Dilemas do relacionamento entre lideran�as e liderados.txt |
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Di�rio do Front
Dilemas do relacionamento entre lideran�as e liderados Cidade sofre com falta de lideran�as de fato para elevar o n�vel do debate pol�tico Alexandre Gomes As pesquisas de opini�o surgiram na melhor das inten��es como um instrumento auxiliar da formula��o de pol�ticas, defini��o de estrat�gias e concretiza��o dos potenciais de lideran�a. Mas enganos comuns - provocados por aus�ncia de personalidade ou excesso de demagogia - perverteram seu sentido original de "saber como a popula��o pensa para saber que rumo tomar" para um amorfo "vamos dizer o que eles querem ouvir". A chamada "opini�o p�blica" � algo muito recente na hist�ria da humanidade, no m�ximo remontando � revolu��o francesa. Talvez por isto ela tenha sido negligenciada pelos mais diversos fil�sofos que pensaram no que deveria ser a democracia. Quando a descobriram imaginaram-na como um dos pilares do Estado Democr�tico, uma for�a maior capaz de vigiar e dirigir os detentores do poder, mas logo se viu que esta uma ilus�o ing�nua. Ao pretensamente "materializar" a opini�o p�blica as pesquisas passaram a levar aos l�deres a volatilidade de opini�es e a aus�ncia de perspectivas menos imediatistas diretamente �s lideran�as pol�ticas. Com isto destru�ram estas lideran�as que ou deixaram de ser verdadeiros l�deres pois pararam de decidir quais eram os caminhos a tomar ou passaram a se tornar l�deres demag�gicos que s� falam aquilo que interessa � massa. Mercador de esperan�as O l�der n�o � aquele que faz o que esperam dele, mas sim aquele que � capaz de convencer a sociedade que aquilo que ele pode fazer � o que deve ser feito. Napole�o disse que o l�der � um "mercador de esperan�as" e neste papel est� impl�cito a id�ia de convencer a sociedade de seus projetos. N�o � poss�vel construir qualquer coisa concreta sobre o castelo de areia da "opini�o p�blica" porque hoje ela quer uma coisa, amanh� outra e n�o se preocupa com o futuro a n�o ser de uma forma muito vaga. Isto n�o significa que a "Opini�o P�blica" n�o deva ser levada em considera��o, ou que n�o tenha nenhum valor, apenas que n�o � suficiente para levar qualquer sociedade para algum lugar. O verdadeiro l�der � capaz de identificar o que a popula��o pensa tanto quanto de estabelecer um projeto pr�prio de sociedade e exerc�cio do poder, a partir da intera��o destes dois dados chega ent�o a um certo meio termo que nem ignore a opini�o popular nem desvirtue os seus projetos. O l�der autorit�rio que insista na realiza��o de seus projetos ignorando a vontade geral est� fadado ao fracasso, ao ostracismo e no m�ximo ser� saudado pelas gera��es posteriores como vision�rio, mas ser� incapaz de chegar e manter-se no poder. O l�der demag�gico que insista em apenas seguir as aspira��es da massa ser� levado a mil becos-sem-sa�da, envolver-se-� em tantos conflitos grandes e pequenos, mudar� tanto de opini�o que est� igualmente fadado ao fracasso e ao descr�dito, inclusive junto � massa que o guiou. Caminho do meio A alternativa das lideran�as reais, t�o escassas na cidade, � a capacidade de sentir os anseios da multid�o, analisar suas tend�ncias, projetar suas aspira��es e a partir destes dados estabelecer um plano estrat�gico para colocar seu projeto, sempre com algumas concess�es. Maquiavel determinou com exatid�o que o p�blico se engana com quest�es gerais, mas normalmente acerta em quest�es particulares, o que parece ser facilmente demonstrado pela hist�ria. Assim um vasto projeto geral dificilmente seria compreendido pela maioria da popula��o, mas dividindo-o em pequenas partes oportunamente apresentadas, defendidas com bons argumentos, justificadas por necessidades concretas que todos podem enxergar, habilmente trazidas � agenda do cidad�o em momentos adequados quase sempre ser�o entendidas e apoiadas. Evidente que h� dois perigos que o l�der deve estar disposto a correr ao fazer isto, o primeiro � que sua id�ia inicial estar� sujeita a ser modificada no decorrer da discuss�o e ele deve estar preparado para negociar estas mudan�as. A segunda que ele corre o risco de se perder nas partes e esquecer o todo se n�o tiver uma vis�o estrat�gica de longo prazo, portanto um planejamento eficaz e de longo prazo. Carisma e intui��o Toda esta avalia��o sobre lideran�a pode dar a impress�o que o papel do l�der � um papel t�cnico, mas isto n�o � verdade at� porque em geral os t�cnicos s�o p�ssimos pol�ticos e l�deres fracos no mais das vezes. Para que n�o se corra o risco deste mal entendido, ou de imaginar que qualquer um pode tornar-se um l�der se dotado de algum conhecimento espec�fico � preciso levar algumas coisas em considera��o. Para a imensa maioria das lideran�as de fato o conhecimento da opini�o p�blica e as estrat�gias a seguir � algo intuitivo. Sem precisar analisar uma �nica pesquisa ele sabe o que a popula��o quer e pode usar este conhecimento tanto para fazer demagogia como para alavancar saltos mais altos rumo a um poder mais permanente que o do demagogo. A esta intui��o soma-se o que se convencionou chamar de carisma, esta mal definida capacidade hipn�tica que faz o l�der ser capaz de convencer a massa que o que ele prop�e � o que ela quer e ser capaz de convencer a sociedade a segui-lo. Sem este poder de persuas�o t�o mal definido dificilmente algu�m se tornar� l�der sem o recurso das t�cnicas, at� porque o carisma n�o � algo que possa ser aprendido, mas um dom que pode no m�ximo ser treinado e turbinado com a t�cnica e a estrat�gia. |
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