O pr�ncipe era do cl� Brujah e chamava-se Katar. Tinha permanecido regente da cidade quando o pr�ncipe na altura tinha seguido numa das primeiras cruzadas. Mas esse desapareceu e todos os cl�s concordaram em manter Katar como pr�ncipe. Tal era a vontade do desaparecido.
Quando Agmar nos levou � sua presen�a para sermos formalmente apresentados, nos subterr�neos algures por debaixo da cidade, fic�mos tamb�m a conhecer alguns dos cainites pertencentes � corte.
Juan Dias era o �filho� de Katar. Ele serva de elo de liga��o entre o pr�ncipe e n�s. Pelo menos tinha uma grande virtude: uma paci�ncia de santo, devido aos insistentes pedidos de audi�ncia alguns neonatos mais inseguros.
   Uma bonita mulher de nome Arina, do cl� Toreador, servia o pr�ncipe como uma esp�cie de vidente. Com o passar dos tempos, esta poderosa filha de Caim permaneceu neste dom�nio, e �, actualmente, a minha anfitri� no momento em que escrevo estas linhas. Por v�rias vezes nos ajud�mos e tenho por ela um grande respeito.
   Como guarda-costas do pr�ncipe estava um cainite misterioso. Usava sempre uma armadura completa, bem polida, e nunca lhe vi a cara toda. Entre n�s ficou conhecido como �full-plate�.
Depois das apresenta��es, tomei a palavra e perguntei ao pr�ncipe como me apresentar ao l�der do meu cl� neste dom�nio. Fiquei surpreso pelo facto dele recusar-se a me responder, dando por terminada as apresenta��es e deixando qualquer pergunta para Juan Dias. O pr�ncipe fora sempre cordial com todos, mas comigo fora sempre frio.
   Mais tarde percebi a raz�o. Durante a reg�ncia de Katar, os representantes do cl� Lasombra contestaram a sua autoridade, sublevando-se. No entanto, no �ltimo instante, o balan�o do n�mero de aliados pendeu a favor de Katar, e os dissidentes que sobreviveram �s purgas foram expulsos da cidade. Por decreto dele, foi proibida a entrada de membros do meu cl� no seu dom�nio, e, desta forma, at� aquele momento, mais nenhum lasombra tinha l� entrado. S� pela palavra de Agmar � que Katar abriu uma excep��o� mas com a condi��o que eu demonstrasse ser digno de tal gra�a.
Tinha de o servir, e bem. Enquanto eu n�o mostrasse as minhas qualidades e a minha vassalagem ao pr�ncipe, n�o gozava de privil�gios b�sicos como os outros, tal como ser atendido em audi�ncia pelo pr�ncipe.
   Desta forma, tornei-me no representante do meu cl� em Montpellier, cargo esse que me deu alguma satisfa��o de possuir, abrindo-me algumas portas na sociedade das trevas, algumas delas surpreendentes.
Esta situa��o deu-me o objectivo que tanto procurava para me fazer elevar na hierarquia dos filhos de Lasombra. Se actuasse com precau��o e com o necess�rio calculismo e paci�ncia, poderia conseguir, primeiro, fazer com que o pr�ncipe me aceitasse naturalmente, e, em seguida, que ele aceitasse a presen�a do meu cl�, com o levantamento da proibi��o� e at� poderia ser o futuro L�der dos filhos de Lasombra aqui! Mas, para isso, teria de fazer algo de extraordin�rio. Tinha a consci�ncia de que n�o era o suficientemente poderoso para tal, portanto, concentrei-me apenas em conseguir o que estava ao meu alcance, n�o permitindo que a minha gan�ncia pudesse estragar esta grande oportunidade.
