Introdução
Milinda é a tradução do nome grego Menandro, que reinou durante a Segunda metade do século II a.C. A data da primeira redação do Milinda Panha - as Perguntas do Rei Milinda é desconhecida. Porém sua tradução para o chinês teria ocorrido por volta do ano 420 d.C. O Documento é dividido em três partes:
Livro I (Antecedentes): num convento, um noviço e um religioso entram em atrito. O religioso bate no noviço por desobediência. Tanto o noviço quanto o monge fazem pedidos na margem do rio Ganges. Depois de muito tempo o noviço reencarna como o Rei Milinda, um rico e poderoso rei grego, que gosta de fazer questionamentos para resolver suas dúvidas, mas nenhum sábio consegue respondê-las. O religioso, no entanto, pede ajuda a um deus para voltar após sua morte com o objetivo de poder vencer os questionamentos do Rei Milinda. Então aquele reencarna como Nagasena, que logo se torna um grande sábio. Milinda ouve sobre Nagasena e decide vê-lo no convento. No primeiro encontro com Nagasena, o Rei pressente que o sábio Nagasena é diferente dos outros sábios.
Livro II (Características): O Rei e o Sábio se cumprimentam e iniciam um jogo de perguntas e respostas. O Rei Milinda decide que a discussão deverá ser em seu palácio. No dia seguinte, o jogo recomeça. Milinda faz várias perguntas que são respondidas por Nagasena. O Rei sempre pede exemplos para compreender melhor as respostas dadas pelo sábio.
Livro III (A Solução das Dificuldades): A disputa entre o Rei e o Sábio continua. Nesse livro muitas das perguntas são acerca do Budismo. Depois de horas, o Rei sente-se satisfeito com as suas perguntas respondidas e o Sábio com as respostas dadas às perguntas do Rei. O documento termina com o Rei Milinda e o Monge Nagasena, no dia seguinte, no palácio satisfeitos com a conversa que tinham mantido.
O objetivo a ser atingido com esta intervenção é esclarecer que na região da Báctria houve uma interação - uma troca cultural - entre gregos e os indianos. E pretendemos analisar o processo de interação ocorrido nessa região através de um ângulo peculiar: o proselitismo budista. Antes, no entanto, vamos deixar claro o que entendemos por interação.
A cultura grega, para os gregos da antigüidade, é sinônimo de civilização. O grego, a partir do III século a.C., torna-se uma língua "mundial" e ao mesmo tempo em que a cultura grega invade outras regiões, outras culturas também interagem com os gregos. A cultura helena fundiu-se com as culturas locais com maior ou menor profundidade, existindo interações e resistências. Os gregos que chegam à Índia não são somente gregos, nesse momento já são greco-macedônios. Na Índia, veremos que não haverá a adoção da cultura grega, porém haverá uma interação, pois quando duas culturas diferentes se encontram, ambas sofrem mudanças. Nos encontros de culturas diferentes, a interação vai até um certo ponto. Culturas que estão dispostas a estabelecer diálogos, não implica numa diminuição ou erradicação de uma delas. As interações não são iguais. A transformação de uma determinada cultura é um modo de reprodução, e toda reprodução de cultura é alteração.
O budismo irá utilizar a língua grega para se apresentar ao "mundo" grego. Apesar dos indianos estarem sob domínio político, eles começam a se expressar em grego para espalhar a doutrina budista. O "mundo" grego encontra-se em desvantagem na Índia, pois bate de frente com uma cultura milenar. Assim, os gregos passam a ser absorvidos pela estrutura indiana, sentindo-se muito à vontade com sua religião politeísta, enquanto ao mesmo tempo a língua, a arte e outros aspectos da cultura grega foram assimilados pelos indianos, por ser ela uma cultura internacional e para, também, manter sua própria cultura viva. Portanto entendemos que interação não se trata apenas de uma relação de dominador/dominado, trata-se mais substancialmente de uma troca em si de conhecimentos, cultura ou costumes.
Karina Lima

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