Muitos foram os craques que jogaram e surgiram nas categorias de base do Internacional. Seus dribles e gols ficaram marcados para sempre no coração da torcida colorada, que não se cansa de reverenciar o talento dos seus grandes ídolos. Confira abaixo alguns nomes que marcaram época no Clube:
Tete
José Francisco Duarte Júnior, mais conhecido no futebol como Teté, foi um técnico que usava da sua psicologia amadora para solucionar os problemas que afligiam seus jogadores e assim conquistou quatro Citadinos e quatro Campeonatos Gaúchos. A carreira como treinador começou em 1933, quando trabalhou como preparador técnico do Guarany, de Bagé. Após passar ainda por Farroupilha, Brasil, de Pelotas, Cruzeiro-POA e Nacional-AC, chegou ao Internacional em 1951 para conseguir suas maiores glórias. No Clube do Povo, Teté montou uma equipe que tinha como responsabilidade dar sequência ao feito daquela que nos anos 40 dominou o Rio Grande do Sul e ficou conhecida como o Rolo Compressor. Para tanto, reforçou o grupo com nomes como Paulinho, Luizinho e a dupla Larry e Bodinho e conquistou os estaduais de 1951, 1952, 1953 e 1955. Um dos momentos mais lembrados por aquela equipe, no entanto, não foi a conquista de um título, e sim um jogo memorável. No dia 26 de setembro de 1954 o Grêmio inaugurava seu novo estádio e convidou o Inter para a primeira partida. O Colorado, sentindo-se em casa em pleno Olímpico, aplicou uma goleada por 6 a 2, com direito a quatro gols de Larry. Em 1956, o técnico pelotense ganhou uma importante missão: montar um time gaúcho para representar o Brasil no Pan-Americano. Com sete jogadores colorados entre os titulares, trouxe o primeiro título da equipe Canarinho conquistado no exterior e de forma invicta. Após uma breve passagem pelo São José-POA, em 1958, retornou ao Colorado, onde se aposentou em 1960. Oficial do Exército, ficou conhecido por seu estilo disciplinador e, ao mesmo tempo, conciliador.
Ênio Andrade
Com quatro passagens pelo Internacional, Ênio Andrade ficou conhecido por seu estilo versátil, capaz de alterar a forma de sua equipe atuar e reverter o jogo após o intervalo. Foi assim que em 1979 conquistou a terceira estrela nacional do Colorado, e de maneira invicta, um feito jamais repetido na história do Campeonato Brasileiro. Após uma campanha ruim no Gauchão, com um terceiro lugar, o Inter precisava correr contra o tempo para montar um time que disputasse o Brasileiro para vencer. Assim, o novo treinador ganhou os reforços de Benitez, Cláudio Mineiro, Bira e Mário Sérgio, que se integraram muito bem à equipe. No dia 23 de dezembro, Benitez; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, Jair; Valdomiro (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio entraram em campo diante do Vasco da Gama e depois de 23 jogos, 17 vitórias e seis empates, ergueram o troféu do Brasileirão. Os gols colorados foram marcados por Jair e Falcão. Wilsinho descontou para os cariocas. O mestre Ênio Andrade ainda levaria o Inter à final da Libertadores da América no ano seguinte. Na decisão contra o Nacional-URU, porém, a equipe alvirrubra perdeu por 1 a 0, mas a derrota não apagou o brilho do comandante colorado.
Minelli
O perfeccionista Rubens Minelli foi um dos primeiros treinadores a trabalhar com a saída de bola, a linha de impedimento e as jogadas ensaiadas, que deram ao Inter três títulos gaúchos (1974, 1975 e 1976) e um bicampeonato brasileiro (1975 a 1976). Com seu estilo único, montou uma equipe-base com Manga; Valdir, Figueroa, Hermínio, Chico Fraga; Caçapava, Falcão, Carpegiani; Valdomiro, Flávio e Lula, e buscou a primeira estrela nacional. Foi no dia 14 de dezembro de 1975, quando aos 12 minutos do segundo tempo o zagueiro Figueroa subiu mais alto que todo mundo na área do Cruzeiro e, de cabeça, marcou o antológico ‘Gol Iluminado’, para delírio do colorados que lotavam o Gigante. Um ano depois, o time de Minelli repetiu o feito com uma campanha memorável: 23 jogos, 19 vitórias, três empates e apenas uma derrota. Com Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho Peres e Vacaria; Caçapava, Falcão e Batista; Valdomiro, Dario e Lula, o Colorado não tomou conhecimento do Corinthians na tarde de 12 de dezembro e com gols de Dario e Valdomiro mais uma vez enlouqueceu a massa no Beira-Rio. Inter bicampeão brasileiro! Minelli encerrou sua carreira no Colorado no mesmo ano após comandar 217 partidas, conseguindo a marca de 153 vitórias, 44 empates e apenas 20 derrotas.
Abel
Com um estilo motivador e adepto do futebol ofensivo e bonito, o treinador chegava mais maduro que em sua última passagem pelo Clube, em 1995. E, assim, foi em busca das maiores glórias da história do Internacional. Primeiro, veio a Libertadores. Depois de um início de ano ruim, com a perda do Gauchão, Abel acertou a equipe para a competição e festejou no Beira-Rio o título tão desejado pelos colorados. A campanha do time alvirrubro teve 14 jogos, oito vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. Foi em dezembro daquele ano, porém, que Abel buscou a consagração definitiva junto à torcida colorada. Diante do todo poderoso Barcelona, que tinha Ronaldinho Gaúcho no seu auge, o treinador foi decisivo para o maior feito colorado. Com um time bem mais modesto que os catalães, Abelão convenceu a equipe e os dirigentes de que, com muita garra e superação, era possível derrotar a equipe espanhola. E foi o que aconteceu. Os jogadores se doaram como nunca e literalmente deram sangue pela vitória. Quando Fernandão deixou o campo com cãibras, o técnico puxou do banco uma arma que surpreendeu a todos: Adriano Gabiru. Alheio à descrença com que sofreu durante todo ano, o atleta assumiu a responsabilidade que lhe foi passada e após passe magistral de Iarley decretou que a Terra era vermelha, provando que Abel sabia o que estava fazendo! O treinador voltou ao Inter em agosto de 2007 e no ano seguinte ainda conquistou um Campeonato Gaúcho para os colorados.
Adriano Gabiru
Ele pintou a Terra de vermelho
De uma família pobre de Maceió a herói do Inter no Japão. Sim, o futebol é capaz de corrigir injustiças sociais. E Carlos Adriano de Souza Vieira, ou bem mais conhecido como Adriano Gabiru, é uma prova disso. Como não se lembrar de sua entrada no lugar de Fernandão na final do Mundial de Clubes em 2006 contra o Barcelona? Não há maneira de esquecer a arrancada de Iarley no contra-ataque do Inter e seu passe para ele dentro da área. Foram seis minutos em campo e Adriano Gabiru estufou as redes dos espanhóis, marcando o gol da vitória, ou melhor, da maior das glórias para o Internacional: o título mundial da Fifa.
Bodinho
O pernambucano Bodinho participou do "Rolinho", time colorado da década de 50 que foi comandado pelo inesquecível Tetê. O jogador colorado, recebeu este apelido devido às cabeçadas fulminantes que costumava dar contra os adversários, além de apavorar goleiros com seus chutes de virada. Bodinho foi um dos que comandou o Internacional em uma vitória inesquecivel: 6x2 sobre o Grêmio no dia da inauguração do estádio Olímpico. No Gauchão de 1955 ele marcou 25 gols em 18 jogos.
Carlitos
Carlitos é simplesmente o maior goleador da história do Inter: marcou 485 gols ao longo da sua carreira, 42 só em Gre-Nais. Ao lado do mítico Tesourinha e do oportunista Adãozinho, formou talvez o maior ataque colorado em todos os tempos: o "Rolo Compressor" dos anos 40.
Recordista absoluto no clube, Carlitos jamais defendeu outro time em sua longa carreira. Sempre bem-humorado, certa vez prendeu o calção do goleiro gremista Júlio em um prego da trave. Quando o arqueiro foi em direção a bola, teve o uniforme rasgado inteiramente.
O veloz ponta-esquerda colorado era a alma do Rolo. Por causa dele, Tesourinha teve de jogar na ponta-direita, e os dois mais o pequenino Adãozinho se tornaram o trio de ataque colorado mais eficaz da história.