Talvez este tenha sido tamb�m mais um teste de Nosso Senhor � minha f�
   Durante muito tempo ansiei por poder. Ansiei por aumentar o meu conhecimento sobre as disciplinas que Caim ensinou aos Seus filhos para sobreviverem. Ansiei por aumentar o poder do meu sangue� Mas, o tempo ensinou-me que n�o s�o esses os poderes que nos aproximam de Nosso Verdadeiro Pai. S�o apenas instrumentos que devem ser cuidadosamente usados para servir o Nosso Criador: O Pai de Mois�s, Isa�as e de Jesus Cristo. Agora anseio apenas pela Sua Revela��o� e pela minha tamb�m.

   Os primeiros tempos da minha estadia foram conturbados. Por diversas vezes eu, o Jinx e um outro com sangue de Caim, misterioso, de nome Aleef, fomos chamados para resolver assuntos sujos dos mais poderosos, servindo isto de teste � nossa fidelidade.
   Mais tarde juntou-se um outro, um bocado curto de ideias, mas muito forte, com o nome elucidativo de Grunt.
   Outros neonatos juntaram-se ao nosso grupo, mas a sua estadia (ou exist�ncia) foi ef�mera.
   Para nos instalarmos, Juan Dias sugeriu-nos que escolhessemos uma actividade econ�mica que nos providenciasse sustento e fachada.
   Contra a minha vontade, Jinx gastou todo o dinheiro que lhe emprestei para comprar um bordel no meio da cidade. Com algum engano � mistura, conseguiu convencer o dono que o seu estabelecimento valia umas m�seras 50 moedas. N�o sei como ele o fez, mas ficou com uma boa casa, munida de uma vacaria nas traseiras, da qual obtia o sangue que todos necessit�vamos para sobreviver, sem recorrermos a mortes de inocentes.
   Ainda insisti algumas vezes a deixar aquele neg�cio, e at� falei com as meretrizes, mas a �nica coisa que consegui foi a promessa de algum sangue das vacas para compensar o empr�stimo que lhe fiz.
   H� j� muito tempo que o Jinx e eu �ramos companheiros de viagem. Aquele homem balofo e pachorrento irritava-me muitas vezes com as suas partidas de ilus�es, mas aprendi a lidar com isso, pois, por v�rias vezes a sua resist�ncia f�sica e a sua per�cia no engano foram-me �teis. Trazia sempre consigo um pequeno rato branco que o alimentava com o seu pr�prio sangue...
   Quando recebi de Agmar o livro do cl� Ravnos como recompensa do sucesso de uma miss�o, � que percebi a mente distorcida daquele cainite e a raz�o pela qual os membros deste cl� t�m m� reputa��o entre o resto dos outros cl�s.
   Infelizmente, n�o estive o tempo suficiente com Jinx para poder tirar vantagem do conhecimento da sua maior fraqueza: a sua honra.
   Quanto a mim, n�o sabia bem o que fazer.
   Comprei uma casa modesta no centro da cidade, perto de uma das suas principais ruas, e pensei dedicar-me � cria��o e divulga��o de conhecimento. Para isso, visitei a antiga academia da cidade. Estava abandonada. Ent�o informei-me com Juan Dias sobre o que se tinha passado ali e a quem me poderia dirigir para a reconstruir.
   A sua resposta foi vaga. Aquela casa tinha sido um dos ref�gios dos Lasombra sublevados, e, devido � purga, tinha sido parcialmente destru�da. Juan Dias n�o me disse qualquer nome, mas orientou-me para um pequeno mosteiro a sudoeste, no qual haviam monges copistas.
   Uma cidade t�o grande que florescia a olhos vistos, atra�a a aten��o da gan�ncia cainite, bem como dos eruditos que procuram novas correntes de conhecimento, provenientes dos mais diversos pontos do Mediterr�nio. Portanto, pensei que, muito provavelmente, um cainite poderia estar por detr�s daquela institui��o clerical.
   Percorri, ent�o, pela primeira vez s�, aquelas ruas estreitas, ladeadas por altas casas. S� com alguma aten��o � que se conseguiam ver algumas estrelas no c�u.
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