A Época da Inocência, de Dante Ferreti       20.000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne         Brida, de Paulo Coelho       Jurassic Park - O Parque dos Velociraptors       Olga, não!       A Trágica História de Hamlet, Príncipe da Dinamarca      
                                                           
      Bom, ficar atualizando esse site não é a coisa mais divertida que se tem pra fazer, a cada texto é preciso carragar todas as imagens, o código html e outras coisas... então hoje optei por fazer um blog. Vou deixar as páginas por um tempo, aos poucos vou re-postando alguns textos.  O endereço agora é http://zidler.blogspot.com. Muito obrogado pela atenção          A Época da Inocência é sobre o caso de amor de Newland Archer (Daniel Day-Lewis) e Ellen Olenska (Michele Pffeifer), prima da noiva dele que chegou há pouco da Europa causando estranhamento na alta e hipócrita sociedade nova-iorquina de 1870. Archer se vê em um confronto entre o tradicional, representado por sua noiva (Winona Ryder, bela porém sem brilho) e o moderno, Ellen. Apesar de ser dirigido e adaptado por Martin Scorsese, seria mais justo creditar o filme ao diretor de arte Dante Ferreti.
     O romance e as questões sociais da época são pano de fundo para os belos cenários arquitetados pelo italiano, tanto que até os objetos em cena e a refeição das jantas merecem closes. A cada mansão, prédio e jardim que somos apresentados durante a história nos surpreendemos com a riqueza de detalhes da produção, ajudada pelos trocentos figurinos impecáveis que desfilam diante dos nossos olhos. E Martin Scorsese sabe usar a direção de arte muito bem, explorando ao máximo os cenários, passeando com a câmera por todos os cantos do set. Outro ponto forte do trabalho de Dante Ferreti é a reconstituição da Big Apple do final do século, incluindo um rascunho da Times Square.
     A beleza de A Época da Inocência é tanta que a primeira vista até esquecemos um pouco os atores e o conflito entre as personagens, mas a medida que o tempo avança ficamos aprisionados com o drama de Archer, perfeitamente caracterizado pelo inglês Day-Lewis. Michelle Pffeifer dá presença a sua personagem, mas cai no pastelão certos momentos, como na hora em que inexplicavelmente começa a chorar.
     A narração que nos guia pela Nova York do século XIX à primeira vista pode parecer preguiça dos roteiristas, mas ela nos fornece detalhes que se fossem filmados transformariam o filme em um longa de quatro aborrecidas horas. Nós mesmos percebemos que Martin Scorsese fez o possível (e conseguiu) para não deixar a história cansativa, seja através da fotografia suave, seja através dos cenários. Apenas a trilha sonora segue o tom da trama nos angustiando as poucas vezes que é tocada. A última ressalva do filme é o forte tapa na cara que ele nos deixa, mostrando como a vida é comum e como a desperdiçamos. Resultado final: descobrimos que a inocência é a nossa, tanto por achar que seria apenas mais um filme meloso, tanto por acreditar que a vida pode ser especial.
           O escritor Júlio Verne é conhecido por ser o autor de histórias fantásticas, como A Volta ao Mundo em 80 Dias, 20.000 Léguas Submarinas e Viagem ao Centro da Terra. Está certo que o francês é um dos autores mais visionários de todos os tempos por escrever sobre viagens à Lua ou ao fundo do mar numa época que nem aviões existiam, mas agora, colocar suas obras no status de clássico, é brincadeira. Principalmente 20.000 Léguas, uma história entediante que não consegue prender a atenção do leitor uma única vez.
     A história conta como o Professor Aronnax, seu amigo Conselho e o bruto Ned foram parar dentro de um enorme submarino que estava sendo confundido com um imenso monstro (na época que a história foi escrita -1870- não existiam submarinos) e levando pânico a todos em terra firme. O tenso do livro é que ele é grande demais para história de menos. São páginas e mais páginas com o Professor pesquisando sobre a vida marinha, e nada mais. Julio Verne passou ao leitor a mesma sensação de aborrecimento e monotonia que as personagens sentiam dentro do reino do Capitão Nemo, o emblemático dono do submarino, e creio que não foi por querer.
     O livro do escritor francês ainda é vítima de um ciclo que contribue para a falta de emoção e surpresa na narrativa: eles aprendem algo sobre a vida marinha, acontece algum problema grave, eles se salvam e vão para outro ponto na imensidão azul aprender outras coisas, passar por outros problemas e assim por diante. O mesmo vício chato se faz presente em A Volta ao Mundo em 80 Dias, quando Phileas Fogg ia para um país, sofria alguma coisa, salvava- se e ia para outra terra.