Carlitos é o autor do famoso Gol do Ângulo Inclinado, quando protagonizou um lance de reflexo e técnica em uma partida diante do Cruzeiro, no dia 16 de setembro de 1945. O atacante colorado entrou na corrida na pequena área, passou direto para dentro do gol, mas encontrou tempo para voltar atirando-se para trás e marcando de cabeça.
Chinesinho
Sidney Colônia Cunha, conhecido como Chinesinho, nasceu em Rio Grande-RS - terra do primeiro time de futebol do Brasil -, em 15 de setembro de 1935, e faleceu no último dia 16 de abril. Mas, antes disso, o eterno ídolo deixou seu legado para a história colorada. Baixinho e troncudo, tinha olhos puxados, por isso o apelido Chinesinho. Estreou no Internacional em 1955 e destacou-se no ano seguinte pela Seleção Brasileira no Panamericano, quando sagrou-se campeão num time que tinha mais sete jogadores colorados e o técnico Teté. Em 1958, foi contratado pelo Palmeiras, onde foi campeão em 1959 contra o Santos de Pelé. Também atuou na Itália, no Juventus e no Modena.
Florindo, o Gigante de Ébano,Zagueirão brilhou no Inter nas grandes vitórias da década de 50.
Um dos maiores zagueiros colorados da história, integrou um forte time do Inter nos anos 50, o ‘Rolinho’ ou ‘2º Rolo Compressor’. Florindo jogou de 1951 a 59 defendendo a camisa do Inter, esteve em campo na inesquecível vitória no Gre-Nal dos 6 a 2, na inauguração do estádio do maior rival, o Olímpico. Além disso, foi um dos heróis colorados na Seleção Brasileira que conquistou o Pan-Americano de futebol, disputado no México, em 1956.O zagueiro era titular de um dos melhores times da história do clube, tendo vencido cinco campeonatos gaúchos na primeira metade dos anos 50 e o famoso clássico Gre-Nal. Na ocasião, no dia 26 de setembro de 1954, o Inter deu um ‘baita’ presente ao adversário: uma sonora goleada no Gre-Nal dos festejos de inauguração do estádio Olímpico.
Larry
Ele veio para o clube em 1954, do Fluminense. Era um centroavante elegante e técnico, que nem sequer trombava com os zagueiros. Conquistou a torcida no primeiro Gre-Nal que disputou, quando marcou quatro gols na goleada de 6 a 2. Foi campeão Pan-Americano em 1956, quando a seleção gaúcha representou o Brasil. Mas o Cerebral Larry, como era chamado pela torcida, não é tão lembrado pela capacidade de fazer gols quanto pelo estilo clássico, refinado, raro entre os centroavantes da época e de qualquer tempo. Com outro centroavante, o pernambucano Bodinho, Larry formou uma dupla infernal, capaz de tabelinhas só comparáveis às dos santistas Pelé e Coutinho.
Tesourinha
>Nos anos 40 brilhou nos gramados do Brasil o atacante Osmar Fortes Barcellos, conhecido em todo o Brasil pelo nome de "Tesourinha". Seu apelido veio de um bloco carnavalesco, chamado "Os Tesouras", do qual ele fazia parte. Mas bem poderia ser uma referência à maneira como "cortava" os adversários, com seus dribles mágicos, em espaços muito reduzidos do campo, comparáveis somente aos dribles de Garrincha. Franzino e muito pobre, ganhou autorização especial da direção do Inter de poder pegar diariamente dois litros de leite nos armazéns perto do estádio dos Eucaliptos. Com o passar dos anos se tornou, ao lado do meia Falcão e do zagueiro Figueroa, talvez o maior jogador já surgido no Internacional. Formou ao lado de Adãozinho, Villalba e Carlitos o maior ataque da história do Inter, o "Rolo Compressor". Sua origem era ponta-esquerda, mas driblava para dentro do campo e batia em gol de perna direita pelo Rolo Compressor. O time era tão bom que Tesourinha, um dos maiores craques do Inter, teve que se contentar em trocar de lado porque com Carlitos na ponta-esquerda ninguém se atrevia a mexer. Tesourinha foi hexacampeão gaúcho, aterrorizando zagueiros com seus dribles rápidos e uma velocidade memorável.
Bráulio, o Garoto de Ouro Colorado
Uma das maiores revelações do Internacional ainda come, dorme e sonha com futebol, chegou ao Inter em 1952 por indicação do técnico Teté. Foi meia-direita e centroavante, mas antes do colorado defendeu o Íbis de Pernambuco, o Sampaio Correa do Maranhão, e o Flamengo do Rio, sempre como ponteiro-direito. Formou, ao lado do carioca Larry, uma das maiores duplas de ataque da história do futebol gaúcho.Ambos consagraram a "tabelinha" Integrou a Seleção Brasileira que ganhou o Pan-Americano do México em 1956, competição na qual marcou três gols em cinco partidas.
Valdomiro
O craque que voava em campo foi descoberto por outro grande craque: Tesourinha. Contratado junto ao Comerciário, de Criciúma, Valdomiro foi muito criticado no início pela imprensa e torcida, entrava em campo e era vaiado até no aquecimento. Porém o incansável aprendiz demonstrou toda sua vontade e dedicação, virando o jogo e assinando seu nome na história dos maiores craques do Internacional. Ponta-direita, Valdomiro chegou ao Inter em 1968. Era veloz, dono de um potente chute, cruzava com efeito, além de ser dedicado na marcação. Começou a se tornar símbolo de uma era de vitórias em 1969, quando teve um gol incorretamente anulado na decisão do Gauchão. Exímio cobrador de escanteios, era praticamente mortal nas cobranças de falta. E foi assim, na bola parada, que Valdomiro participou ativamente do gol do título do Brasileiro de 1975, quando cruzou na medida para o capitão Elias Figueroa fazer 1 a 0 sobre o Cruzeiro. No ano seguinte, mais uma vez Valdomiro bateu falta, com bola batendo no travessão e caprichosamente bateu atrás da linha do gol, 2 a 0 no Corinthians e Internacional bicampeão brasileiro. Valdomiro seria o único jogador octacampeão gaúcho, um feito jamais igualado no futebol do Rio Grande do Sul. Pela Seleção Brasileira, Valdomiro foi titular na Copa da Alemanha Ocidental em 1974, quando marcou um gol contra o Zaire que salvou o Brasil de uma vexatória eliminação ainda na primeira fase. Após encerrar a carreira, Valdomiro ganhou uma placa no estádio, como atleta-símbolo do vitorioso período da década de 1970.
Manga
Manga, foi um goleiro marcante na história do Inter. 'Manguita', como também era conhecido, começou a carreira no Sport, em 1955. No final da década de 50, aos 22 anos, transferiu-se para o Botafogo, clube pelo qual escreveu uma sólida história, conquistando quatro campeonatos estaduais e três torneios Rio-São Paulo. Costumava fechar o gol contra o Flamengo, além de dar declarações que mexiam com o brio do rubronegro. "O leite das crianças está garantido", dizia Manga antes dos clássicos, dando a entender que o jogo já estava ganho se dependesse de suas atuações. Jogou por quase dez anos na equipe de General Severiano e foi o goleiro da Seleção Brasileira da Copa de 1966. Em 1969, passou a defender o Nacional de Montevidéu-URU. Foi várias vezes campeão nacional e uma vez campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes pelo time uruguaio (1971). Manga chegou ao Inter em 1974, e nos poucos anos em que ficou no Beira-Rio entrou definitivamente para a história centenária do clube colorado. As mãos imensas com os dedos tortos faziam defesas elásticas e arrojadas. Era também excelente na reposição de bola. Em certas cobranças de falta, preferia abrir mão da barreira, de modo a ficar cara a cara com o batedor. Não tinha chute de efeito que enganasse Manga no auge da sua carreira. Era uma goleiro praticamente perfeito. Foi três vezes campeão estadual (1974, 75 e 76) nos três anos que defendeu o Inter. Mas foi pela conquista do bicampeonato nacional (75 e 76) que para sempre será lembrado. Manga, o 'Fenômeno', foi um gigante debaixo das traves nas duas campanhas vitoriosas no Campeonato Brasileiro, comprovando a máxima do futebol de que todo time começa com um grande goleiro.
