| A situa��o era simples, por�m, extremamente delicada. Algo mal�fico tinha-nos aprisionado ali com a clara inten��o de fazer de n�s as suas pr�ximas v�timas. Decidimos ent�o n�o esperar por ele mas procur�-lo e, se poss�vel, ca��-lo e destru�-lo. Procur�mos com mais aten��o por pistas que nos conduzissem a ele. Foi ent�o que descobrimos um pequeno mosteiro entalado entre uma curva da montanha e um penhasco escuro. De dentro, um monge tentava exorcizar-nos, pensando que �ramos o dem�nio. Vendo que n�o nos afast�vamos, atacou-nos com �gua benzida (algo que aos cainites faz tanta dor e ferida como o fogo e a luz do sol). O desafortunado tzimisce viu com olhos de terror um balde inteiro desta �gua cair-lhe em cima � o suficiente para dar-lhe a �morte-final�. No entanto, a �gua escorreu-lhe pela cara e embebeu-lhe as vestes, mas nada aconteceu: era �gua normal. Vendo que n�o tinha havido qualquer efeito, o monge abriu de imediato a porta, deixando-nos entrar. Algo de estranho se passava. Aquela �gua deveria ser sagrada, e o monge agia como se assim fosse. De facto, o mosteiro era bastante pequeno, o suficiente para manter meia d�zia de monges. Eles contaram que, naquela fat�dica noite, ouviram os gritos de terror dos alde�es que restaram. Muitos outros tinham j� partido devido ao medo daquela coisa, que at� ent�o tinha atacado os mineiros. At� ao raiar do sol, os monges esperaram pela sua vez, mas nada lhes aconteceu. Desde ent�o ficaram com medo de sair dali. Contaram tamb�m que na altura do massacre, dois deles estavam do lado de fora, mas s� um conseguiu chegar ao ref�gio do mosteiro ap�s se ter escondido durante longas horas. Estava de tal forma aterrorizado que se recolheu � sua cela e poucas vezes de l� saiu e falou. Curioso para saber o que ele tinha visto, insisti em falar com ele, mas, para grande surpresa de todos, a sua cela estava vazia. Ent�o ocorreu-me uma ideia horr�vel: e se fosse ele? Prometi aos monges que ir�amos destruir o dem�nio e aconselhei-os a trancarem-se nas suas celas. Agora a situa��o tinha melhorado: n�o era um dem�nio (por natureza poderos�ssimo), mas sim um cainite sat�nico. J� tinha ouvido falar destes repugnantes adoradores do Pr�ncipe do Mal. Pertenciam a um dos cl�s, o mais perseguido de todos: os Baali. Aquela foi a primeira vez que vi a �obra� de uma dessas criaturas demon�acas. A minha suspeita assentava no pressuposto de que aquele monge era o pr�prio baali disfar�ado, usando, por exemplo, um dos n�veis do poder de Obfusca��o, que eu na altura j� conhecia, embora ainda n�o o soubesse usar. Para n�o correr riscos, trocara a �gua sagrada por �gua corrente e instalara-se discretamente no mosteiro, j� que seria um local insuspeito. Provavelmente, a sua inten��o seria a de ficar, esperando visitantes para depois os usar nos seus rituais sat�nicos. T�nhamos agora de o procurar. As investiga��es que fizemos nas casas n�o resultou qualquer ind�cio que nos levasse ao seu esconderijo, ao seu local de culto, ao demo. Fix�mo-nos ent�o no po�o de �gua da aldeia, o qual era bem largo e profundo, e estava situado numa casa ampla com um sistema constitu�do por uma roldana e uma corrente que puxava um balde grande, o suficiente para caber l� uma pessoa. Preparei-me para o enfrentamento, procurando na igreja local por benta, guardando-a em dois vasilhames de barro fechados e selados com cera, dentro do meu saco de viagem. A Casa de Nosso Senhor fora tamb�m vandalizada pela criatura. Para al�m da destrui��o, encontrei o c�lice cheio de sangue. Aquilo enojou-me at� ao fundo da minha alma e deu-me um grande alento para o