| Com toda a nossa convic��o, aproxim�mo-nos da criatura, mas ela tinha mais truques escondidos. Vimos a sua boca abrir-se mais do que o normal, e , para nosso terror, das suas entranhas saiu uma grande labareda de fogo. Eu consegui esquivar-me, mas o coitado do Jinx ficou com a sua roupa a arder. Para n�o sofrer das terr�veis queimaduras que o fogo lhe poderia fazer, teve de sair e atirar-se � �gua. Agora estava s� eu e ele. Ao esquivar-me, perdi a minha espada e o meu saco. Sabendo que ali tinha provavelmente o poder para o derrotar, tentei recuper�-los rapidamente, mas perdi tempo. Ele come�ou a falar comigo e dizer-me coisas terr�veis, que me ecoavam na minha cabe�a e dilaceravam a minha alma. No meu �ltimo momento de consci�ncia, criei uma esfera de sombra para me envolver e assim evitar ouvir mais palavras do condenado. Demorei assim algum tempo at� me recompor. Quando dissipei as sombras, a besta j� ali n�o se encontrava. Peguei na minha espada e sa�. Na gruta, os dois companheiros de viagem faziam tudo para tentar agarr�-lo, mas ele evitava as suas investidas e ria-se estridentemente disso. At� que um vulto surgiu da entrada da gruta. O cavaleiro reaparecera! Ele n�o tinha desistido, mesmo apesar de estar em muito mau estado depois da grande queda. Trepara rapidamente pela encosta e conseguira chegar at� ali. O sat�nico, pegado de surpresa, virou-se para o novo rival e come�ou a falar com ele. O pobre do cavaleiro levou as m�os aos ouvidos para evitar de o ouvir. Aproveitei ent�o este momento de distrac��o para me aproximar dele, e com a minha espada ainda embebida em �gua benta, dei-lhe um golpe. Ent�o a besta gritou de dor e o seu sangue negro percorreu a l�mina da espada, corroendo-a como se de �cido se tratasse. Com apenas esse golpe, a �gua consagrada entrou-lhe no corpo e queimou-o por dentro, perecendo em chamas que ardiam mesmo dentro de �gua. Tinha assim terminado o pesadelo. Ajud�mos o brujah subir at� � superf�cie, onde me agradeceu por t�-lo salvo do sofrimento das palavras da criatura. Depois de algum tempo, surgiu o pr�ncipe e os seus guardas, que saltaram com aparente facilidade, o precip�cio que os separava da aldeia. Ap�s contar o que se tinha passado, o pr�ncipe agradeceu o nosso feito e dirigiu-se para a entrada selada da mina. Com apenas um dedo, tocou na parede rochosa que tapava a entrada, transformando-a em areia. Disse-nos ent�o que prossegu�ssemos o nosso caminho, porque havia algu�m no outro lado que nos esperava e j� estava bastante preocupado. Foi um epis�dio terr�vel da minha �n�o-vida�. Aqueles baali eram de facto poderosos e prometi a mim mesmo persegui-los sem miseric�rdia sempre que algum surgisse no meu caminho. Agmar era um cainite muito poderoso. Era baixo, tinha uma cara redonda e olhos grandes e vivos. O seu sorriso parecia ter sempre algo malicioso... Vestia normalmente uma toga branca e usava um barrete pontiagudo com um grande rubi no meio da cinta dourada que prendia o barrete � sua pequena cabe�a. Era algu�m invulgar� diria antes, muito estranho. A sua voz era estridente e, por vezes, arrepiante. A sua palavra era lei e jamais admitia que o contradissessem, especialmente novatos como eu. Por isso, tinha grandes flutua��es de humor. Mesmo os pr�ncipes e os anci�es o respeitavam e o reverenciavam. Eu pr�prio presenciei uma demonstra��o do seu poder. Era, certamente, algu�m muito antigo. Ainda me s�o desconhecidas as raz�es porque algu�m como ele esperou por neonatos como n�s e nos