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Di�rio do Front
Greve da VW toma o c�u de assalto
Grevistas j� garantiram seu lugar na hist�ria com movimento que pode abalar as velhas estruturas da cidade

Alexandre Gomes

Um espectro ronda a acomodada economia local nestes tempos de recess�o e desemprego. Enquanto nem mesmo os grandes sindicatos das regi�es mais desenvolvidas do pa�s conseguem mobilizar seus associados um grupo de trabalhadores da VW de S�o Carlos ousou deflagar uma greve exigindo equipara��o salarial com a unidade da empresa em Taubat�.
A organiza��o minuciosa, a discuss�o acentuada, a clara dimens�o dos riscos, mas sobretudo a ousadia impressionam at� quem j� viu muitos e muitos movimentos paredistas. Em um per�odo menos negro que o atual esta mobiliza��o j� seria quase um ato her�ico.
No atual per�odo de crise - no qual os trabalhadores se sujeitam a tudo e a todos temerosos de perder o emprego - tal batalha desigual certamente garante que os an�nimos trabalhadores da VW inscreveram seus nomes a ferro e fogo na hist�ria da cidade.
Mantidas as propor��es, esta greve ter� sobre a cidade o mesmo impacto que as decisivas batalhas dos sindicatos do ABC no final da d�cada de 70. A onda de insatisfa��o que elevou os sal�rios no ABC chega a cidade com 20 anos de atraso, mas finalmente chega.
Todos sabem que o principal motivo da VW ter se instalado na cidade foram os baixos sal�rios praticados na cidade e a presen�a de um sindicato d�cil. O PRIMEIRA P�GINA j� dizia isto desde antes da inaugura��o da f�brica. A hip�tese da cidade ter sido escolhida pela sua abund�ncia de m�a-de-obra especializada - muito levantada pelos ufanistas da cidade - N�o se sustenta proque a grande maioria dos trabalhadores da VW n�o veio da cidade.
Mas j� h� anos o PRIMEIRA P�GINA previa que esta vantagem seria tempor�ria e ilus�ria proque seria imposs�vel reunir trabalahdores com alta escolaridade e especializa��o sem que mais cedo ou mais tarde os grilh�es do medo se rompessem.
Agora acotneceu, estourou, explodiu naquilo que j� foi chamado de "a grande festa dos trabalhadores": a greve!
Ningu�m sabe ainda se o movimento ser� vitorioso ou derrotado. Contra os fort�ssimos interesses que torcem pelo fracasso do movimento os trabalhadores n�o tem muito mais que a pr�pria coragem.
Mais do que simplesmente uma m�nima redu��o nos lucros da VW, o que o outro lado tem a perder � muito mais do que os trabalhadores possam perder. Uma greve bem sucedida ir� soterrar o atraso do movimento popular na cidade, ir� dar atestado � inoper�ncia dos sindicatos, ir� servir de exemplo para os trabalhadores das outras emrpesas igualmente sufocados pro sal�rios baixos.
A perspectiva de um efeito em cadeia provocado pelo sucesso dos trabalhadores da VW j� tem deixado sindicalistas pelegos e emrpes�rios gananciosos de cabelo em p� pela cidade, e n�o s� no setor metal�rgico.
� a dimens�o deste inimigo, prostado pela paralisa��o mas ainda forte, que torna ainda mais her�ica a a��o dos trabalhadores da VW. Provavelmente nem eles tem a dimens�o da import�ncia da a��o deles, mas � certo que N�o lutam s� pelo sal�rio, mas tamb�m contra a indignidade de receberem apenas metade do que aqueles que fazem a emsma coisa em outras unidades da emrpesa.
No final da d�cada de 70 os trabalhadores revoltavam-se ao descobrir quepessoas que faziam o mesmo servi�o que eles na Alemanha ganhavam duas ou tr�s vezes mais. Agora dentro do pr�prio Brasil esta fraglante viola��o do princ�pio de "sal�rio igual apra trabalho igual" impulsiona a coragem dos valentes oper�rios da VW.
Os argumentos da VW de que paga sal�rios "adequados" a cada regi�o n�o convencem os trabalhadores proque eles sabem que n�o s�o meio-homens que podem se sujeitar a esta humilha��o. E a bandeira desta indigna��o que eles levantam pode ensinar aos outros trabalhadores s�o-carlenses que eles tamb�m n�o s�o meio-homens que podem se sujeitar a ganhar meio-sal�rios.
Poucas coisas d�o t�o bem a mostra da coragem como a for�a do inimigo. Os trabalhadores da VW lutam contra for�as muito mais poderosas que o gigantesco grupo transnacional, lutam contra uma mentalidade de sujei��o absoluta, de servid�o - e �s vezes servilismo - do Trabalho ao Capital, ao inv�s da rela��o entre pares que domina o mundo moderno.
H� riscos deles serem derrotados nesta luta t�o dura, mas ainda assim ningu�m ser� caapz de apagar os nomes deles da hist�ria de S�o Carlos aonde estar�o inscritos como her�is enquanto todos os outros envolvidos estar�o registrados de forma muito menos abonadora, em especial aqueles que se recusaram a estender a m�o para socorrer aquele cuja obriga��o era defender.



Alexandre Gomes � editor do PRIMEIRA P�GINA



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