     Outro ponto em comum com a Volta ao Mundo é a personalidade, melhor, falta dela, dos melhor amigo da personagem principal. Conselho é talvez a pessoa mais imbecil de toda a literatura mundial, não consegue nem respirar se seu chefe também o fazer, levando sua vida ridícula a aborrecer o leitor mais que o francês Passepartout do outro livro. O próprio Capitão Nemo não funciona, não nos passando o medo que deveríamos sentir dele. Ele entra calado na história, sai mudo e tãtã. Há um certo esforço de passar imponência à figura dele, mas não somos convencidos de sua capacidade de fazer qualquer coisa (inclusive matar) pelo seu segredo.
     Há algumas partes que dão uma certa esperança a quem lê o livro que algo irá acontecer, como a visita a Atlântida ou a passagem do Mediterrâneo, mas mera expectativa. Também faltam explicações de quem eram aqueles tripulantes, para onde iam quando sumiam, de onde eles vinham e que raio de língua falavam. Chega uma hora no livro que nós próprios desejamos ser o bronco Ned para podermos enfiar uma faca no Aronnax, outra no Nemo e bater a cabeça de Conselho contra a parede até ele resolver ter vida própria. A única coisa agradável do livro é descobrirmos de onde vem o nome do simpático peixinho da Pixar, muito pouco para um livro com tantas páginas e tanta fama.
             O autor Paulo Coelho nunca me inspirou muita vontade de lê-lo devido a sua figura muitas vezes convencida, sempre com aquele ar de maioral. Mas eis que um dia resolvo ler seu livro mais famoso, O Alquimista, e fico bobo ao perceber que tudo o que eu tinha lido a respeito da obra, como as diversas lições sobre a vida, realmente estavam na história. Confesso que estava mais animado para ler o livro devido a notícia que Laurence Fishburne, o Morpheu de Matrix, iria adaptá-lo para o cinema, mas tudo bem. Passou algum tempo, e o tempo à toa me fez pegar outro livro do autor, Brida. Escrito em 1990, foi lançado após O Alquimista (que é de 1988) e volta ao ano de 1983 para contar a história da irlandesa Brida O'Fern, que busca a ajuda de magos para aprender os poderes da magia.
     A história da garota de 21 anos que começa a redescobrir coisas sobrenaturais nem é o que prende o leitor ao livro, muito menos o desenrolar do relacionamento dela com as personagens que a cercam, e sim os diversos ensinamentos que ganhamos com a leitura, principalmente a respeito do amor, da vida e da solidão. Paulo Coelho trata esses temas com uma forma jamais vista na literatura. Como é dito no livro, precisamos escolher um caminho e segui-lo. Viver é correr riscos e não é complicado, nós que dificultamos tudo.
     Entre os personagens principais temos Wicca, mestre de Brida, Lorens, seu namorado e também o personagem mais simpático da trama, e Folk, um mago que Brida sempre procurava. Este me parece ser o retrato de Paulo Coelho, um bruxo já com certa idade e convencido de seus atos. O mais incrível é como Brida pôde se sentir atraída por ele (algo que nos é explicado a medida que o livro avança). Talvez até essa moça do título já tenha tido algum relacionamento com o autor e ele transcreveu o envolvimento no livro.
     Outro fato que merece destaque em Brida é que fazemos parte da vida dela, nunca nos sentimos isolados, e vamos com ela descobrindo visões extraordinárias, chegando no ápice da felicidade juntamente com ela, como se as próprias palavras do texto fizessem parte da Tradição da Lua ou do Sol (quando você ler o livro vai entender o que são essas tradições). Brida é um livro de tiro rápido (178 páginas) que parece ser bem mais curto, de tão prazerosa que é sua leitura. Escrevendo obras assim, posso até mudar minha opinião a respeito de Paulo Coelho.
           É impressionante ver como a busca por grandes bilheterias faz com que nomes respeitáveis do cinema façam parte de caça-níqueis miseráveis. E prestem atenção que são figuras mais que competentes que fizeram as horrorosas continuações de Jurassic Park: Steven Spielberg dirigiu o segundo e produziu o terceiro filme da série; Jeff Goldblum e Julianne Moore estrelaram O Mundo Perdido; Sam Neil e William H. Macy estrelaram JPIII; Alexander Payne e Jim Taylor, autores de Eleição, Sideways e Confissões de Schimidt, escreveram o "roteiro" do último filme. Por favor, ênfase nas aspas.
     Esses são alguns dos nomes dos quais se esperava algo de bom, que tiveram que colocar nas suas filmografias os títulos O Mundo Perdido e Jurassic Park III. O primeiro filme da série, de 1993, conseguiu encantar o mundo com os dinossauros e toda a aventura em torno dos bichanos. A fotografia funcionava, a trilha sonora inspirada de John Williams funcionava, o elemento surpresa funcionava, o casting funcionava e o prinicpal, a história, mesmo que absurda, era facilmente aceita pelo público, inclusive as reviravoltas e surpresas. Resultado: um filme que entrou para a história.
     Então, devido a todo o sucesso do filme, o caminho a ser seguido era fazer uma continuação. Mas o que fazer para chamar a atenção do público, já que não teríamos mais aquele friozinho na barriga ao ver as espécies extintas há milhares de anos?  Resposta óbvia: levar o mal para a cidade grande. É, o Mundo Perdido até poderia se sair bem se fosse mantido nessa linha, mas nem a metade inicial do filme, no meio da floresta costa- riquenha, nem a metade final, em San Diego, convencem os espectadores. O problema é que Spielberg deixou a preguiça falar mais alto e todos aqueles dramas vistos no primeiro Jurassic foram refilmados, como dinossauros saindo de trás das árvores de repente, tiranossauro brincando com automóvel com alguns humanos dentro e ainda os temidos velociraptors.
