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O Rosto da Morte
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Estamos no dia 24 de abril de 2000, no dia exacto em que realizo 18 anos À face da terra. Decidi ir dar um passeio pela aldeia já passava da meia-noite. Pelo caminho, encontrei um pequeno desvio pelo meio de uns arbustos que ia dar a uma praia que até hoje nunca tinha visto. Avancei até à beira-mar e, de repente, reparei numa belo anjo, de olhos azuis como o mar que tinha defronte, cabelos longos e loiros como o oiro, lábios vermelhos como o sangue que me corria apressadamente pelas veias e de corpo esbelto e de delicados traços.
Logo tentei conversar com ela, a cujo esforço respondeu. Parecia uma jovem inteligente e simpática. Durante nosso diálogo, contou-me
que os seus pais e lá tinham sido acusados de serem seguidores de
uma seita satânica e tinham sido expulsos da aldeia onde viviam,
refugiando-se na floresta. Desde então, eu fora a única pessoa que vira
até hoje. Como o tempo voava! Já era quase manhã, e tive de me ir embora,
indo directo a casa.
Desse dia em diante, encontrei-me sempre com ela na mesma praia.
Todos os dias conversávamos debaixo da intensa luz da lua, do calor
tropical que se fazia sentir e da leve brisa salgada do mar. Todos os dias
nadávamos ao longo do mar. Tudo corria bem, excepto à Sexta-feira: todas
as sextas-feiras eu me deslocava até à praia e nunca a encontrava;
desmoralizado, voltava para casa; até que ao outro dia pudesse admirar sua
beleza que
me fascinava (aquele
corpo esbelto e delicado, seus olhos azuis, os seus lábios, seus
longos e belos cabelos loiros, sua inteligência, a sua inocência, a sua
simpatia e, sobretudo, a sua sorte na vida e o seu modo de ser – era tudo
o que eu admirava nela). Era uma bela e doce criatura, como eu nunca tinha
visto nenhuma em toda a minha existência.
Na aldeia corriam rumores de que uma jovem donzela atraía jovens
até à praia, assassinava-os a sangue fria e oferecia suas almas as seus
senhor, a satanás. Dizia-se que esta jovem adorava o demo e todo os
espíritos negros do mal, e tudo o que eles representavam. Corria também o
rumor de que esta jovem era aquela que tinha sido expulsa pelo padre e por
toda a população com os seus pais, por adorar o demo. Ao ouvir isto, corri
até ao meu melhor confidente, e contei-lhe tudo: os rumores e a paixão que
consumia a minha alma, aquele amor por tão doce criatura. Ele apenas me
aconselhou a esquece-la e a não mais procurar para o resto dos meus dias.
Mas eu, ignorante e cego com a beleza de tão doce ser, de tão bela
criatura, pensando, cego pelo ciúme, que ele estava com inveja, ofendi-o,
e para a eternidade perdi o meu único amigo.
Passaram-se meses até que fosse novamente á praia. Era Sexta-feira
treze, dia do azar; e por, muita sorte que pareça, encontrei-a na areia
escaldante da praia e para junto dela corri, cego pelos meus sentimentos.
Já era meia-noite quando finalmente caí nos seus belos braços. Lentamente
precipitou-se em beijos doce como o mel. A lua brilhava como nunca, até
que, subitamente, a praia cobriu-se de uma espessa neblina, a lua tapou-se
com uma manto de nuvens e o doce beijos transformou-se em amargo. E foi
quando olhei para a sua face, já não era bela: estava deformada como uma
caveira, os seus cabelos haviam desaparecido e seus olhos saiam das suas
órbitas. Dando um empurrão a tal abjecta coisa, pois aquilo, não era
vivo... Fugindo, corri como o vento, e afastei-me de tal lugar, ao qual
nunca mais voltei, como medo de voltar a cair da sedução, e não resistir
ao encanto daquele monstro que se cobria com a roupa de bela donzela,
apenas para nos atrair para o abismo da perdição... |
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©Lord Raven |