| Tocandira
Sentido natural sentido cultural |
A fenomenologia considera que, uma vez que o conhecimento humano é constituído de objetos, nunca poderemos afirmar a existência da coisa-em-si-mesma. O que existe para o conhecimento é o objeto. Ele é tudo aquilo que está envolvido com o conhecimento. Acredito que se possa dizer que para a fenomenologia o objeto é aquilo que se manifesta ou que se desvela ao conhecimento. Porém, com isso não devemos entender, como queria Kant, que existem as coisas-em-si-mesmas e que existe um sujeito (enquanto conhecimento) para abstrair o fenômeno da coisa-em-si. Portanto, para Kant, conheceríamos mesmo apenas os objetos, porém, estes teriam algo de transcendente totalmente inatingível pelo nosso conhecimento. Agora, com a fenomenologia também conhecemos apenas os objetos, mas com a diferença de que tais objetos são para nós a totalidade daquilo que conhecemos. Ou seja, tentando explicar melhor, se para Kant havia de um lado o sujeito transcendental (sem nenhuma relação com os objetos) e de outro a coisa-em-si (transcendente, totalmente inacessível ao sujeito), agora para a fenomenologia, sujeito e objeto irão se pertencer mutuamente. O objeto não será nem o dado da coisa, nem a abstração do dado pelo sujeito. Agora sujeito e objeto não serão distintos. Portanto, para a fenomenologia, não existe um algo (coisa) que não esteja em relação com o sujeito. Não há objeto sem sujeito, nem sujeito sem objeto. A criança quando nasce nada é, nada conhece. Somente após alguns meses é que seus sentidos começarão a tomar forma. Estes só tomam forma devido aos objetos que estão à sua volta. A criança é envolvida pelos objetos na medida em que seus sentidos entram em relação com eles. Mais tarde a criança começará dirigir seu olhar ou suas mãos para determinados objetos. Essa relação já é uma relação de conhecimento e de linguagem. Os objetos para os quais a criança dirige seu olhar não são coisas, são objetos que formaram seus sentidos e conseqüentemente seu conhecimento. São objetos pertencentes a seu mundo. Portanto, o conhecimento e o objeto (aquilo que conhecemos) originam-se contemporaneamente. O conhecimento só se revela, revelando o objeto. Conhecimento e objeto têm relação recíproca e se completam, completando-se um ao outro. Logo, conhecimento é sempre conhecimento de um objeto e este por sua vez é sempre objeto para o conhecimento. |