     E a insistência do famoso tema do filme em cenas bobas nos faz pensar que algo está errado: "poxa, tô vendo uma cena normal, mas pela trilha sonora eu deveria me emocionar...". Era só aparecer algum bicho novo que lá vinha a musiquinha... sinceramente, que saco! Daí, depois de aventuras estaparfúdias, destaque absoluto para o momento Daiane do Santos, vamos para a cidade, ou melhor, o dino vai. 
    Agora só me expliquem uma coisa: como um bicho gigante extinto faz tempo pode andar por aí em uma metrópole sem ninguém ver, sem ter todo exército atrás dele? Como pode um animal assim passar tão despercebido que numa área residencial só um cachorrinho o nota? Difícil de engolir. Parece que Spielberg deu a direção a seu caçula e só assinou por pena do menino.
     Mesmo com todo fracasso do filme de 1997, alguma mente esperta de Hollywood resolveu fazer o terceiro filme, já que o terrível Mundo Perdido não tinha ido mal nas bilheterias. Até que o "roteiro" do longa de 2001 não é tão absurdo quanto o do filme anterior, mas a preguiça é a mesma. A mesma trilha, os mesmos dinossauros malignos, uma criança no meio da selva, uma mulher também no meio da selva... e por aí vai. Até que tentaram criar novas tramas, inserindo os voadores, mas cenas como o dinossauro falando com o Sam Neil (ok, ele estava sonhando, mas por favor, né, ninguém merecia aquilo) e os velociraptors (olha eles de novo! que novidade) conversando, são de doer. Sobre a história, sem comentários o fato de um menino de onze anos passar oito semanas (sim, oito!) sozinho numa ilha cheia de predadores. Mas até que o terceiro filme consegue distrair o público.
     E aguardem pois provavelmente em 2006 teremos mais dinos brincando com automóveis, velociraptors, bichos surgindo do nada... Boatos já contam a nova história (boatos apenas). Até que as premissas do filme são boas. A primeira fala sobre um bando de pterodátilos atacando pais e filhos durante uma partida de baseball infantil (bem que podia ser a equipe de produção) e dinossauros causando pânico nos países caribenhos e nos Estados Unidos. Outra versão para um possível roteiro (esperamos que pelo menos seja um) narra que a doença apresentada no primeiro filme (alguém lembra a Laura Dern enfiando o pé na jaca, ou melhor, a mão na bosta?) começa a se alastrar e vários dinossauros aparecem boiando no mar. Humanos começam a apresentar sintomas da doença e um time de especialistas é recrutado para salvar os homens da extinção. O que se sabe é que não deve ser na selva e o que se espera é que um raio de criatividade ilumine as cabecinhas de roteiristas e produtores para quem sabe o quarto filme ser tão bom quanto o primeiro.
           Chega janeiro e os principais prêmios esquentam o mundo cinematográfico. Globo de Ouro, Bafta e Oscar representam o que houve de melhor durante o ano anterior e já apresentam seus favoritos. O primeiro já anunciou seus vencedores, com destaque para o queridinho do ano, O Aviador (The Aviator), de Martin Scorsese. O longa foi escolhido melhor filme/ drama, melhor ator/ drama, para Leonardo DiCaprio e também melhor trilha sonora original, de Howard Shore, o mesmo compositor de O Senhor dos Anéis. A surpresa ficou por conta da não premiação de Cate Blanchet, Catherine Hepburn no filme, por atriz coadjuvante.
     Outro filme que conseguiu mais força para o Oscar foi o elogiadíssimo pela crítica norte- americana Menina de Ouro (Million Dollar Baby), que abocanhou direção (Clint Eastwood) e atriz/ drama, Hilary Swank. Já Sideways – Entre Umas e Outras conseguiu os globos de ouro de filme/comédia e roteiro, mas deve apenas conseguir o Oscar de Roteiro Adaptado, já que foi praticamente esquecido pelos ingleses no Bafta e tinha sido campeão de indicações no Globo, mas não levou quase nada. No mais, sem surpresas: Jammie Foxx (ator/ comédia por Ray), Annette Bening (atriz/ comédia por Being Julia), Clive Owen (ator coadjuvante por Closer) e Mar Adentro como melhor filme estrangeiro.
     Já o Bafta, entregue pela Academia Britânica, presenteou os brasileiros (ok, o filme também é argentino, peruano e chileno) com as indicações de Diários de Motocicleta a melhor filme, roteiro adaptado, filme estrangeiro, ator (Gael Gracia Bernal), ator coadjuvante (Rodrigo de la Serna), trilha sonora e fotografia. Nem o mais otimista fã de Walter Salles esperava por isso, apesar de que os britânicos já demonstraram sua admiração por nosso cinema através de Cidade de Deus. Como Menina de Ouro ainda não estreiou na terra da rainha, filmes como Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças,
   
