Karma e a Lei do Retorno. Karma significa acção (3), é um conceito essencialmente budista mas que se insere perfeitamente neste contexto. Aliás, a diferença entre o Budismo e o Cristianismo reside em pouco mais além do Deus que adoram, pois se analisarmos bem descobrimos que os ensinamentos de Jesus são válidos para ambas a religiões sem se contradizer. Diz o Budismo que toda a acção do Homem comporta uma carga positiva ou negativa, carga essa que se vai acumulando naquele que pratica a acção e mudando o seu Karma. Este pode-se tornar mais positivo ou mais negativo, conforme a acção praticada. Uma coisa é certa, pela lei do retorno (conceito também budista) de acordo com o Karma de cada um assim serão atraídas energias positivas ou negativas em resposta às suas acções, pelo que todos sofrem as consequências, boas ou más, das suas acções e até mesmo pensamentos. O Budismo acredita que o Karma acompanha o Ser em todas as suas vidas e que as respostas às suas acções tanto podem acontecer na vida em que as cometeu como numa vida posterior. Transpondo esta ideia para a teoria que tenho vindo a enunciar, observamos que na verdade é isso que acaba por acontecer. Se por exemplo numa determinada vida actuarmos de forma egoísta e egocêntrica, poderemos acabar de duas formas: ou passando ainda nessa vida por uma experiência que nos ensine a não ser assim, ou nascer seguidamente numa situação oposta, pobres e necessitando da ajuda das outras pessoas, por forma a conhecermos o egoísmo alheio e aprendermos a não o ser. Constatamos ainda que no decorrer da nossa vida há uma tendência para nos acontecer situações que tememos em excesso, como acidentes, roubos ou doenças. Ou seja, quanto mais medo tivermos de algo maior é a probabilidade de isso nos ir a acontecer, isso acontece porque ao emanar a energia negativa daquele medo específico vamos atrair a energia negativa para que ele se concretize. Este fenómeno é necessário para que eliminemos todos os nossos medos pois se estes prevalecem acabam por constituir entraves à mudança e, por conseguinte, à nossa evolução. Daí que seja importante cultivar e praticar o optimismo e o positivismo, para esquecer medos e atrair felicidade. Preces e Orações. Com todas estas considerações parece que perde um bocado o sentido orarmos a Deus, já que afinal nós próprios escolhemos aquilo que temos e que somos e tudo aquilo por que passamos é incontornável! Não é bem assim. Eu acredito que Deus gosta que falemos com ele, mas não da forma como falamos. É preciso sim aprender a orar. Por mais que nos custe não é pedindo que nos dê dinheiro ou amor, nem sequer é pedindo que nos dê saúde ou uma família unida que devemos orar. É pedindo que nos proporcione aquilo que fôr necessário para podermos evoluir, nem que isso implique sofrimento. É pedindo que nos ajude a mantermo-nos no caminho da verdade, para que não seja preciso passarmos por grandes tormentos. É pedindo que nos dê calma interior para podermos aceitar o que nos é dado, é pedindo que nos ajude a compreender os outros e a nós próprios. É pedindo que nos ajude a ver a verdadeira felicidade, aquela que é eterna e não depende dos valores mundanos... aquela que está dentro de nós e não lá fora, baseada na paz e amor incondicional. Quando percebermos isso, estaremos um passo mais perto Dele. (3)A Arte da Vida Valores Humanos no pensamento Budista, pag. 21. |