conduziu at� � cidade florescente de Montpellier. E porque raz�o gastou um bocado do seu imenso tempo para nos aconselhar� e porque raz�o quis ele responsabilizar-se por n�s durante os primeiros tempos na cidade perante o pr�ncipe brujah de nome Katar� Pois bem. Muitos s�o os mist�rios que encontrei durante esta exist�ncia secular� para a maioria deles nunca encontrei, nem encontrarei, qualquer resposta. A antiga cidade de Montpellier era grande, nos padr�es da altura (est�vamos no ano da Gra�a do Senhor de 1197). A poderosa muralha exterior possu�a quatro entradas: tr�s viradas para o Norte, o Poente e o Nascente, e a quarta era o grande porto mar�timo. Na parte oriental, subia uma colina, ao cimo da qual fora constru�do o castelo senhorial. Dali, o bar�o dominava sobre toda a cidade, tendo uma grande visibilidade em todas as direc��es. Dominando a entrada pela porta norte, erguia-se uma torre quadrada, muito antiga. Provavelmente fizera parte das primeiras fortifica��es ali constru�das. Para n�s, os neonatos, fora sempre alvo de curiosidade aquela torre velha e fechada por artes m�gicas. Mais tarde descobri e destrui o seu conte�do herege� A meio da cidade conflu�am dois rios, que entravam pelo norte e pelo oeste da cidade, desaguando no mar, mesmo ao lado do porto. No cruzamento dos rios, na margem norte, havia um parque abandonado, onde poucos se aventuravam a entrar, especialmente � noite. Na foz do rio, formara-se uma ba�a, cujos bra�os foram aproveitados para apertar a muralha da cidade, terminando os dois lados, em duas grandes torres que controlavam a entrada dos navios no porto. A cidade florescia do intenso com�rcio do Mediterr�neo, e era porta de entrada das mais variadas mercadorias para o norte do reino da Fran�a. Provavelmente, devido � sua riqueza, o bar�o muniu-a de um poderoso ex�rcito, que, em grande n�mero, protegia a cidade de ataques piratas e da inveja que algum dos poderosos vizinhos dele poderiam ter. A meu ver, para tais poderosas fortifica��es, o n�mero de soldados era exagerado. N�o se podia circular livremente � noite sem ser perturbado por uma ou mais patrulhas. Ao m�nimo de ru�do e dezenas de guardas acorriam de todos os lados para o local� Uma cidade daquelas tinha tr�s tipos diferentes de guardas: os da cidade (a mil�cia), os da muralha e o ex�rcito do castelo. O bar�o desperdi�ava imensos recursos na seguran�a da cidade, em vez de os aproveitar em algo construtivo, como o seu pr�prio desenvolvimento. Para al�m do poder feudal, Montpellier tamb�m possu�a uma forte presen�a clerical. Tinha v�rias par�quias e uma abadia pr�xima do centro da cidade, para oeste, na qual o seu abade procurava manter a f� do povo. Nunca consegui ter uma conversa calma com ele, apenas esporadicamente nos v�amos. Certa altura tentei marcar um jantar, mas as nossas agendas nunca coincidiam. No meu ponto de vista, este sujeito era uma marioneta de algu�m poderoso, pois, segundo as minhas fontes de informa��o na Santa S� e na pr�pria cidade, ele tinha chegado a tal posi��o de uma forma pouco clara. Conta-se tamb�m que era um sujeito muito ambicioso, mas tamb�m muito discreto. N�o fazia nada para aumentar a f� da popula��o, mas mantinha as pessoas calmas, enriquecendo �s custas dos seus d�zimos. Era a fachada ideal e uma forma de algu�m nas sombras exercer a sua influ�ncia no mundo mortal. Tal como � luz do dia, nas sombras da noite tamb�m florescia uma sociedade forte e numerosa. |
| Christian diCarlo |
| Christian diCarlo - 6 |