 Vera Drake e Em Busca da Terra do Nunca ganharam mais espaço e conseguiram indicações importantes.    
     Mais uma vez O Aviador ganhou destaque, não deixando dúvidas sobre qual filme se sagrará campeão na noite de entrega do Oscar. A curiosidade se dá por conta da categoria para atriz. Kate Winslet conseguiu duas indicações, uma por Brilho Eterno e outra por Em Busca da Terra do Nunca. Provavelmente não ganhará por nenhuma; Charlize Theron com seu Monster, que ganhou os principais prêmios ano passado, pôde concorrer somente esse ano devido à data de estréia de seu filme na Inglaterra; e quem imaginaria que Ziyi Zhang (por House of Flying Daggers) concorreria? Mesmo com tantas novidades, quem deve ganhar é mesmo Imelda Staunton com sua Vera Drake.
     A lista de indicados ao Oscar sai semana que vem, dia 25, mas já podemos ter uma idéia do que irá acontecer. Para melhor filme, O Aviador e Menina de Ouro são certezas, e o primeiro deve ganhar. Scorsese com a estatueta de melhor diretor na mão já é certo, já que a Academia nunca o premiou e não pode perder essa chance (Gangues de Nova York realmente não merecia). Para as atuações, se os votantes não aprontarem das suas (lembram- se da encantadora de baleias?) teremos Jammie Foxx, Annette Bening ou Hilary Swank, Cate Blanchet e Clive Owen. A Academia deve brincar com os cinéfilos nas categorias para roteiro, como ressucitar Adeus, Lênin!, Homem Aranha 2 e Brilho Eterno.
     Por sorte esse ano o diretor espanhol Alejandro Amenábar (de Os Outros) fez algo que a crítica nomeia como obra prima: Mar Adentro. Com esse filme, fica praticamente impossível o tenebroso Olga ganhar (sequer deve ser indicado) a estatueta de filme estrangeiro. Já imaginaram que divertido seria comemorar o primeiro Oscar tupiniquim com essa tragédia?
          A história de Hamlet, assim como quase todas as peças de Shakespeare, é conhecida por quase todo mundo mas são poucos os que se aventuram pela linguagem elaborada e a forma de teatro apresentada. Se você não conhece essa tragédia e quer continuar assim, recomendo não ler esse texto. Mas se já é de seu conhecimento o início, o meio e o fim, pode prosseguir. A peça foi escrita por William Shakespeare (ohh) em 1603 e fala sobre um príncipe da Dinamarca (Hamlet) que começa a ser assombrado pelo fantasma do pai, que acusa seu irmão, o atual rei, de tê- lo assassinado. A partir daí Hamlet enlouquece e começa a arquitetar planos para vingar seu pai e matar seu tio Cláudio.
    A narrativa é mais conhecida pelas suas famosas citações "Algo está a apodrecer na Dinamarca" e a popularizada "Ser ou não ser.... Eis a questão", mas diversas outras falas dos personagens, principalmente as de um Hamlet irado, também são fantásticas. E é a partir do momento que o príncipe vê a assombração de seu pai e supostamente endoidece que o texto passa a ser um dos melhores do autor inglês, e não mais um entre tantos. O modo como o personagem título trata as pessoas a sua volta seria hilária se a peça não se tratasse de uma tragédia. Seu alvo preferido: Polônio, camareiro- mor, fofoqueiro- mor, estúpido- mor, pai de Ofélia, talvez o amor da vida de Hamlet. Em certo ponto da história, alguns atores declamam um texto para Hamlet e Polônio, e este a acha muito longa. Hamlet simplismente diz "Enviai- a, então, ao barbeiro, para que a corte juntamente com vossa barba. Continua, peço- te eu (dirigindo-se ao ator); a não ser em farsas ou histórias obscenas, ele adormece logo".
