| Tocandira
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Os objetos só têm sentido depois que o homem os descobre como sendo objetos. Primeiro o homem afirma-os como existentes, depois os define. Não define arbitrariamente o que seja o objeto. O homem dá o sentido aos objetos de acordo com a essência da cada objeto. A essência impõe-se ao homem. Senão o que é árvore para uns poderia ser cadeira para outros. Logo, o sentido não é algo que possa ser aplicado de diferentes maneiras a um mesmo objeto. O sentido traz em si a essência daquilo que significa. Assim, uma árvore será afirmada árvore por homens de qualquer cultura. Ela tem o mesmo sentido para todos os homens, porque impõe sua essência. O mundo não tem consistência própria, não é em-si. O mundo é sempre para o homem. Por isso é sempre um mundo cultural. O homem existe, descobrindo os objetos (afirmando também a existência deles), depois, somente depois, lhes dá um sentido. Esse sentido, além de guardar a essência que o objeto impôs ao homem formando assim o sentido natural, guarda também algo da experiência particular ou grupal do homem. O sentido cultural do objeto será dado de acordo com a experiência de cada homem ou grupo de homens. Logo, o sentido cultural dependerá da vivência do homem. A árvore, naturalmente, tem o mesmo sentido tanto para o ecologista quanto para o madeireiro. Porém, culturalmente, a mesma árvore terá para os dois, sentidos totalmente opostos. Portanto, para a fenomenologia, todo conceito carrega o sentido natural e o sentido cultural e quando Edmund Husserl fala em redução fenomenológica ele quer dizer que os cientistas até hoje consideraram apenas o sentido natural dos objetos e nunca o sentido cultural, como se um objeto pudesse ser despojado de seu sentido cultural. A redução seria um voltar-se à origem do objeto enquanto experienciado pelo sujeito. Ou seja, considerando-se que não há objeto sem sujeito, nem sujeito sem objeto e considerando-se que a palavra sentido tenha a mesma significação de essência, a redução fenomenológica irá querer assegurar à ciência tanto sua positividade quanto sua universalidade, afirmando a prioridade do sentido cultural (existencial) sobre o sentido natural (essencial) do objeto. |