Benitez
José de La Cruz Benitez Santa Cruz, nascido em Assuncion no Paraguai em 3 de maio de 1952, começou sua carreira na categorias de base do Olímpia. A promoção ao time principal da equipe paraguaia veio em 1971. Seis anos depois transferiu-se para o Internacional em 1977, após defender o Paraguai em uma partida contra a Seleção Brasileira pelas Elimatórias para a Copa do Mundo de 1978. Tão logo Benitez tinha chegado no Clube, o goleiro já deparava-se com um grande desafio pela frente. Manga, com seus dois títulos brasileiros era titular absoluto da posição. Talvez aquele não fosse o momento de Benitez. O paraguaio precisou ser emprestado ao Palmeiras em 78 para um ano depois fazer um retorno glorioso. Já em 79, o Internacional buscava pela terceira vez o topo do Brasil. A Academia do Povo não contava com o terceiro lugar no Campeonato Gaúcho, que serviu apenas para criar um clima de desconfiança entre a torcida e o Clube. Bira, Mario Sérgio, Claudio Mineiro e o próprio Benitez foram trazidos com a intenção de fazer o Colorado brilhar novamente. A consagração estava perto e ela veio de uma forma jamais vista no Mundo. O maior campeonato Nacional do planeta era conquistado de maneira invicta pelo Sport Club Internacional. O camisa 1 do Inter revela que o grupo conhece o seu técnico no intervalo de cada jogo. A relação com o Ênio Andrade confirmava essa máxima. De acordo com Benitez, Gilberto Tim tinha uma virtude: Com ele na preparação não tinha ninguém no Departamento Médico. Se algum jogador estava com dores na perna trabalhava o braço, se sentia dores nos braços exercitava as pernas. A disciplina era tônica daquele time memorável. O momento era tão mágico que os jogos do Inter no Beira-Rio eram chamados de o “Trem Pagador”, pelo público que tomava as dependências do Gigante da Beira-Rio. “Hoje, com a colocação das cadeiras isso não acontece, mas naquela época o público chegava aos 80 mil. Lotado”, relembra um Benitez maravilhado. No campo o que se via era o Internacional impiedoso com seus adversários. Benitez considera que só vislumbrou a possibilidade do tricampeonato com a vitória inesquecível sobre o Palmeiras. E assim o destino se cumpriu. Ênio Andrade mandou a campo contra o Vasco: Benítez; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão, Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, Jair;Valdomiro, Bira e Mário Sérgio. O dia era 23 de dezembro de 1979 e o resultado foi Internacional campeão brasileiro invicto.
André
O Internacional tem tradição em revelar bons goleiros. André Doring foi mais um dos talentos revelados pela escola de goleiros que se tornou o Inter. Natural de Venâncio Aires, no interior gaúcho, o jogador veio para o Clube em 1989 e passou por todas categorias de base até chegar aos profissionais em 1992. A partir daí André viveu um tempo de aprendizado e amadurecimento. Convivia com grandes goleiros como Fernandez, Goycochea, Sérgio e Taffarel e procurava absorver o máximo de cada um deles. André sempre teve como exemplo o grande Taffarel, não apenas como uma referência técnica, mas também como homem. Em 1992 André fazia parte do grupo campeão da Copa do Brasil, era reserva do paraguaio Fernandez. Fazia 13 anos que o Inter não ganhava um título de projeção nacional, esta conquista foi tão importante para o Clube quanto para André. A titularidade veio no ano de 1996, durante três anos André vestiu a camisa 1 do Inter e viveu grandes momentos com a jaqueta vermelha. O auge da carreira foi o ano de 1997 quando chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira e teve atuações brilhantes no Inter. Um exemplo é a partida entre Inter e Santos pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, no Beira-Rio, o Inter venceu por 2 a 0, devolvendo o placar sofrido na Vila Belmiro. Nas penalidades, ele pegou duas cobranças, garantindo o 3 a 2 que classificou a equipe colorada. Nos quinze anos como goleiro André sempre foi seguro debaixo das traves. Durante toda a sua carreira defendeu apenas três times Inter, Cruzeiro e Juventude. Após três anos como titular do Internacional André foi vendido para o Cruzeiro, defendeu o clube mineiro em quatro temporadas, porém as seguidas lesões o impediram de ter uma boa sequencia de jogos. Em 2003 André voltou ao Inter, neste retorno ao Beira-Rio o goleiro viveu um dos momentos mais angustiantes da carreira. O fato ocorreu na final do Gauchão de 2005 onde o Inter enfrentava o 15 de Novembro em Campo Bom. Até os 22 minutos da segunda etapa, fazia uma partida impecável, mas numa dividida com o centroavante Jacques acabou quebrando o antebraço esquerdo em dois lugares. Foi levado ao Hospital, onde de lá acompanhou o Inter ser tetracampeão. Depois de defender o Juventude e sofrer outra grave lesão André decidiu parar de jogar. O profissional ainda trabalhou no Inter como preparador de goleiros da base e auxiliar técnico.
Taffarel
Apareceu no Grêmio, fez testes e foi reprovado. No ano seguinte, também foi mandado embora do Internacional-RS. Só seria aprovado em sua terceira tentativa, de novo no Colorado, dois anos depois. Frio, seguro, arrojado nos casos de necessidade, Taffarel sempre teve que trabalhar muito para mostrar o seu valor. Seis meses depois de passar pela peneira do clube, ele era campeão mundial de juniores pela Seleção Brasileira, em Moscou. O ano era 1985 e, naquele tempo, Taffarel ainda era chamado de Cláudio. O colorado tentava trazer o goleiro russo Rinat Dassajev, mas acabou desistindo. Então o jovem goleiro teve seu espaço e aproveitou. Promovido a titular do Internacional em setembro, se tornou ídolo imediato de uma torcida acostumada com goleiros sensacionais como Manga e Benítez. Muito jovem, Taffarel marcou presença no Brasileiro de 1986, quando foi uma das revelações da competição. Também ficou marcado por uma agressão ao árbitro José de Assis Aragão, ficando suspenso por 45 dias. Mas isso pouco afetou o crescente status de ídolo, que lhe acompanharia por toda a carreira. Pela Seleção Brasileira, foi medalha de prata em Seul, se consagrando ao pegar três penalidades na disputa com a Alemanha Ocidental nas semifinais. Taffarel tornou-se um especialista em defender pênaltis, além de contar com muita sorte nas cobranças que batem na trave ou passam longe do gol. Foi assim na conquista do tetracampeonato mundial em 1994, nos Estados Unidos, quando segurou a cobrança do italiano Massaro e viu Roberto Baggio isolar a bola por sobre o travessão.
Clemer
Ele fez história com a camisa número 1 do Internacional por oito temporadas, sendo o goleiro mais vitorioso da história colorada. Mesmo depois de ‘pendurar as luvas’, já como preparador de goleiros, função desempenhada desde o começo de 2010, Clemer teve o privilégio de erguer novamente a taça da Libertadores da América. É um campeão nato. Agora soma títulos como treinador da equipe juvenil do Clube. Clemer chegou ao Beira-Rio para defender o time profissional. Sua primeira temporada, em 2002, foi difícil. O Inter foi campeão gaúcho, mas enfrentou dificuldades no Brasileirão, no qual acabou lutando até o final para escapar do descenso à Série B. Entretanto, os anos seguintes foram para lá de compensadores. Depois de ser tetracampeão estadual (2003, 2004 e 2005), o goleiro viveu uma época gloriosa, escrevendo para sempre o seu nome na galeria dos maiores jogadores do clube colorado. Clemer foi um dos principais personagens das antológicas conquistas da Libertadores e do Mundial FIFA, em 2006. Quem não se lembra das suas defesas monumentais ao longo da campanha pela América ou na inesquecível decisão contra o Barcelona, em Yokohama, no Japão. Ele foi um verdadeiro gigante e fechou o gol, sem dar chance para as investidas de Ronaldinho Gaúcho e Deco na grande final do Mundial. A saga de títulos seguiu em 2007 com a conquista da Recopa. Clemer foi o goleiro da Tríplice Coroa, estando à frente do gol nos três importantes títulos em série. Até gol ele marcou, não teve um ano sequer que o multicampeão não ergueu uma taça. Começou a temporada de 2008 fazendo parte do grupo campeão da Dubai Cup, nos Emirados Árabes. No mesmo ano, também participou da campanha do título gaúcho e foi protagonista de um lance curioso na final contra o Juventude. O Inter goleava por 7 a 1 quando um pênalti foi marcado, aos 45min do segundo tempo, para o time colorado. Em êxtase com a atuação do time, a torcida começou a gritar o nome de Clemer, pedindo que ele cobrasse o tiro da marca penal. E ele o fez com precisão e ampliou o massacre colorado. No final de 2008, colocou a faixa de campeão da Copa Sul-Americana no peito. Em 2009 foi campeão gaúcho pela sexta vez, igualando a marca de Ivo Winck, goleiro que integrou o lendário Rolo Compressor da década de 40, e também fez parte do grupo que retornou ao Japão para vencer a Copa Suruga Bank. Aos 41 anos, Clemer decidiu encerrar a carreira após vestir a camisa do Inter em 354 partidas. Mas nem por isso deixou de viver a intensa rotina de um goleiro. Foi o preparador do time bicampeão da América, sendo o responsável por orientar o experiente Pato Abbondanzieri, Lauro e depois Renan, que chegou nas semifinais da competição. No seu último ano como jogador, Clemer já se imaginava trabalhando na comissão técnica. A identificação com Porto Alegre é tão grande quanto sua paixão pelo Inter. Clemer cruzou o país para encontrar na capital gaúcha o porto seguro para viver os mais vitoriosos anos da sua carreira profissional. No final de setembro deste ano, recebeu uma justa homenagem: o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre.
