Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, EUA 1950)     Grandes Tragédias - Chernobyl     Grandes Tragédias - Ônibus Espacial Challenger     Grandes Tragédias - O Templo do Povo  
                 
          O roteirista fracassado Joe Gillis, ao fugir de credores, esconde- se no que parecia ser uma mansão abandonada na Sunset Blvd., mas logo percebe que ali mora a ex- estrela Norma Desmond, cuja carreira se foi com o Cinema Mudo. Ela, precisando de alguém que revise um roteiro que ela própria escreveu para voltar a fama, oferece emprego a Joe, que sem dinheiro nem algo melhor para fazer, aceita a proposta e acaba se mudando para a mansão. Não demora muito para Gillis perceber que há mais coisas estranhas naquela casa do que o horroroso script de Norma.
      Logo a primeira cena de Sunset Boulevard nos chama a atenção: uma narração em off de Joe nos apresenta a um corpo boiando em uma piscina e vários policiais e jornalistas no local. Não tarda muito para sabermos que o corpo que padece é do próprio narrador do filme. O roteiro sarcástico mostra como nenhum outro o falso glamour de Hollywood e a decadência dos astros que foram deixados de lado pelos diálogos, e a jogada é que  Crepúsculo apresenta muitas das maiores citações do cinema, como na hora que Joe diz a Norma "você costumava ser grande", e ela rebate "Eu sou grande. Os filmes que ficaram pequenos".
      O humor negro do diretor Billy Wilder não se prende apenas ao embate Norma falando que não precisava de diálogos X dizendo falas fantásticas, mas busca na vida dos atores um espelho da trama que estão interpretando: Gloria Swanson e Erich von Stroheim, Norma
  Desmond e Mordomo Max, eram grandes nomes do cinema mudo, e justamente o filme que ele dirigiu em 1929, Queen Kelly, afundou de vez a carreira de ambos. E daí?, você me pergunta. Ao filme que Joe e Norma assistem durante Crepúsculo dos Deuses é esse Queen Kelly. Estranho, não?
      O ator William Holden merece nossos aplausos ao interpretar com um encanto estupendo o personagem mais cretino da história, ele mesmo chega a admitir sua fraqueza de espírito, fazendo- nos em momento algum criticar suas ações, o que inclui o "fora" mais sensacional da história do cinema. A angústia que o personagem de Holden sente ao entrar naquela casa e a fazer parte dela, assim como a falta de privacidade dele, nos é passada pelos cenários apinhados de Norma’s e a trilha sonora belíssima de Franz Waxman. Esses dois elementos engrandecem muito a qualidade do filme.
     Outras coisas merecem ser faladas a respeito dessa obra- prima de Wilder, como a paixão e submissão de Max por Norma Desmond, as visitas aos estúdios da Paramount de outrora, a participação de Cecil B. deMille e o enterro simbólico do Cinema Mudo através de um macaco. Faltam adjetivos para Crepúsculo dos Deuses, um filme fantástico que merece visto por todos e uma trama que continua atual mesmo sendo de cinco décadas atrás. Um longa poderoso guiado de forma sublime por Billy Wilder. Simplismente brilhante.
          Na manhã da segunda- feira 29 de abril de 1986, engenheiros da usina nuclear de Forsmark, então a melhor e mais segura da Suécia, assustaram- se com os altos índices de radioatividade que as roupas dos funcionários apresentavam. Rapidamente iniciou- se o sistema de alarme de Forsmark, evacuando todos os empregados e avisando aos países vizinhos sobre um possível vazamento na usina. Procuraram em vão algo de errado por toda a segunda a feira e chegaram a conclusão que havia sim algo de errado, mas em outro país. Voltaram- se para os russos, que negaram. Apenas quando a nuvem radioativa atingiu os demais países escandinavos que os soviéticos admitiram que tinha ocorrido um problema na usina de Chernobyl, próxima à cidade de Kiev.
      Os russos se negaram a prestar informações ao restante da Europa, que já tinha sua parte central tomada pela poeria. O satélite Landsat conseguiu captar imagens da região e se confirmou o pior: não havia ocorrido apenas um acidente em Chernobyl, mas sim uma explosão. A partir daí a Europa começava a viver dias de tensão e pânico. Os soviéticos mantinham a informação de que tudo estava sob controle e que apenas duas pessoas tinham morrido e 200 estavam feridas, um número ridículo que nem os próprios sovietes acreditavam.
      Em poucos dias um nuvem carregada de iodo, césio e estrôncio abrangeu a Suiça, o norte da Itália e até uma parte da Inglaterra, cobrindo uma distância de mais de 3.000 km. As pessoas corriam para as farmácias em busca de iodo, antídoto eficaz contra pequenas doses de radioatividade, e prestavam atenção nas previsões do tempo, para saber a direção do vento. Devido a ignorância e arrogância dos
   soviéticos, a ajuda Ocidental foi aceita tardiamente, quando foi dado visto de entrada ao médico americano Robert Gale, especialista em transplante de medula óssea.
