para abrandar as cóleras que os "Céus" desencadeavam sobre a terra.
Passada a crise, nobreza e plebe sentiram-se tomadas de mais intenso fervor místico;
e, em homenagem ao Supremo Criador de todas as coisas,
iniciaram a contrução de Templos magníficos e mosteiros, catedrais suntuosas, basílicas imponentes, sob a ordem e direção administrativa das ordens monásticas.
 
Os monges beneditinos, em rápido tempo,
monopolizaram a ciência da construção dos grandes edifícios,
guardando em segredo os princípios da arte arquitetural,
a fim de que lhes não fizessem concorrência e pudessem gozar mais fartamente dos benefícios que, então, essa arte lhes proporcionava.
Houve, porém, que, em sucedendo-se as construções às construções, as catedrais às catedrais,
os artifícies das ordens religiosas foram insuficientes, e se tornou necessário procurar entre os leigos, sendo criado um corpo de "aprendizes", que trabalhavam sob as ordens dos monges.
 
"Os monges encarregados deste ensinamento eram chamados Veneráveis, porque eram religiosos;
Mestres, porque ensinavam" (Papus).
No século XVIII, porém, e já no século XVII, os "aprendizes" alemães, de posse dos Segredos da Arte, partiram de vez o julgo dos monges, constituindo-se em grupos, corporações, com regulamentos, estatutos, etc, etc.
De então, começam a edificar por conta própria, formando um corpo de ofício,
monopolizando a construção gótica.
Admitiam "discípulos", dos quais exigiam "um juramento sobre a Bíblia..."
 Tinham sinais, toques, palavras diálogos.
 
"Em 1498 e.v., o Imperador Maximiliano deu existência legal à corporação dos construtores,
aprovando-lhes  os estatutos e os regulamentos" (extraído de Papus).
 
Os obreiros se davam uns aos outros o nome de "Irmãos";
recebiam do "Mestre" o Segredo da  "Arte", e trabalhavam unidos como bons "Companheiros".
 
"No começo do século XVI, chegaram à Inglaterra bandos, grupos, oficinas de construtores alemães,
chamados ali para edificarem basílicas. A consequência disto foi a admissão de Aprendizes ingleses,
organizados com as mesmas bases das Lojas dos Construtores alemães" (extraído de Papus).
 
Posteriormente,
os construtores ingleses deram à sua corporação o nome de Fraternidade dos Pedreiros Livres,
reunindo-se os diversos grupos em um só corpo, sujeitos aos mesmos estatutos,
e subdidivididos em Lojas ou Oficinas.
 
Dario Vellozo
(do Templo Maçônico).
 

 
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