Ruben Paz
Um legítimo camisa 10 Jogador de técnica refinada, o uruguaio Ruben Paz foi ídolo da torcida colorada nos anos 80 Meia cerebral é aquele que pensa o jogo, distribui as jogadas, arma as ações ofensivas de um time e, normalmente, é o jogador diferenciado. Durante os anos que defendeu o Internacional, Ruben Paz foi este jogador. Portador de uma técnica apurada, o camisa 10 foi ídolo da torcida, jogou duas Copas do Mundo e se só parou de atuar aos 47 anos de idade. Ruben Paz foi contratado pelo então presidente Frederico Arnaldo Ballvé, em fevereiro de 1982. Logo em sua estreia, já mostrou qualidade na goleada de 5 a 0 do Inter sobre Goiás, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. Paz foi considerado um dos melhores meias do mundo na década de 80. Jogando pelo Internacional teve atuações dignas de um craque. Na final do Campeonato Gaúcho de 1982 ele foi o principal jogador em campo na vitória do Inter sobre o Grêmio por 2 a 0. Sua atuação nessa partida é lembrada até hoje pelos torcedores colorados. O rival tinha um time composto por bons jogadores e vinha animado pela conquista de título recente, mas o Internacional se impôs não dando chances ao adversário. Em 1982, Ruben participou de uma excursão do Inter pela Europa, onde disputou o Torneio Joan Gamper, em Barcelona, na Espanha. Inter, Campeão do Torneio Joan Gamper! A imprensa espanhola da época deu grande destaque para conquista colorada e para o bom futebol de Ruben Paz. A perseverança foi a tônica da carreira de Rúben. Ele e a bola eram companheiros inseparáveis, tanto que a decisão de parar de jogar só veio aos 47 anos de idade. Profissionalmente, abandonou a carreira com 41 anos, jogando o campeonato uruguaio pelo Frontera Rivera Chico. Mas não conseguiu ficar longe dos gramados e ainda seguiu jogando por times amadores do Uruguai até 2006, só se aposentando por causa do pedido de um amigo de infância, o também ex-jogador Mario Saralegui, que, na época, assumiu o comando do Peñarol e chamou Paz para ser assistente. Hoje, como auxiliar técnico de Saralegui, ele espera por propostas de trabalho junto de sua família em Montevidéu.
Nilson
A passagem foi curta pelo Inter, mas o carinho permanece na memória. O artilheiro do inesquecível Gre-Nal do Século, que fez aumentar ainda mais a supremacia colorada em cima do maior rival. Atualmente, o ex-jogador vive em São Paulo e trabalha como promotor de eventos. Centroavante Nilson foi o autor dos dois gols da virada no Gre-Nal do Século Tarde ensolarada de domingo no Beira-Rio. Era dia 12 de fevereiro de 1989. Semifinal da Copa União, o Campeonato Brasileiro de 1988. Cerca de 80 mil torcedores lotavam o Gigante para acompanhar o clássico Gre-Nal de número 297. A partida dava vaga para a final da competição e também classificava para a Copa Libertadores da América. Por esses motivos passou a ser chamada de ‘Gre-Nal do Século’. Este foi o dia em que Nilson Esídio Mora, ou simplesmente Nilson, centroavante do Internacional nas temporadas de 88 e 89, entraria para a história do Clube e conquistaria um espaço terno na memória do torcedor colorado. O adversário saiu na frente aos 16 minutos do primeiro tempo com Marcos Vinícius. O torcedor poderia achar que a situação já estava ruim, no entanto piorou ainda mais quando o árbitro Arnaldo César Coelho expulsou o lateral direito Casemiro aos 37 minutos do primeiro tempo. Com um jogador a menos e perdendo por 1 a 0, o Inter voltou para o segundo tempo. Mas Nilson, artilheiro da Copa União, então com 13 gols, mostrou sua estrela. Em cobrança de falta de Edu, o atacante de 1,88m e 23 anos subiu mais que a defesa gremista e empatou o jogo aos 16 minutos da segunda etapa. Com grande demonstração de raça, a equipe do Inter seguia pressionando o adversário, mesmo com a desvantagem numérica. Aos 26, novamente brilhava a estrela de Nilson. Maurício fez boa jogada pelo lado direito, passou por dois marcadores e bateu cruzado rasteiro. No local certo, na hora certa, era onde estava o camisa nove para escorar a bola para a rede, virar o placar e dar início à festa no estádio Beira-Rio. O centroavante carimbou a classificação para a final e para a Libertadores, e ainda teve o mérito individual de ser o artilheiro da competição, com 15 gols marcados.
Bibiano Pontes
Para um zagueiro ser considerado bom jogador precisa possuir algumas características, força, inteligência, posicionamento e velocidade. Em se tratando desse quesito Bibiano Pontes era imbatível, tinha uma recuperação espantosa. Formou ao lado de Figueroa uma das melhores duplas de zaga da história do Inter. Pontes jogou no colorado por muitas temporadas. Foram dez anos vestindo a camiseta colorada de 1965 a 1975. Ele foi o segundo jogador que mais vezes atuou no Internacional, ao todo foram 524 perde apenas para Valdomiro com 803 atuações. Natural de General Câmara no interior do Estado, Bibiano foi trazido para Porto Alegre em 1964 por indicação de um cônsul do Internacional. Na época o técnico era Abílio dos Reis, famoso por conhecer muitos jogadores e saber identificar o talento de cada atleta em apenas um treinamento. Abílio não hesitou e chamou Pontes para integrar o grupo das categorias de base do Inter. Começou nos juvenis e logo já conquistou o título gaúcho da categoria em cima do arqui-rival, quebrando uma invencibilidade de 46 jogos. Em 1965 subiu para o time profissional e em 1968 assumiu a titularidade. Neste período como titular da defesa do Internacional Pontes conquistou muitos títulos. O mais importante deles sem dúvida nenhuma foi o Campeonato Brasileiro de 1975, que daria início a uma era de soberania do Internacional no Brasil. Também foi heptacampeão gaúcho confirmando a hegemonia de títulos do Inter dentro do estado. Em 1970 chegou a ser convocado para integrar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo do México. A lista continha 40 nomes, mas apenas 22 foram pra Copa. Antes de chegar ao Inter, Bibiano atuou no Interior, onde famosos mesmos eram seus irmãos. Daison era o mais velho e possuía uma ótima técnica, excelente no jogo aéreo, mas se destacou mesmo pela sua virilidade, catimba e violência. João tinha um chute forte não era tão técnico, porém batia tanto quanto seu irmão mais velho. Dentre os três irmãos, Bibiano foi o que mais ganhou notoriedade. No seu tempo de Inter teve como companheiros grandes jogadores como: Tovar, Claudiomiro, Dorinho, entre outros. A principal característica de Pontes sem dúvida nenhuma era a velocidade. Depois de 10 anos vestindo a camiseta do Internacional, conquistar o coração dos torcedores, afirmar-se como um dos melhores zagueiros da história do Clube e levantar muitas taças Bibiano teve ainda passagens por Londrina, Caxias e encerrou sua carreira no Criciúma em 1977.
