Grandes Tragédias - Edifício Joelma     Grandes Tragédias - Dirigível Hindenburg     A volta dos irmãos Weinstein     Sempre Coca- Cola     Como 50 milhões de pessoas podem ser tão burras?  
                     
         O Edifício Joelma, em São Paulo, tinha 25 andares, sendo que os 15 últimos eram ocupados por escritórios. O incêndio deu- se na sexta-feira do dia 1º de fevereiro de 1974, por volta das 8 horas e 50 minutos, estando no local mais de 750 pessoas.
    Um funcionário ouviu um ruído de vidro se rompendo proveniente de um dos escritórios do 12º andar e verificou que um ar-condicionado estava queimando. Correu até o quadro de luz para cortar a energia do piso, mas quando voltou o fogo já estava se espalhando pela fiação. Pegou o extintor, mas já era impossível entrar na sala devido a intensa fumaça que se expalhava. Avisou aos ocupantes do 13º andar e ao voltar para o 12º o fogo já havia se disseminado por completo. Muitas corridas de elevador foram feitas, salvando várias vidas.
    O Corpo de Bombeiros recebeu o primeiro chamado às 9 horas, mas devido ao tráfego intenso só pôde chegar ao local 10 minutos depois. O incêndio se espalhava rapidamente pela fachada e parte superior do prédio, enquanto os ocupantes corriam para as laterais de banheiros e andares mais altos. Devido à dimensão do incêndio, 12 auto-bombas, três auto-escadas, duas plataformas elevatórias e uma grande quantidade de veículos foram colocadas para o salvamento.
    O fogo se encerrou por volta das 10 e meia, e até às 14 horas todos os sobreviventes já tinham sido resgatados. 180 pessoas morreram, sendo que 40 pularam do Joelma, e 300 se feriram. Dos que se salvaram, alguns foram se refugiar no telhado do edifício, outros ficaram nos andares se molhando com a água das mangueiras e teve aqueles que fugiram do calor ficando sob as telhas de amianto.
    Todo o material combustível do 12º ao 25º andar foi consumido pelo fogo e engenheiros declararam que o Joelma não teve nenhum dano estrutural. Depois desse episódio ficou mais rígido o controle de segurança em edifícios, já que o prédio não tinha escadas de incêndio, sistema de alarme, sinalização para abandono nem controle de pânico.
         Até 1940, os balões dirigíveis eram os mais usados no tranporte de carga e passageiros por toda Europa e Estados Unidos, sendo a Alemanha o país que mais se destacou na produção deles, com a Zeppelin Luftschifftechnik GmbH, fábrica fundada pelo Conde Ferdinand Graf von Zeppelin. O LZ 129 “Hindenburg” começou a ser construído em 1931, só ficou pronto em 36 e até hoje é considerado o maior objeto voador construído pelo homem. Tinha 245 m de comprimento e era impulsionado por quatro motores diesel Daimler- Benz de 1.100 hp cada. Alcançava a velocidade de 135 km/h e tinha uma autonomia de 14.000 km. Elevava-se ao ar graças a 200.000 m3 de hidrogênio.
     Tinha capacidade para 50 passageiros e era composto de cabines até sala de fumantes, constantemente vigiada. Fazia viagens regulares entre a Alemanha e os Estados Unidos, gastando, em média, 60 horas para o percurso. Chegou a tranpostar mais de 1000 passageiros em 1936 e sua viagem mais longa foi entre Frankfurt e o Rio de Janeiro (4 dias), em outubro.
     O desastre ocorreu em 6 de maio de 1937, quando chegava a Lakehurst, Nova York. Chovia e ventava muito, obrigando o capitão do dirigível sobrevoar o atracador por duas vezes e soltar gás e mais de uma tonelada de água para aliviar o peso. Quando estava a apenas 60 metros do chão, iniciou- se um incêndio em sua cauda, transformando rapidamente o Hindenburg em uma imensa bola de fogo. Em menos de um minuto, o zepppelin chocava- se no chão, completamente tomado pelo fogo. Dos 97 passageiros, 35 morreram e um homem que auxiliava a atracação da aeronave no solo também. Desses 35, 27 morreram por terem pulado da aeronave.
     Na época, chegou- se a cogitar sabotagem, já que o Hindenburg era uma das principais propagandas nazistas e há apenas duas semanas o Führer havia ordenado o massacre a Guernica. Hoje sabe- se que o gás hidrogênio, que fazia o balão flutuar, vazou e explodiu em contato com o ar, por causa da eletricidade estática acumulada na atmosfera com o temporal. Três anos após a tragédia, o ministro Hermann Göring mandou destruir o hangar em Frankfurt, já que os zeppelins já haviam demonstrado ser inúteis durante a 1ª Guerra Mundial e a Alemanha se importava mais com o conflito que estava para começar do que com o pioneirismo da aviação.
         Ano passado a Academia deixou os irmãos Bob e Harvey Weinstein, chefões da Miramax, furiosos com a não indicação de Cold Mountain a melhor filme, colocando – o em seu lugar o azarão Seabiscuit. Nos últimos anos, a Miramax sempre colocava algum filme na briga, muitas vezes por força do marketing pesado que fazia, como aconteceu com O Paciente Inglês e Chocolate, filmes sem expressão que só alcançaram a fama devido às manobras dos Weinstein, que a maioria das vezes usam métodos nada éticos para conseguirem um Oscar.
