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Crimes da Era Digital (Cyber crimes)

   Há alguns anos atrás, no Centro de Treino das Policias Federais nos Estados Unidos (FLETC), na Geórgia, o Agente Federal Manson, provocou risos ao dizer que os policias em breve seriam chamados de Cybercops e necessitariam, além de arma e distintivo, de um nootebook para combater os crimes de computadores. Hoje ninguém ri disso. O crescimento geométrico proporcionado pela Internet tem arrepiado de medo desde sociólogos até os profissionais da policia. A velocidade é maior que a capacidade de assimilar as mudanças, que não estão a ser acompanhadas por medidas de segurança capazes de proteger as informações. A Internet tem modificado o comportamento humano, incentivando a paixão pelo conhecimento, educação e cultura. Isso, entretanto, não é de graça, vem acompanhada da inseparável e sempre (má) companhia criminosa: os criminosos digitais.

   O Cyberspace conta hoje com mais de 100 milhões de pessoas conectadas em mais de 160 países. A absoluta falta de controle, quase anárquica, vem criando espaços exclusivamente para a disseminação de actividade criminosa. Empresas, em diversos pontos do planeta, têm sido vítima de crimes, que, na maioria das vezes, não são comunicados à policia por causa da síndrome da má reputação, preferindo assumir os prejuízos com medo da propaganda negativa. Ninguém sabe dizer exactamente a amplitude, mas tal prejuízo deve alcançar, anualmente, a cifra de bilhões de dólares. Furtam-se segredos militares, competidores fazem espionagem, bancos são vitimas de fraudes, contrabandistas e terroristas de todas as tribos mandam as suas mensagens por e-mail, os pedófilos trocam fotos digitalizadas de pornografia infantil, lavam-se os dólares dos crimes do colarinho branco, transacionam-se drogas, empresa e pessoas são vitimas de extorsões, fraudes, crimes de propriedade intelectual e pirataria entre outros...

   Como todo combate ao crime, os crimes de computadores começam pela prevenção. As grandes empresas, em face de complexidade técnica emergente, precisam de treinar grupos de análise de risco e de gerência de crises, identificando as ameaças ao sistema, as suas vulnerabilidades e as contra-medidas a serem adoptadas, bem como colectar todos os indícios e provas, colaborando assim com uma eventual investigação policial. A sociedade tem que ter em mente que o crime está sempre um passo à frente da policia, e o que define se essa policia é eficiente, ou, não, é a distância desse passo, o chamado gap entre o crime e a policia. Para diminuir este gap, a palavra de ordem é de se preparar e antecipar, e no caso da investigação de crimes digitais devemos maximizar a cooperação entre as policias nacionais e internacionais, preparando e treinando policiais com novas técnicas de investigação, que devem agir rapidamente como a era digital o exige. O FBI, já há alguns anos que vem a formar os chamados Cybercops, policias especialmente treinados para combater esses crimes chamados de Transnacionais, e considerados o desafio criminal do próximo século. Aqui em Portugal, como não poderia ser diferente, não existe preparação absolutamente nehuma, a ignorância e a falta de visão herdados por uma geração de policiais no melhor estilo "old dinosaurs" que nem sabem para que serve um "mouse" de computador. A esperança é de que essa cyberwar, ao ultrapassar as fronteiras físicas das nações, tem obrigado as instituições a aperfeiçoarem-se no combate dos tecnocrimes e da hipercriminalidade, sendo impossível ignorar essa guerra digital.

 

 

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Este site foi actualizado a 14-Out-2001

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