Mauro Galvão
Ele era apenas um garoto de 18 anos, mas o espírito de liderança já estava nele. Tanto que Falcão, a estrela do Inter não pensou duas vezes antes de aconselhar o técnico Ênio Andrade a efetivá-lo no time. Assim começou a carreira do zagueiro Mauro Galvão, campeão nacional logo em suas primeiras partidas como profissional. A sorte foi importante, mas não a única qualidade de Mauro Galvão ao longo desses 20 anos de carreira. Extremamente técnico para um zagueiro, certa vez foi repreendido por Falcão por "não ter dado um bico". Atônito, Falcão ouviu do jovem zagueiro: "mas onde é o bico?". Justamente por acharem um desperdício contar com um jogador tão talentoso lá atrás é que muitos técnicos resolveram exercitar a criatividade às custas do futebol de Galvão. Na metade dos anos 80, Galvão jogava ao lado do técnico Pinga e do veloz Aloísio. Sem espaço na zaga, foi lateral-esquerdo de muito sucesso naquele time colorado e marcou um antológico gol de bicicleta em um clássico Gre-Nal. Mário Juliato, por exemplo, queria vê-lo atuando como os antigos centro-médios (hoje volantes avançados). Cláudio Duarte lançou-o como meia-armador. Ernesto Guedes colocou-o na lateral-esquerda, e Dino Sani chegou a dar-lhe a camisa 10. Na Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália, Galvão era o líbero do esquema de Sebastião Lazzaroni. E, pelo menos em termos de Seleção, acabou muito marcado pelo fracasso daquela equipe. Em todas essas funções Galvão se deu bem, mas em nenhuma tão bem como na quarta-zaga, onde se tornou o capitão da maioria das equipes que defendeu. Após rápida passagem pelo Bangu, do Rio de Janeiro, conquistou um bicampeonato estadual em 1989 e 1990 pelo Botafogo carioca, que desde 1968 não ganhava nada. O exílio voluntário no Lugano, da Suíça, durou até 1996, ano em que voltou ao Grêmio para ser novamente campeão brasileiro, às portas dos 36 anos. Quase aos 37, Galvão foi de novo campeão brasileiro e conquistou a Libertadores, dessa vez pelo Vasco.
Marinho Peres
Recém campeão brasileiro de 1975, então o maior título da história do clube, o Inter queria mais. E o presidente Frederico Arnaldo Ballvé, que sucedeu Eraldo Hermann, encontrou no serviço militar espanhol um grande reforço para o já muito qualificado time colorado. Em um lance ousado, incrível, logo no início de 1976, trouxe o paulista (também com naturalidade espanhola) Marinho Peres para o Beira-Rio. O zagueiro estava no Barcelona desde 1974 e teria que servir ao exército espanhol por um ano, fato que fez a diretoria do clube catalão cedê-lo ao Inter, facilitando sua saída. Mário Peres Ulibarri chegou para a disputa do Campeonato Gaúcho ainda na reserva de Hermínio, que formou a dupla de zaga campeã brasileira de 1975 com Elias Figueroa. E ganhou sua primeira chance logo em um Gre-Nal. Na época, dizia-se que sua presença era um risco, que o centroavante gremista Alcino, de quase dois metros de altura, poderia liquidá-lo já no primeiro jogo e que poderia haver guerra de beleza entre ele e Figueroa. Experiente, rodado, Marinho passou dando entrevistas durante toda a semana afirmando ser esta a estreia perfeita. Não deu outra: o Inter venceu por 2 a 0, gols de Carpegiani e Figueroa, e ele foi um dos melhores em campo. Ao final do jogo, ainda antes de entrar para o vestiário, disse: “Guerra com o Elias, não. Guerra com o adversário. Eu quero estar sempre entre os melhores”, acabou com a polêmica. A partir daí ganhou a titularidade e foi um dos líderes do time bicampeão brasileiro que foi melhor do que os outros adversários desde o início da competição, tornando a conquista quase como um protocolo a ser cumprido. Do lendário técnico Rinus Michels, com quem trabalhou no Barcelona, trouxe a contribuição da tática do impedimento, criada na grande seleção holandesa de 1974, a Laranja Mecânica, prontamente aceita pelo técnico colorado Rubens Minelli. Marinho gritava “sai” e todo o sistema defensivo se adiantava colocando os adversários em situação ilegal. Era uma linda e eficiente coreografia, quase sempre executada com perfeição.
Célio Silva
O torcedor colorado jamais vai esquecer o dia 13 de dezembro de 1992. Uma noite em que a felicidade veio ao encontro da Academia do Povo. Aos 43 minutos do segundo tempo o Beira-Rio transbordava de alegria, quando Vagno Célio do Nascimento Silva converteu um dos pênaltis mais importantes da história do Sport Club Internacional. Tal como Don Elias em 1975, com a camisa número 3 às costas, Célio Silva marcou época e concedeu ao Clube o quarto título nacional, o primeiro na Copa do Brasil. Sinônimo de liderança e determinação, o zagueiro Célio Silva se destacou no Internacional de 1991 a 1993. Assombrou goleiros e suas barreiras com um chute fortíssimo de direita. Anos depois, a mesma virtude que o consagrou em 1992 teve seu ápice. Em 1996, quando atuava pelo Corinthians, Célio Silva foi escolhido o “Canhão do Brasileirão”. No ano anterior, já tinha disputado o título com Roberto Carlos, ex-lateral-esquerdo de Palmeiras e de Real Madrid. Amargou o segundo lugar. O carioca de Miracema sempre chutou forte. Na infância, era comum quebrar as traves feitas de bambu. Em entrevistas, costuma dizer que era mais um chutador de faltas do que cobrador, dessa forma, procurava aprimorar mais a direção. Em 1997, Célio Silva foi convocado para Seleção Brasileira de Zagallo e lá sagrou-se campeão da Copa América, realizada na Bolívia. O zagueiro vigoroso também possuía uma personalidade marcante. Quando ainda estava no Beira-Rio resolvia problemas do grupo e individuais. Se houvesse a necessidade de falar com a diretoria, Célio Silva era o cara mais indicado. O carisma do zagueiro já mudou até horário de treinamento. Segundo Pinga, o companheiro de time estava irrequieto durante um treino. O filho pequeno havia sofrido um acidente doméstico e Célio Silva não tinha notícias do menino. No momento em que todos do grupo tomaram conhecimento do ocorrido, a curiosidade com o estado de saúde do garoto tomou conta do campo suplementar. O treino foi cancelado e Célio Silva pôde voltar para casa e ver seu pupilo. Atualmente, Célio, o Canhão, trabalha na descoberta de novos talentos. o ex-jogador é o responsável pelo centro de treinamento que leva seu nome na pequena Joanópolis, no interior paulista.
Lula
De 1965 a 1974 foi o ponta-esquerda do Fluminense (em 1967, jogou alguns meses no Palmeiras, emprestado). Conquistou três campeonatos cariocas. O pernambucano Lula causava furor entre os zagueiros, que eram incapazes de superar sua velocidade e dribles desconcertantes. No Internacional, atuou de 1974 a 1977, ganhando três campeonatos gaúchos e dois brasileiros. Mesmo em pouco tempo, causou polêmicas pelo comportamento rebelde fora dos gramados. De tal maneira que certa vez o técnico Rubens Minelli pediu demissão, e foi demovido pelo então vice-presidente de futebol Federico Arnaldo Ballvê. O mesmo Ballvê proferiu uma frase famosa sobre Lula: "Durante a semana ele nos incomoda, e no domingo incomoda os adversários". Irriqueto, técnico e impetuoso, Lula era o sangue quente do ataque colorado ao longo da conquista do bicampeonato brasileiro nos anos 70. O camisa 11 colorado se mostrou digno de se tornar ídolo dos torcedores, presença marcante naquela década de conquistas. De 1977 a 1979, jogou no Sport, se protagonizando pela velocidade e faro de gol. Na Seleção Brasileira, marcou dois gols em treze partidas.