    Eles prometeram voltar com tudo esse ano e cumpriram o que disseram. Dois dos filmes mais aguardados desse ano, Finding Neverland e The Aviator, foram produzidos por eles, e são favoritíssimos para ganhar a estatueta de melhor filme. O primeiro, estrelado por  Johnny Depp, Kate Winslet e Dustin Hoffman, mostra como o escritor J.M. Barrie teve a idéia de escrever uma história sobre um garoto que não queria crescer e que morava em um lugar encantado, chamado Terra do Nunca. O filme vem confirmando sua qualidade e ganhando ótimas críticas, porém a família do escritor, juntamente com alguns críticos, não gostaram da "floreada" que a história ganhou, alterando alguns momentos da vida do escritor, que viveu na Inglaterra do século 19, para termos um resultado mais romântico.
   Já The Aviator conta a história do magnata norte- americano Howard Hughes, apaixonado pela aviação e pelas divas de Hollywood, como Katharine Hepburn e Ava Gardner. No elenco, nomes de peso, como Leonardo DiCaprio e Cate Blanchett sob a direção de um dos melhores diretores de todos os tempos, Martin Scorsese. Os poucos jornalistas que viram o filme disseram que Leonardo está fantástico, assim como o roteiro. Tem estréia prevista para 17 de dezembro nos Estados Unidos e só em fevereiro aqui no Brasil. Está certo que o Oscar é uma caixinha de surpresas desagradáveis, mas esse ano são poucos os filmes que parecem poder concorrer com a Miramax, que terá sua desforra sem maiores problemas.
        Em 1886 o farmacêutico John Pemberton, de Atlanta, ao procurar a cura para as dores de cabeça (!), chega a um xarope amarelado que, anos mais tarde, se tornaria o maior refrigerante e uma das maiores forças políticas de todo o mundo: a Coca- Cola. O copo da bebida começou a ser vendido em farmácias por US$ 0.05, até que o primeiro marketeiro da história, Asa Candler, transformou a invenção em um grande negócio, através de todos aqueles badulaques tão conhecidos na parte ocidental do globo: relógios, cupons, calendários... tudo com a marca The Coca- Cola Company.
    O modo "suave" de se fazer propaganda já podia ser apreciado no início do século. Da patentiação da garrafa contour (aquela de vidro) até as Olimpíadas de Amsterdã, em 1928, tudo de chamativo e popular ganhava sua versão merchandising. Até na Segunda Guerra Mundial os executivos da Coca- Cola viram um grande investimento: o presidente da empresa determinou que a Coca-Cola fosse vendida a US$ 0.05 para todo "combatente norte-americano onde quer que esteja em qualquer parte do mundo!".
     E é a partir desse conflito que a coisa começa a feder. Não aqueles cartazes ridículos mostrando casais felizes, mas sim a dominação do Mundo Capitalista pelo refrigerante, sem exagero nenhum. Hoje, a cada dez segundos, mais de cem mil pessoas tomam algum produto The Coca- Cola Company e são vendidos um bilhão de refrigerantes por dia. Até na China ou na Arábia Saudita encontram- se garrafas contour com o xarope e até versões genéricas do líquido, como a Mecca Cola dos mulçumanos e a Cola Turka, contra- ofensiva à invasão do Iraque pelos Estados Unidos.
     O mais negro da história da empresa é que os usuários de Coca- Cola não largam o produto por nada, mesmo sabendo dos perigos que ele oferece, devido às incessantes propagandas do refrigerante na televisão ou em qualquer outro lugar que atinja milhões de pessoas (as últimas Olimpíadas mais pareciam um programa sobre a Coca intercalando pequenos intervalos com algum evento esportivo). O consumo desenfreado do líquido, devido à cafeína e ao ácido- fosfórico, causa nervosismo, cefaléia, irritabilidade, agitação, tremores, fraturas ósseas e tantos outros problemas que atacam principalmente os maiores consumidores do refrigerante, as crianças. O difícil é convecê- las de que não se deve tomar veneno no café da manhã.
         Há males que vem para bem. George W Bush ser reeleito nos Estados Unidos é mesmo terrível, poderia ser dito que o circo de horror está para começar. Mas se não fossem os 50 milhões de americanos que votaram nele, não veríamos a ousada capa do jornal inglês Daily Mirror (ao lado).
     Os dizeres "Como 59.054.087 de pessoas podem ser tão estúpidas?" causaram tempestade na metade republicana do país, fazendo com que chovessem emails furiosos no correo do jornal. Alguns, expostos no site www.mirror.com.uk, poderiam ser engraçadíssimos se não mostrassem como grande parte dos americanos são alienados.
     Está certo que no país mais poderoso do mundo política é igual a futebol, mas a vantagem de quase quatro milhões de votos é realmente preocupante. A massa conservadora, principalmente os cristãos fundamentalistas, mais loucos que os islâmicos do Oriente Médio, vai fazer os Estados Unidos, e conseqüentemente o mundo, retrocederem em questões como a proibição do aborto e as pesquisas com células embrionárias. Resta saber se Bush usou os conservadores apenas para se reeleger ou se realmente vai seguir o que a cartilha deles manda.
 
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
                     
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