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Uma história marcada por conflitos 

Por Juliana, Maria Isabel, Muriel e Stephanie

A expansão do Império Romano no Ocidente possibilitou o surgimento do país que hoje é conhecido como Alemanha. Mas, o país, que será sede da Copa do Mundo de 2006 percorreu um longo caminho, nem sempre pacífico. A história da Alemanha, país que desfruta a terceira economia do mundo é permeada por um passado marcado pelo nítido retrato da dor e destruição, vista aos alhos de uma nação que possui memórias de campos de concentração, do Muro de Berlim e de um líder que soube empreender uma campanha para submeter o mundo ao seu domínio.

O território alemão unificou-se tardiamente, no século XII. Após sua efetiva formação, a Alemanha passou por um rápido processo de desenvolvimento. Porém, a busca por novos mercados e áreas de influência colocou a Alemanha em choque com alguns países europeus, principalmente com a Inglaterra, França e Rússia.

Essas indisposições entre os países, somadas a disputas territoriais e étnicas, ocasionaram a I Guerra Mundial, da qual a Alemanha saiu derrotada e obrigada a pagar indenizações, devolver territórios e assumir a culpa pela Guerra. Essas e outras medidas foram assinadas no Tratado de Versalhes, considerado humilhante para o povo alemão que viveu naquele contexto.

Ratzel, um geógrafo alemão, que viveu no pós I guerra Mundial considerou que uma das maiores perdas para um povo é a de parte do seu território. “Um povo decai quando sofre perdas territoriais, ele pode decrescer em número, mas ainda sim manter o território no qual se concentram recursos, mas se começa perder uma parte do território, esse é, sem dúvida, o princípio de sua decadência futura”.

A chamada República de Weimar, por sua vez, foi instalada logo após a I Guerra. Contudo, essa República não conseguiu estabilizar uma Alemanha marcada pela destruição que toda guerra é capaz provocar.

A confluência da perda de territórios e a fragmentação política ocasionada pela I Guerra Mundial, somada a ineficácia das medidas tomadas pela República de Weimar, originou um dos maiores conflitos que a humanidade já assistiu, a II Guerra Mundial. Nela, ocorreram atrocidades impostas pela capacidade de persuasão e poder do líder Adolf Hitler, bem como de sua ideologia da pureza racial. Como provas dessas atrocidades estão os registros históricos dos campos de concentração nazistas, que mataram, sistematicamente, cerca de seis milhões de Judeus, além de ciganos, poloneses e homossexuais. Todas essas pessoas eram levadas aos campos de concentração, onde, a maioria, conheceu a todo tipo de tortura física e psicológica. Muitos morreram de inanição, por doenças diversas ou em câmaras de gás.

A Alemanha foi também derrotada na II Guerra Mundial, mas, dessa vez, tornou-se palco de mais uma disputa, entre capitalismo, representado pelo Estados Unidos e o socialismo, simbolizado pela União Soviética. Dessa forma, foram instituídas a República Democrática Alemã, socialista e a República Federal da Alemanha, capitalista. Um muro que dividia essas duas Alemanhas passava pela capital Berlim, transformou-se no símbolo da Guerra Fria.

Porém, com o enfraquecimento da União Soviética, o Muro de Berlim foi derrubado e as duas Alemanhas foram novamente unificadas.

O contexto histórico alemão possui um passado marcado por conflitos, tragédias, dor e, em alguns momentos extremo preconceito. Contudo, sabe-se que a Alemanha não viveu apenas de conflitos e também vale ressaltar que a destruição causada pelas guerras não foi pretexto para que o país não se reerguesse.

Os líderes tiranos do país devem ficar apenas nos livros didáticos e na mente de quem sofreu com os horrores da guerra, mas não como rancor e sim como forma de afastar qualquer possibilidade desses tempos conturbados retornarem.

O Jornal Mural de Berlim procurou o professor de história Warley Eustáquio dos reis, que relatou sobre o sentimento de incerteza do povo alemão diante de um longo período de guerras.”O povo alemão não tinha certeza do que o futuro reservava para eles, era um povo inseguro”, ressaltou Warley.

Além disso, o professor afirmou que apesar de dos horrores do Holocausto, “não existe um sentimento de culpa generalizado entre os alemãs”, o que, algumas vezes acontece, são sentimentos isolados. Dessa forma, Warley recorreu a um exemplo “é comum um sentimento de culpa por parte dos alemãs que vivem redutos judeus”. Porém, o professor deixou claro que os alemães da atualidade não apóiam as medidas extremistas de Hitler, mas sim “absorveram o contexto da guerra de outras formas”, como por exemplo, a busca pela superação econômica.