Clauio Duarte
Um líder dentro e fora de campo. Este é Cláudio Roberto Pires Duarte, ou simplesmente Claudião, como é conhecido. Lateral-direito de boa técnica e muita dedicação dentro das quatro linhas, atuou em uma das décadas mais vitoriosas da história do Internacional. Durante sua carreira como jogador, Cláudio atuou apenas com a camiseta colorada. Oriundo das categorias de base do Clube, logo que subiu aos profissionais, em 1969, conquistou o título gaúcho daquele ano. A partir daí as conquistas não pararam mais. Até o fim de sua carreira, venceu títulos em todas as temporadas que atuou. O grande de time da década de 70 que teve seu auge no bicampeonato brasileiro de 1975 e 1976 começou a ser formado por Daltro Menezes aproveitando os jovens surgidos na base. Em 1969, os juniores do Inter haviam sido campeões gaúchos com uma campanha excelente. Daltro utilizou muitos destes jovens talentos para formar o grupo que seria multicampeão posteriormente. Neste grupo estavam Flavio, Escurinho, Jangada, Luiz Carlos, Paulo Cesar Carpegiani e o próprio Claudião “Foi muito bom participar desta equipe. Era um time formidável. Tive a oportunidade de jogar em todas as conquistas do Octa Gaúcho” comemora. Porém uma série de lesões no joelho abreviou a carreira do bom lateral direito. Os problemas ocorreram justamente no auge de sua forma física e técnica. No final do ano de 1977, às vésperas da convocação para a Seleção, após duas cirurgias no joelho o departamento médico do Inter anunciou que Cláudio não teria mais chances de seguir no futebol. Em março de 1978, Claudião trabalhava firme no departamento médico do Inter buscando ainda a recuperação de sua lesão. Foi quando o então presidente Marcelo Feijó e o vice de futebol Gilberto Medeiros o pediram para assumir durante uma semana o cargo de treinador do Inter, enquanto eles procuravam substituto para o então técnico Carlos Gaineti. Cláudio permaneceu durante quatro meses no cargo e foi o técnico mais jovem a dirigir o Inter, com apenas 26 anos. Além de jogador e treinador Cláudio Duarte também foi supervisor técnico em 1979, quando o Inter foi tricampeão brasileiro invicto, e diretor técnico em 2003, conquistando o bicampeonato gaúcho.
Chico Fraga
Lateral-esquerdo bicampeão brasileiro se destacou pelos gols em cobranças de faltas e de pênaltis Por Leonardo Fister Francisco Fraga da Silva, mais conhecido como Chico Fraga, nasceu em Porto Alegre no dia 2 de outubro de 1954. O atleta começou a carreira de jogador profissional no Internacional em 1975. No Clube, ele teve a oportunidade de trabalhar exaustivamente o fundamento da bola parada. Uma de suas referências foi o ponteiro direito Valdomiro. Na sua temporada de estreia no Inter conseguiu duas grandes conquistas. Em agosto, convocado para a Seleção Brasileira, ele foi campeão do Pan Americano no México. Entretanto, o maior título viria no final do ano. Jogando de titular na lateral esquerda, Fraga ajudou o Inter a conquistar o troféu do Campeonato Brasileiro pela primeira vez. No ano seguinte, o lateral participou da Olimpíada de Montreal, no Canadá, onde marcou gols de falta e por pouco não conquistou uma medalha olímpica. A Seleção terminou a competição em quarto lugar. Entretanto, o jogador venceria mais duas competições pelo Internacional: o octacampeonato gaúcho e o bicampeonato brasileiro. Em 1977, transferiu-se para o Náutico Capibaribe. Parou de jogar em 1986, aos 32 anos. Em 2001, trabalhando no departamento de futebol do Inter, Fraga propôs um projeto inovador. Uma equipe multidisciplinar para exercitar o treinamento de bolas paradas (faltas, pênaltis e escanteios). O grupo envolvido na atividade estudou todos os aspectos físicos, técnicos e emocionais que envolvem esse trabalho específico. A tarefa foi desenvolvida inicialmente nas categorias de base. Dois anos depois, com a chegada de Muricy Ramalho, a metodologia foi implantada no time profissional. Os resultados começaram a aparecer e o time colorado melhorou o seu aproveitamento nesses fundamentos.
Luis Carlos Winck
Quando surgiu para o futebol profissional Winck tinha apenas 18 anos, mas não se intimidou e já mostrou características típicas de um bom lateral. Tinha velocidade, força na marcação, bom passe e chegava com muita qualidade no fundo do campo para fazer os cruzamentos para área, uma de suas especialidades. Logo no início de sua carreira, Winck teve a honra de fazer parte de um dos grandes times da história do Internacional, a equipe que se sagrou tetra-campeã gaúcha em 1984. Jogando ao lado de grandes jogadores como Dunga, Mauro Galvão, e o uruguaio Ruben Paz, um dos melhores meias da década de 80, Luís Carlos Winck teve tranquilidade para, desde muito novo, mostrar toda sua qualidade. As atuações de Winck com a camisa do Inter foram tão boas que lhe renderam diversas convocações para a seleção brasileira. Ele disputou duas as Olimpíadas seguidas em Los Angeles no ano de 1984 e Seul. A Seleção Olímpica de 84 chegou a ser conhecida como Sele-Inter, devido ao grande número de jogadores colorados que defendiam o Brasil (apenas quatro não atuavam no Internacional). Em ambas as Olimpíadas Luís Carlos Winck voltou para a casa com a medalha de prata no peito. O lateral direito talvez seja um dos melhores jogadores brasileiros que não conseguiram ir à uma Copa do Mundo. Após jogar quase a década toda a década de 80 no colorado, Winck se transferiu em 1989 para o Vasco, ganhando no clube carioca seu único título nacional. Depois do título nacional de 1989, teve uma séria contusão, que acabou o tirando da disputa por um lugar na Copa de 1990.
Mahicon Librelato
Uma grande promessa do futebol do brasileiro, um jogador de técnica refinada e personalidade forte, que com apenas 22 jogos disputados com a camisa do Inter conquistou um grande espaço no coração dos colorados, e hoje sem dúvida nenhuma é um dos ídolos eternos de boa parte da torcida. Este é Mahicon Librelato. Catarinense de Orleans começou a sua carreira no futsal. Representando sua cidade ganhou vários campeonatos regionais, foi destaque num torneio chamado ‘Moleque Bom de Bola’ e realmente Mahicon era muito bom de bola. Desde cedo o garoto gostava de marcar gols e já tinha fama de artilheiro. Foi levado pelo seu tio Lussa Librelato para realizar testes nas categorias de base do base Críciuma. Era a chance que Mahicon precisava para mostrar todo o seu talento. No time catarinense foi ídolo da torcida. Em 2000 sagrou-se campeão catarinense de juniores. Em 2001 foi artilheiro do Campeonato Catarinense com 19 gols e vice-campeão. Na partida entre Críciuma e Sergipe pela série B Mahicon mostrou toda sua garra, força de vontade e oportunismo. Ajudou o time a não cair para a Série C ao marcar um gol, com ombro deslocado. No Inter a história não foi muito diferente. Mahicon foi uma aposta da direção que investiu pesado para ter o jogador no Beira-Rio. Librelato foi o responsável pela maior transação do futebol catarinense, até então, os valores giraram em 850 mil na compra de 50% do passe, mais 4 jogadores do Internacional cedidos por empréstimo. Mahicon brilhou e criou vínculos com a torcida colorada. Jovem, ágil e impetuoso, o catarinense encantou a todos. Marcou gols decisivos e mostrou ter estrela de um grande talento do futebol. Seu primeiro gol pelo Internacional foi contra seu ex-clube, na extinta competição Sul-Minas. O jogador não comemorou em respeito ao Tigre porém foi criticado pelo técnico Alexi Stival o Cuca do Criciúma, que discutiu com o jogador a beira do campo. Sempre que teve oportunidades no time titular Librelato não desapontou. Seu último gol pelo clube foi em uma vitória sobre o Paysandu por 2 a 0 em Belém, pela última rodada do Campeonato Brasileiro de 2002. A vitória salvou o Internacional do rebaixamento à Série B, o que o faz ser lembrado como ídolo pela torcida, além de seu carinho e identificação com o Internacional. Infelizmente dias depois sofreu um acidente de carro em Florianópolis e veio a falecer. Nos dias de hoje, pode-se ver em dias de jogos no Estádio Beira-Rio uma faixa que diz "Librelato Vive".
Claudiomiro
Autor do primeiro gol no Beira-Rio, chegou ao Inter com apenas 13 anos. Estreou nos profissionais com 16 anos, e tinha 18 quando fez o gol histórico contra o Benfica de Portugal. Chamado de Bigorna, fez parte, no início da carreira, de um ataque que tinha outros jogadores jovens - como Sérgio, Dorinho e Bráulio. Além de suas excepcionais características como centroavante, era também um excepcional cavador de pênaltis. Sempre em alta velocidade, ajeitando a bola para o pé direito - ou o esquerdo - antes de soltar a bomba, Claudiomiro foi o dono absoluto da camisa 9 do Internacional-RS entre 1967 e 1973.
Claudiomiro marcou o primeiro gol da história do Beira-Rio.