procurar e destruir. Mas a nossa sorte parecia estar a mudar. Inesperadamente, surgiu um aliado inesperado: o �filho� do pr�ncipe conseguira chegar at� ali, vindo em nosso aux�lio, com o intuito de demonstrar o seu valor ao seu �pai de sangue�. O pr�ncipe reunira informa��es suficientes dos fugidos para justificar uma ac��o concreta e decisiva, demonstrando com o envio do seu �filho� toda a sua preocupa��o. Cont�mos-lhe ent�o tudo aquilo que sab�amos e ele come�ou a fazer as suas pr�prias averigua��es. Mas o destino fora breve em actuar sobre o novo ca�ador. No meio da neblina vislumbr�mos um vulto fugidio e apress�mo-nos a persegui-lo. O brujah antecipou-se-nos para tentar apanh�-lo primeiro, mas a criatura preparou-lhe uma cilada. Fugindo na direc��o do penhasco, atraiu o valoroso cavaleiro para a sua beira, ocultando-se usando o seu poder de invisibilidade. Apanhando-o desprevenido, a criatura empurrou o cavaleiro no vazio. Est�vamos s� n�s de novo. Mas agora j� sab�amos o que procurar... e onde! Quando cheg�mos � casa do po�o, repar�mos que o balde estava no fundo, e preso. Decidimos ent�o descer pela corrente escorregadia. Sim... escorregadia! No momento em que tentava agarrar-me a ela, escorreguei e ca� no po�o. Quando recuperei a consci�ncia, lembrei-me dos dois vasos de �gua benta que tinha no meu saco. Felizmente ca� de lado, pois, os vasos estavam partidos e o saco empapado em �gua sagrada. S� Deus sabe como consegui sobreviver... e a Ele agrade�o do fundo da minha alma! Aquele n�o era o momento para eu deixar este mundo... Atrav�s da chama crepitante das nossas tochas, vimos que est�vamos num corredor que desembocava na parede da montanha. Do outro lado havia uma gruta com uma t�nue luz ao fundo. Deduzi que aquele po�o, outrora cheio da �gua necess�ria para manter aquela aldeia, perdeu quase todo o seu conte�do devido a uma fissura na parede do penhasco, que, com a for�a da �gua, alargou. Desta forma, foi necess�rio aos alde�es arranjarem um sistema para acederem � �gua que ainda restava na gruta no interior. Usavam para isso um grande balde, onde seguia uma pessoa, que depois o enchia com a �gua da gruta. Mas, aquela luz ao fundo da gruta indicava que a minha suspeita tinha fundamento. O sil�ncio era ensurdecedor. A t�nue luz que provinha de uma curva na gruta, propagava-se pelas paredes da mesma, numa dan�a lenta e imprevis�vel. A besta sabia j� da nossa presen�a... Ap�s me regenerar o suficiente, peguei no saco molhado com a ponta da minha espada e seguimos por entre a �gua em direc��o � luz. Ao entrarmos na cova, sentimos de imediato o cheiro a podrid�o. As paredes estavam pintadas com sangue e haviam ossos e cr�nios ao longo do corredor da entrada. Era aterrador! No fundo da cova, vimos um altar de sangue brilhando � luz das velas que o rodeavam. � sua frente: a besta. Mostrava ser um homem, baixo e branco. Da sua boca sorridente viam-se os seus dentes serrados em formas pontiagudas, de tal forma que todos se confundiam com os caninos caracter�sticos dos filhos de Caim. A sua face era branca, mas a boca, o nariz e os olhos estavam tingidos do vermelho do sangue. Os olhos estavam esbugalhados de contentamento e de fanatismo. Vestia um simples h�bito de monge. Antes que pud�ssemos reagir perante tal espect�culo, ele dirigiu-se para o nosso colega tzimisce. No in�cio n�o percebi, mas as suas palavras atingiram de alguma forma o pobre, que ele teve de fugir em p�nico. Quando isto acontece a um cainite, diz-se que este est� no estado de �rotschreck�. Fic�mos ent�o s� eu e o Jinx. |
| Christian diCarlo |
| Christian diCarlo - 5 |