Uma restauração econômica

Em 1990, depois de um longo período de divisão, a Alemanha recuperou a unidade com a reintegração da República Democrática Alemã (RDA - ou Alemanha oriental), constituída após a Segunda Guerra Mundial, á República Federal da Alemanha (RFA - ou Alemanha ocidental). Desse modo, o novo estado alemão reafirmava sua posição de grande potência demográfica e econômica no centro da Europa.

No entanto, a divisão de Berlim em 1961 teve reflexos imediatos principalmente sobre a produção industrial e nos demais setores das atividades econômicas, pois o contingente de assalariados foi desfalcado de mais de 60 mil que residiam na zona soviética da metrópole ou no interior da Alemanha. O fato é que a unificação das duas Alemanhas em 1990 trouxe problemas importantes na esfera social, especialmente quanto à adaptação e à modernização dos serviços proporcionados pelo antigo estado alemão oriental.

Mas, ao longo de 1991, o custo da reunificação foi coberto com um aumento dos impostos na zona ocidental do país, com o fim de recolher fundos suficientes para acelerar o desenvolvimento do leste e aliviar as conseqüências do desemprego. A integração da zona oriental do país significou também o aumento da mão-de-obra alemã oriental disponível para as poderosas indústrias do lado ocidental, o que provocou restrições maiores na admissão de imigrantes e refugiados políticos de outras nacionalidades.

Contudo, com a comemoração, em 1999, dos dez anos da queda do muro de Berlim, a população alemã relembrou seu lema: “Somos o povo!”, reafirmando o acontecimento mais representativo da derrubada. Já em 04 de maio de 2000, foi estabelecida uma indenização para as vítimas do holocausto, a fim de ressarcir a moral e a dignidade dos judeus.

Como uma das principais potências econômicas do mundo, a Alemanha apresenta altos níveis de qualidade de vida, consumo e benefícios sociais. Participando da integração entre os países na Europa, a superação do nacionalismo assegurou à Alemanha um período de paz, prosperidade e estabilidade sem precedentes, após séculos de conflito sangrentos entre vizinhos. Além disso, a paz e a liberdade estão atualmente no centro da política externa alemã, o que somente poderão ser garantidas através da cooperação, baseada na confiança e no justo equilíbrio de interesses entre os seus parceiros nas Nações Unidas, na OTAN, no G8, na OSCE e na EU.

A propósito, o traço que melhor caracteriza a estrutura administrativa da República é a grande descentralização, derrubada da divisão territorial em Länder: cada um dos estados tem um parlamento e um governo, cujo raio de ação se limita a seu próprio território e cujo único vínculo com o governo federal são os membros do Bundestrat (câmara alta), designados elo governo estadual. O mais alto cargo da federação é a presidência da República, ou Chanceler, atualmente ocupado por Angela Merkel, primeira mulher na presidência alemã.

Os governos dos dois estados alemães surgidos depois da segunda guerra mundial, assim como o governo unificado, protegeram a herança cultural alemã e estimularam a atividade de seus intelectuais e artistas. Após o colapso acarretado pelo advento do nazismo e pela segunda guerra mundial, a cultura alemã ressurgiu com novo ímpeto.

Assim, ainda de acordo com o professor Warley Eustáquio dos Reis, a presença de estrangeiros na Alemanha, durante a Copa do Mundo, não vai acarretar “ações terroristas” por parte dos alemães. O Professor explica que mesmo com uma aversão declarada aos estrangeiros instalados no país, os neonazistas, ou radicais extremistas, não representam uma ameaça coerente.

Para, Warley Eustáquio, existe uma relação de harmonia entre o Brasil e a Alemanha, sustentada pela economia na área automobilística e na importação e exportação de produtos. Além disso, é fundamental, diz o Professor, esquecer o contexto das guerras, o holocausto e a idéia de que os alemães são frios, culpados pela morte de inocentes, e sim situar a Alemanha como um país atuante, capaz de se reestruturar e sediar um grande evento esportivo.

“Berlim sempre foi dada a grandes eventos. Das Olimpíadas de 1936 às maiores paradas de música eletrônica nos anos 90, passando, é claro, pela longa celebração da queda do Muro, a capital Alemã teve talento para centralizar as atenções do mundo. A copa de 2006 é tudo o que ela queria agora para mostrar o quanto ela mudou”.

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