Gerson
O atacante Gérson começou a brilhar cedo no futebol brasileiro. Artilheiro da Taça SP de Juniores em 1984 pelo Santos, Gérson passou a comandar o ataque do Atlético-MG. Em 1992 veio para o Internacional e se tornou ídolo instantâneo da torcida colorada. O "nego Gérson" como era chamado carinhosamente pelos torcedores, fez belíssimos gols e foi fundamental nas conquistas dos títulos da Copa do Brasil, em 1992 - onde fez 9 dos 18 gols do time - e do bicampeonato gaúcho. Técnico e oportunista, ele formou dupla de ataque marcante com o carioca Maurício, outro jogador de grandes passagens pelo Internacional.Gérson também foi decisivo nos Gre-Nais da terceira fase da competição, dois empates em 1x1, nas duas oportunidades gols dele. Foi o artilheiro da competição por três vezes (recorde até hoje), em 1989 e 1991 pelo Atlético MG; e em 1992 pelo Inter. Em 1994, faleceu em razão do vírus da AIDS, do qual era portador.
Gamarra
Mais um grande zagueiro na vida do Internacional. O magnetismo que existe entre a Academia do Povo e defensores estrangeiros não é novidade para os colorados. O Clube já conviveu com o chileno Figueroa, nos anos 70 e o uruguaio Oscar Aguirregaray, na década de 80. O primeiro fez o gol iluminado contra o Cruzeiro, que deu o primeiro título em Brasileiros para o Internacional. O segundo integrou a equipe que venceu o Gre-Nal do Século. Gamarra surgiu em 1996 apenas para confirmar isso. O paraguaio chegou ao Inter sem muito alarde, depois de ter sido contratado junto ao Cerro Porteño. Na época com 25 anos, Gamarra desembarcou bem recomendado por Paulo César Carpegianni e de forma tímida jogou para se eternizar no coração dos colorados. A estréia aconteceu no confronto entre Internacional e Goiás, pelo Campeonato Brasileiro de 1996. O resultado foi 1x1, mas os milhares de torcedores que tomaram o Gigante testemunharam o nascimento de uma nova idolatria. Dali adiante, Gamarra já mostrava as credenciais que o levariam para a Seleção do Paraguai e em pouco tempo conquistou para si a braçadeira de capitão. Dentro de campo demonstrava força e alta qualidade técnica que o transformariam num dos defensores mais leais do futebol mundial. Possuía imposição na bola aérea e facilidade para sair com a bola dominada. Em 1997, o Internacional conquistou o Campeonato Gaúcho contra o Grêmio. Aquele jogo, ao seu final, expressava dois extremos: a alegria pelo título e a consternação pela saída ídolo paraguaio do Clube. Num último esforço, os colorados em coro pediam que Gamarra permanecesse no Internacional. A taça já não importava mais e sim a preservação de um futebol aguerrido e de qualidade, algo poucas vezes visto quando fala-se em zagueiros no Brasil. Após a passagem pelo Internacional, Gamarra esteve na Copa de 1998, defendendo seu país. Mostrou ao mundo como se joga 360 minutos de uma competição sem cometer uma única falta. Enfrentou, com o braço machucado, a pressão da seleção francesa composta Zinedine Zidane, Barthez e Thuram.
Figueroa
"A área é a minha casa, aqui só entra quem eu quero." Esse era o lema de don Elias Ricardo Figueroa Brander, o zagueiro-central chileno Figueroa, que no início dos anos 70 dividiu com Falcão a condição de maior ídolo do Internacional. No dia 14 de novembro de 1971, Figueroa desembarcou em Porto Alegre, comprado do Peñarol, do Uruguai (clube que defendeu nos primeiros quatro anos de sua carreira). Era uma espécie de resposta da diretoria colorada ao Grêmio, que pouco antes trouxera também um estrangeiro, o zagueiro uruguaio Ancheta, do Nacional, do Uruguai, um dos destaques de sua Seleção na Copa de 1970. Mas no Inter, Figueroa seria muito mais do que Ancheta foi no Grêmio. Com 1m84cm de altura, Figueroa era elegante, técnico e raçudo. Um zagueiro-central quase perfeito, que também sabia fazer dos cotovelos uma arma contra aqueles que ousavam invadir "sua casa", como Palhinha e Tarcísio acabariam conhecendo ao longo dos anos. Figueroa era um jogador espetacular, sendo eleito o melhor jogador do Brasileiro de 1975. Pelo Chile, disputou as Copas do Mundo de 1966, na Inglaterra, 1974, na Alemanha, e 1982, na Espanha, sendo eleito o melhor zagueiro da Copa de 74. Além de um grande atleta, Figueroa era um jogador diferenciado. Presença constante nas colunas sociais de Porto Alegre ao lado da bela esposa Marcela, ficou famoso pelo bom gosto por vinhos e pela literatura. Mas era no campo, com sua impressionante impulsão e seu domínio absoluto do posicionamento em campo, que Figueroa se tornou uma presença mítica, quase um Deus para os colorados. No Internacional, foi bicampeão brasileiro (1975 e 1976) e hexacampeão gaúcho (de 1971 a 1976). Foi dele o gol que deu a vitória por 1 x 0 sobre o Cruzeiro, na final do Brasileiro de 1975, que valeu ao Inter seu primeiro título nacional. Marcado de cabeça, na única faixa ensolarada sobre o gramado do Beira-Rio naquela tarde, e, por isso, batizado de "Gol iluminado". Capitão da equipe desde o primeiro jogo e apontado pela crônica especializada como o melhor jogador do continente por três anos consecutivos (1974, 1975 e 1976), Figueroa jogou sua última partida pelo Internacional em janeiro de 1977, sob as vaias da torcida inconformada com sua saída iminente. Depois, foi para o Palestino, do Chile, e encerrou a carreira no Fort Lauderdale, dos Estados Unidos.
Caçapava
Em meados de 1970, o Internacional começava a montar um dos melhores elencos que o planeta já presenciou. Foi nesta década que o Clube do Povo provou quem era o maior clube do Rio Grande do Sul e do Brasil. O novo estádio, inaugurado alguns anos antes, correspondia à expectativa da fanática torcida colorada, sendo palco de grandes jogos e de finais inesquecíveis. Daquele time, havia craques do meio-campo para frente, como Falcão e Paulo César Carpegiani, mas quem segurava os meias e os atacantes adversários? A resposta está na ponta da língua de todos torcedores da época: Caçapava. Batizado como Luis Carlos Melo Lopes, o apelido surgiu por causa da cidade onde nasceu, Caçapava do Sul, distante 263 km da capital. Em um time onde quase todos atacavam e tinham qualidade para isso, o volante Caçapava era o responsável pela guarnição da defesa colorada. Junto com Falcão, Carpegiani e depois Batista, formou um dos meio-campos considerados dos sonhos pelos colorados mais antigos. Como marcador implacável, anulou grandes craques que ousaram ameaçar os defensores do Inter, como Adãozinho e Palhinha, na final do Campeonato Brasileiro contra o Cruzeiro em 1975, e Geraldão, do Corinthians, em 1976. O volante deu seus primeiros passos no Gaúcho, time de Caçapava do Sul, então com seus 18 anos de idade. Em 1972 transferiu-se para o Internacional, onde, aos poucos, começou a trilhar o caminho das grandes conquistas. Em 1974, conquistou seu primeiro grande título com a camisa colorada, o primeiro Campeonato Gaúcho de muitos outros que estavam por vir – venceu também em 1975, 1976 e 1978. Um ano depois, deparava-se com um Beira-Rio completamente lotado para a grande final do Brasileirão, diante do forte Cruzeiro. Placar de 1 a 0 para o Inter, gol de Figueroa, por quem Caçapava nutria grande amizade. Em 1976, veio o bicampeonato, vitória de 2 a 0 em cima do Corinthians de Neca, Ruço, entre outros. Em um daqueles episódios curiosos do futebol brasileiro, o volante Caçapava tentava convencer o médico colorado, José Mottini, a não realizar operação no seu joelho direito. Depois da vitoriosa passagem pelo Internacional, o volante Caçapava atuou ainda no Corinthians, Palmeiras, entre outros clubes. Hoje, o ex-volante mantém uma escolinha de futebol na distante Teresina, no Piauí. Para os colorados que assistiram ao vivo aos craques da década de 70 desfilarem pelos gramados do Brasil, uma lembrança há de ficar. Caçapava era o cão de guarda da meia-cancha colorada, e não dava descanso e nem sossego para os atacantes e meias mais desavisados.
