Contexto Histórico





Trajetória das conquistas de Alexandre o Grande






No século VI a.C., o império Persa, através de Ciro, O Grande, atinge a Báctria e a Sogdiana estendendo-se pela planície de Gandara, que foi catalogada por Dario I entre as suas satrapias, levando o império aquemênida até as terras do Vale do Indo.

Dois séculos depois, Alexandre, O Grande, conquista o Império Persa após ter derrotado Dario III. Alexandre decidiu ir até os confins do Império, atravessando a Báctria e as montanhas do Hindu-Kush em 329 a.C., entrando na próspera província de Sogdiana e atravessando-a atingindo a fronteira do Império Persa no Rio Jaxartes, onde funda a cidade de Alexandria Longínqua.

Em 327 a.C., desce até o Pundjab e o Sind conquistando-os desbaratando o Reino do Rajá Poros. Queria ir Alexandre mais para o leste, descendo o Ganges e chegar até o Golfo de Bengala, mas ele já havia ultrapassado os limites do império aquemênida e nesse momento ocorrem várias sublevações. Alexandre, então, volta para o Pundjab, fundando inúmeras cidades, desce o Rio Indo, chega ao Oceano Índico, manda seu almirante ir pela costa, enquanto ele segue pelo deserto até o Golfo Pérsico, onde fixou sua capital na Babilônia, adoece e morre no verão de 323 a.C.

Alexandre fundou cerca de 70 Alexandrias, deixando por lá colonos gregos e macedônios com códigos de leis. Estes colonos vão transformar a Báctria numa região produtora de cereais e frutas. Com a morte de Alexandre, a unidade do Império não dura muito tempo e a parte oriental acaba ficando nas mãos de um de seus generais: Seleuco.
Os Mauryas:

Alexandre havia acirrado os ânimos dos indianos. Apesar de no subcontinente indiano existirem línguas diferentes, seus habitantes tinham a noção de que eram indianos (ou seja, diferentes) devido à uma série de valores religiosos e sociais.

Com uma revolta chefiada por Chandragupta Murya, o Reino de Magadha, junto ao Ganges, aproveita-se das indefinições políticas do Império macedônio e anexa o território a leste do Indo, derrotando em 305 a.C. o sucessor de Alexandre na parte oriental, Seleuco Nicator, que cede as satrapias do Indo e de Gandara. Nesse momento o Reino passou a se estender do Hindu-Kush até ao Golfo de Bengala, sendo fundado assim o Império Maurya, que se ampliará com o filho de Chandragupta, Bindusara, em direção à Índia Central e aumentará ainda mais com o neto de Chandragupta, Açoka, com quem chegará ao seu apogeu estendendo-se além do Hindu-Kush, passando por Aracosia até a Drangiana. A capital do Império Maurya será Pataliputra (atual Patna), que foi conhecida através de Megástenes, um embaixador de Seleuco enviado em 302 a.C.

Açoka se converte ao budismo e vai se tornar bastante conhecido, graças as inscrições que espalhará pelo Império com claros fins proselitistas escrevendo seus éditos em grego e aramaico, levando, mesmo através de embaixadores, a mensagem budista ao Mediterrâneo, baseando o princípio de seu governo na não-violência e no bem estar de todos, além de punir com justiça, levar saúde aos súditos e ainda proibir de os animais serem molestados. Adotando uma política de tolerância religiosa, após sua morte o Império Maurya vai paulatinamente se fragmentando e os brâmanes vão ter uma forte reação no combate ao budismo, ocorrendo um recuo deste no território. Nesse momento a possibilidade maior dos indianos budistas é pregarem nos territórios greco-indianos e nisso surgem importantes escolas de arte, como a de Gandara e a de Matura, que tem forte influência grega.

Reinos Greco-indianos:


Bactriana e Sogdiana são as duas províncias mais orientais do Império Selêucida. A Báctria ocupa muito do que hoje é o Afeganistão, situando-se na planície da Bactriana, que fica entre as montanhas do Hindu-Kush e o Rio Oxus (hoje Amu Darya). Às margens do rio Jaxartes, onde Alexandre implantara uma extrema Alexandria, fica a Sogdiana como o oásis de Maracanda (Samarcanda). O Reino Bactriano retoma a sua expansão até Aracósia e a Drangiana. Aproveitando a confusão que acontece após a morte de Açoka, esses reis atravessam as montanhas do Hindu-Kush, conquistando vastas áreas, chegando até ao Pundjab. Por volta do ano 190 aC, Eucrátides assassina Demétrio II e torna-se senhor de toda a Báctria, com sua morte ocorre um período conturbado, levando a uma cisão definitiva do seu Reino, dividindo-o pela cadeia do Hindu-Kush, ficando de um lado o Reino Greco-Bactriano e do outro o Reino Greco-Indiano.

. É neste cenário que surge Menandro, ou em indiano Milinda, que é senhor de Gandara até o Pundjab; uma área imensa. Colocou em moedas o dizer: "basileos basileum" em grego, que significa "rei dos reis", e em pracrit, "maha raja" (grande rei).

Menandro morre em campanha , provavelmente quando tentava anexar ao seu império a Bactriana. Não se sabe ao certo se ele se converteu ao budismo, mas ele modificará seu epíteto de "soter" (salvador), para "dikaios" (justo), se ajustando aos preceitos do dharma budista. Sabia-se que era um rei que gostava de discussão filosófica.

Movimentos nas estepes da Ásia acabam afetando os reinos gregos. Os Yue-Tche são expulsos pelos Hunos, que exercem uma terrível pressão sobre os citas. De origem persa que vivem ao norte, no ano 130 aC, vão se apoderar da Sogdiana, no ano 100, da Báctria. Os Reinos Greco-Indianos duram um pouco mais, mas já não possuem uma integridade, estão divididos em 5 reinos, que vão caindo pouco a pouco. Ao ano 75 aC no Pundjab, 70 aC no Gandara e cerca de 50 aC no vale alto do Cabul, que constituiu a última praça forte do Helenismo.

Anderson Fernando dos Santos




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