     O que aconteceu em Chernobyl foi que no dia 25, devido uma queda de tensão, normal em usinas nucleares, principalmente as da ex- URSS, uma das bombas de refrigeração da unidade 4 de Chernobyl falhou e era para uma outra entrar em operação, o que não aconteceu. Então começou o terror de todo engenheiro nuclear: o superaquecimento do núcleo do reator. A falta de proteção fez com que o caminho estivesse aberto para o pior. Num processo químico, os átomos de hidrogênio e oxigênio da água das tubulações separaram-se. Livre, aquecido e irradiado, o hidrogênio explodiu e o oxigênio incendiou-se. A parede do reator foi pulverizada e a radioatividade do urânio começou sua viagem pela atmosfera, deixando no lugar onde estava o reator um devastador incêndio, alimentado por dezenas de toneladas de grafite derretido.
      Oficialmente, os mortos foram 31, entre bombeiros e técnicos da usina. Sete anos depois, o governo ucraniano reconheceu a morte de 7 mil a 10 mil pessoas. O incêndio do reator durou dez dias e houve duas explosões. Cerca de 500 mil pessoas foram retiradas de 170 cidades depois do acidente. Pripiat, a 3 quilômetros da usina, tinha 55 mil habitantes. Hoje, é uma cidade-fantasma. Os prejuízos da catástrofe são calculados em 400 bilhões de dólares e 7 milhões de pessoas ainda vivem em regiões que sofreram radiação.
         A década de 80 marcou uma revolução na indústria aeroespacial, com o surgimento de novos veículos, os ônibus espaciais. 20 anos após Yuri Gargarin inaugurar as viagens de homens pelo espaço, em 1961, a nave Columbia lançava vôo para uma nova era. Na manhã de 28 de janeiro de 1986, outro ônibus, o Challenger, preparava- se para sua 10º viagem e lançar uma sonda para estudar o cometa Halley, o queridinho de 9 entre 10 cientistas naquele ano, mesmo a temperatura estando a apenas 2 graus celsius.
     O lançamento já havia sido adiado cinco vezes devido a condições climáticas, mas o céu do dia 28 estava limpo, confirmando a missão para as 13:30 (horário de Brasília). Entre os 7 astronautas, um merecia destaque, quer dizer, uma: a professora primária Sharon Christa MacAuliffe, que havia passado por um rigoroso treinamento e ganhado os corações dos americanos.
     Os motores foram ligados e 73 segundos após a decolagem a nave explodiu matando todos seus tripulantes e deixando atônitos quem assistia ao lançamento, seja ao vivo ou pela televisão. Foi a primeira grande tragédia transmitida para todo o mundo.
     A comissão de investigação formada pelo então presidente Ronald Reagan descobriu que devido ao intenso frio, um dos anéis de vedação de um dos foguetes de combustível sólido rachou, deixando vazar gases extremamente quentes que derreteram as paredes do tanque de combustível externo, fazendo- o explodir. O Challenger não suportou a mudança violenta de direção, partindo- se em milhares de pedaços mais à pressão do ar do que a própria explosão. O mais curioso desse acidente é que o compartimento da tripulação resisistiu, sendo encontrado dias depois no Ocenao Atlântico, a 60 metros de profundidade, com todos os sete corpos dentro.
         O reverendo norte- americano Jim Jones começou a fundar seitas religiosas pela California nos anos 50, acolhendo os marginalizados e oprimidos em troca de doações para a sua obra, chamada de “Templo do Povo”. Rapidamente o prestígio e o poder político do pastor cresceram, possuindo uma sede em São Francisco além de emissoras de rádio e televisão.
     Em 1977, acusado de torturar os fiéis que não queriam transferir seus bens para a igreja e os que queriam abandoná- lo, Jim Jones muda com aproximadamente 3.000 seguidores para a Guiana, fundando a cidade de Jonestown, ou o “Templo Religioso da Utopia”. Os fanáticos eram castigados ao menor sinal de deserção, e provas de fidelidade eram muitas, como acordar no meio da noite para ouvir os discursos doentes de Jim Jones e sorrir toda vez que o nome do líder era dito.
     Uma vez o maluco resolveu testar a fidelidade das pessoas simulando um suicídio coletivo. Só após alguns minutos que os fanáticos viram que a mistura era inofensiva. As notícias de abuso contra crianças e fiéis chegaram aos Estados Unidos e, a pedido de seus eleitores, o deputado californiano Leo Ryan foi investigar pessoalmente a situação na Guiana.
     Após ver o estado de alguns americanos que queriam abandonar Jonestown, o congressista, junto com dois jornalistas e uma jovem, foi morto quando tentava fugir do local. No mesmo dia, 11 de novembro de 78, o reverendo Jim Jones chamou seus fiéis para um último sermão. Discursou sobre os inimigos e a batalha pela salvação, obrigando a todos tomar uma mistura de suco de laranja, cianureto e analgésicos. Quem se recusou a beber a combinação foi morto a tiros, e nos mais jovens foram usadas seringas. Os 914 corpos foram encontrados espalhados pela comunidade, próxima à fronteira da Venezuela. O corpo de Jim Jones, então com 57 anos, foi achado com um buraco de bala na cabeça, no salão da sede.
 
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
                         
    21 de dezembro de 2004     11 de dezembro de 2004     11 de dezembro de 2004     2 de dezembro de 2004  
   
   
   
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