    A partir do Ato III fica impossível largar o livro. O descontentamento do príncipe com o mundo é incrível, até seus amigos de infância são acusados de traição. Ele próprio se acusa através de fraseados primorosos, como "Eu, de mim, considero- me mais ou menos honesto, mas poderia acusar- me de tais coisas, que teria sido melhor que minha mãe não me houvesse dado à luz. 
    Sou orgulhoso, vingativo, cheio de ambição (...)  Para que rastejam entre o céu e a terra tipos como eu? Todos somos consumados velhacos; não deves confiar em ninguém.
   "Dos personagens secundários, além do tolo Polônio, merece destaque o tio de Hamlet, Cláudio. Só pelo final que sabemos realmente se ele assassinou o seu irmão para virar rei ou se o nobre realmente está louco. Ofélia ganha destaque apenas após a morte de seu pai pelo próprio Hamlet, quando ela enlouquece e começa a cantar desesperadamente. Seu irmão Laertes, furioso com o príncipe, diz a respeito de Ofélia: "À tristeza, à paixão, ao próprio inferno, a tudo ela dá graça e empresta encanto".  Hamlet mesmo não apresenta remorso nenhum em respeito a seu ato com Polônio: "Associei- o ao pó, de que é parente" e quando seu tio lhe indaga sobre aonde ele escondeu o corpo, ele responde "No céu; mandai procurá-lo lá, e se o mensageiro não o encontrar, procurai vós mesmo em outra parte. Mas, se dentro de um mês ainda não o tiveres achado, havereis de descobri-lo pelo olfato, quando subirdes a escada da galeria".
    No início do 5º ato temos um descanso de tragédias e sentimentos de vingança com o hilário diálogo de dois coveiros, a filosofia apresentada por eles e o humor negro apresentado no cemitério (destaque para a hora em que Hamlet segura o crânio do ex-bobo do rei). O que deixa a desejar é o final politicamente correto, já que todos os personagens com alguma fraqueza de espírito morrem. Ofélia, louca, se suicida, Hamlet e Laertes se matam em uma luta, Gertrudes, mãe do príncipe, toma o veneno que Cláudio tinha preparado para o sobrinho e este consegue vingar o pai.  O único que consegue escapar da ira de Shakespeare é Horácio, fiel escudeiro do príncipe. Nem os atores da época conseguem passar ilesos por A Trágica História de Hamlet: o recado e as observações raivosas que Hamlet faz para o grupo de atores do palácio tinha endereço certo; algo estava a apodrecer no teatro da Inglaterra do século XVII.
     
                                                           
         
                                 
 
           
 
     
               
 
                                           
                     
       
 
                         
                                                       
                                                       
                                                       
                                                       
                                                       
                                                       
                                                       
                                                       
                                                       
                                  que saudades do primeiro filme                        
                                                         
                                                         
                                            esse ano o Oscar é dele              
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