Iniciação
no Egito.
Março
de 1900 e.v.
Número
09.
A terra, o fogo, a água
e o ar eram os quatro elementos que constituíam as grandes experiências
físicas de Mênfis.
O último Iniciado
era que conduzia o Neófito até a entrada dos subterrâneos,
e lhe dava uma lâmpada
acesa para lhe servir de guia.
O Neófito marchava
depois sozinho, atravessando corredores de tal maneira baixos,
que era obrigado à
engantinhar.
Passados estes primeiros
obstáculos, o Neófito encontrava uma cisterna imensa,
na qual se achava firme
uma escada de ferro polido, por onde devia se descer até 60 pés
de fundo;
mas não podendo
continuar a marcha por falta de degraus, ele tornava à subir,
e via um pequeno buraco
(não observado na descida), que dava entrada à um caminho
espiral,
que terminava em um
grande poço.
Chegando ao fundo do
poço místico, o Neófito via duas grades: uma de ferro
ao meio-dia,
e outra de bronze
ao Norte, à qual deixava ver um largo corredor,
que era iluminado por
tochas e lâmpadas, e adornado nos lados por arcadas sucessivas
(tal experiência
simbolizava o caos da natureza inerte).
Apenas o Neófito
entrava no corredor, e passada a porta de bronze,
esta repentinamente
se fechava por si mesma,
e produzia um grande
ruído que - junto aos ecos das arcadas - se tornava horroroso.
O Neófito, depois
de ter andado 50 passos no corredor, encontrava uma abóbada cheia
de fogo,
que ele devia atravessar;
e a qual, segundo Terasson,
imita uma fornalha ardente
de 100 pés de largura
(tal era a experiência
do fogo).
Depois da fornalha,
seguia-se um canal de 50 pés de largura cuja água, vinda
do Nilo,
entrava por um
lado subterrâneo e saía por outro, com estrondo e rapidez
assombrosa:
era preciso que o Neófito,
com a lâmpada na mão, passasse à nado este canal
(eis a prova da água).
O Neófito, tendo
atravessado o canal, encontrava uma grande arcada,
no interior da qual
havia alguns degraus,
que o conduzia à
uma ponte levadiça e de um mecanismo complicado.
Na extremidade desta
ponte havia uma porta de marfim, que o Neófito de imediato tentava
abrir; mas, no momento em que lançava mão de duas argolas,
fixas nas umbreiras
das portas, uma mola real, que fazia mover muitas outras rodas,
abalava a ponte levadiça
e fazia assoprar um vento impetuoso que apagava sua lâmpada.
O Neófito, depois
de ter estado dois minutos nesta cruel posição,
que lhe deixava ver
um precipício imenso, tornava a descer para o mesmo lugar,
por efeito de um contrapeso,
e achava-se colocado de frente à porta de marfim,
que se abria rapidamente
(tal era a experiência
do ar).
Passadas as quatro provas preparatórias,
o Thesmophores (Nota:
Introdutor) vendava o candidato e conduzia pelas mãos até
à Porta dos Homens, que era exteriormente guardada pelo último
Iniciado (Pasthoris).
O Introdutor batia sobre
o ombro do Guarda Exterior; e este batia na Porta do Templo,
para anunciar
a presença do candidato.
Este, satisfazendo às
questões que então lhe eram feitas, entrava no Templo pela
Porta dos Homens,
e lá ouvia ler
toda sua vida profana, que de antemão os Sacerdotes sabiam cuidadosamente
espionar.
O Hierofante (Nota: Iniciador) fazia novas questões sobre
objetos diversos, a que o candidato deveria responder categoricamente.
O candidato era depois
obrigado a fazer uma viagem no círculo de Birantha
(que era o recinto exterior
do Templo), durante o qual os sacerdotes, fingindo sons e trovoadas,
procuram assustar o
candidato que, firme, afoito e resoluto, tornava a entrar no Templo,
e prometia se conformar
com os estatutos da Venerável Ordem,
que anteriormente lhe
tinham sido lidos por Menies (Nota: leitor das Leis).
Depois desta adesão,
que era puramente voluntária, o candidato ajoelhava perante o presidente,
o qual, pondo-lhe uma
cimitarra ou alfange sobre o pescoço,
lhe fazia prestar o
juramento de fidelidade e discrição,
tomando por testemunhas
o Sol, a Lua e os Astros.
O candidato era depois colocado entre as duas colunas (Nota: Betilies):
a venda lhe era tirada;
aprendia a Palavra de Ordem que era Amum ("sedes discreto");
recebendo um barrete
piramidal, um toque manual e um avental chamado Xylon.
Quanto ao mais, o candidato era obrigado à estudar a Teologia, a
Psicologia,
a Medicina e a Linguagem
Simbólica.
Também devia
guardar a Porta dos Homens.
Um Cavaleiro R.'. C.'.
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