Fernandão
Fernandão, Capitão do Mundo
Se perguntarem a um colorado qual o maior ídolo da história do Internacional, o nome de Fernandão aparecerá entre os três mais citados. Fernando Lúcio da Costa foi simplesmente o capitão de duas das três maiores conquistas da história do Campeão de Tudo, o primeiro título da Libertadores e o Mundial de Clubes da FIFA, em 2006. De quebra, ele marcou o gol 1.000 dos Gre-Nais em sua estreia. Fernandão foi sondado por diversos clubes brasileiros. Após analisar diversas propostas, ele escolheu o Internacional. Quis o destino que a sua primeira partida pelo Colorado fosse um Gre-Nal. No dia 10 de julho de 2004, Fernandão entrou no segundo tempo do clássico, sofreu a falta que originou o primeiro gol e marcou o segundo da vitória vermelha por 2 a 0. O gol marcado pelo atacante era o de número 1.000 dos Gre-Nais. No mesmo ano o Inter chegaria à semifinal da Copa Sul-Americana, sendo eliminado apenas pelo Boca Juniors, que se sagraria campeão. Em 2005, houve a polêmica perda do título brasileiro e uma nova eliminação para o Boca Juniors na Sul-Americana. Os reveses serviram como aprendizado para a Libertadores de 2006. O Internacional fez uma campanha incontestável e, perdendo somente um jogo, faturou a Copa Libertadores pela primeira vez. O final do ano de 2006 reservava um desafio ainda mais difícil para o Internacional. O Campeonato Mundial de Clubes da FIFA chegava com um favorito absoluto: o Barcelona, que contava com melhor jogador do mundo na época, o brasileiro Ronaldinho. Após vencer o Al-Ahly por 2 a 1 na semifinal, o time Colorado credenciou-se para enfrentar os espanhóis. A equipe gaúcha não deu ouvidos aos prognósticos pessimistas. ”, expõe. Na decisão contra os catalães, o capitão abdicou de sua função ofensiva para ajudar a equipe na marcação. E foi justamente em um contra-ataque puxado por Iarley que Adriano Gabiru marcou o gol do título e o capitão Fernandão teve a oportunidade de erguer a taça mais importante da história do Inter. Em junho daquele de 2008, Fernandão recebeu uma proposta milionária para atuar no Al-Gharafa do Qatar. Com o coração partido, o capitão da Libertadores e do Mundial deixou o Clube. “Foi difícil. Eu chorei como uma criança no vestiário. Não consegui trocar duas palavras com o Fernando Carvalho quando ele me chamou para conversar. Mas eu sabia que era o momento de sair”, ressalta. Em julho de 2011, atendendo a um pedido do presidente Giovanni Luigi, Fernandão regressou ao Inter para atuar como diretor de futebol. “Não pensei duas vezes em aceitar o convite. Porto Alegre é a cidade que eu queria morar e o Inter é o Clube que eu amo de coração. É muito prazeroso estar aqui no dia a dia, trabalhar com os jogadores e passar aquilo que aprendi de futebol durante a minha carreira”, finaliza. Um ano mais tarde, assumiu como técnico do time para, em novembro de 2012, deixar novamente o Inter.
carpegiani
Nascido no nordeste do Estado, Paulo César estava sendo esperado no Grêmio quando um carro abordou o seu na estrada e foi convidado para treinar no Internacional. Rapidamente, sob o olhar atento do técnico Daltro Menezes, o talentoso meio-campista foi guindado ao time principal. Conhecido no Inter como Paulo César, começou a jogar na equipe principal em 1970. Adotou o nome Carpegiani na Copa de 1974, para não haver confusão com o outro famoso Paulo César, o Caju. Como não tinha vaga no meio, jogou de volante. Foi titular do time até 1976, sempre como um dos principais jogadores do time. No Internacional, Carpegiani participou de quase toda a série do octacampeonato gaúcho, foi bicampeão brasileiro e passou para a história como um dos maiores jogadores do clube em todos os tempos. Formado no futebol de salão, tinha total domínio da bola, visão de jogo e passe quase perfeito. Se Caçapava era puro vigor, e Falcão classe absoluta, Carpegiani era o toque técnico e habilidoso do meio-campo colorado nos anos 70. Em 1977, mudou para o Flamengo, onde no início dos anos 80 começou a carreira de técnico. Depois seguiu a carreira de treinador e, em 1998, foi o técnico do Paraguai que fez boa campanha na Copa do Mundo da França, se notabilizando por um eficiente sistema defensivo que era composto pelos colorados Gamarra e Enciso.
Falcão
Quando pequeno, ajudou o pai a carregar tijolos para a construção do Beira-Rio. Morando em Canoas, vendia garrafas velhas e cedo se deslocava para Porto Alegre para brilhar nas categorias de base do Inter, sendo inclusive convocado para a Seleção Olímpica de 1972.
Sob o comando de Dino Sani, Falcão assumiu a titularidade do Internacional em 1973. Aquele garoto magro e alto de cabelos loiros encaracolados de apenas 19 anos, começava a assinar com maestria o fantástico meio-campo do Internacional, que dominou completamente o futebol brasileiro na década de 70. Falcão, com suas assistências, lançamentos e passes precisos, classe e muita força na marcação, aliados a um potencial ofensivo imenso, levou o clube gaúcho a suas maiores glórias: um octacampeonato gaúcho e 3 campeonatos brasileiros. Além de ser o melhor jogador do Brasileirão por 3 campeonatos, Falcão marcou por seus gols. Dois deles entraram para a história do futebol brasileiro.
O primeiro foi nas semifinais de 1976 contra o Atlético-MG. Depois de um sufocante empate em 1x1, aos 47 minutos do segundo tempo, uma sequência de 7 toques de cabeça iniciada no meio-campo, acabando em uma tabela entre Escurinho e Falcão, que sem deixar a bola tocar no solo, desferiu um indefensável sem-pulo contra o goleiro Ortiz, gol que abriu o caminho para o título de 76.
Outro momento mágico foi na semifinal do campeonato brasileiro de 1979, Internacional enfrentava o Palmeiras em São Paulo. Falcão fez a melhor partida de toda a sua carreira. Com uma atuação simplesmente fenomenal fez 2 gols, incluindo o gol da vitória por 3x2, garantindo vaga nas finais daquele ano. Falcão que foi considerado o maior jogador do futebol brasileiro naquela temporada, acabou conquistando o ainda inigualável título de campeão invicto do campeonato brasileiro.
Na seleção, também marcou época. Por uma inacreditável teimosia, Cláudio Coutinho preferiu levar o tosco Chicão a Falcão, que ficou de fora da seleção brasileira, fazendo muita falta na Copa do Mundo de 78, vencida pela Argentina. Mas Falcão soube passar por cima desta adversidade e conquistou a vaga no meio-campo da seleção brasileira de 1982, que continha ainda Zico, Cerezzo e Sócrates, o chamado "quadrado mágico" do mestre Telê Santana. Marcou o 2º gol no jogo contra a Itália, em um chute impressionante de fora-da-área. Com o 2x2, o Brasil garantia a vaga, mas o carrasco Paolo Rossi marcou mais um e o Brasil deu adeus ao sonho do tetracampeonato mundial.
O grande meio-campo do Internacional levou o time à conquista do inédito Tricampeonato brasileiro invicto em 1979, inclusive marcando um dos gols da vitória de 2x1 sobre o Vasco da Gama na final do campeonato. Paulo Roberto Falcão pertenceu a uma elite de jogadores que se destacam pela inteligência e elegância com a qual atuava em campo. Era um craque tático, conhecido por estar por todas as partes do campo, dando sempre opção de jogo aos companheiros. Raça e obstinação eram outros atributos desse maravilhoso craque de bola.
Quando esteve no futebol italiano - atuando pela Roma - foi chamado de "Rei de Roma", quando conquistou para o clube o Campeonato Italiano de 1983, fato que não acontecia desde 1942. Idolatrado até hoje pelos italianos, Falcão voltou para o Brasil em 1985, encerrando a carreira pelo São Paulo.
Quando pequeno, ajudou o pai a carregar tijolos para a construção do Beira-Rio.
Escurinho
Escurinho, de cabeça, era gol certo
Escurinho costumava entrar e decidir as partidas no lendário time dos anos 70.
O primeiro jogo da decisão do Campeonato Gaúcho de 1975 estava complicado para o Inter. O Grêmio vencia o clássico por 1 a 0 no Estádio Olímpico e sua torcida cantava eufórica com a vitória parcial. Foi quando o técnico Rubens Minelli chamou Escurinho para entrar. O silêncio que tomou conta da torcida gremista quando ele se encaminhava à mesa para assinar a súmula. A torcida adversária parecia prever o gol de cabeça do meia, marcado aos 45min do segundo tempo, que empatou a partida e levou a decisão para o Beira-Rio, onde o Inter venceu e conquistou o sétimo título estadual consecutivo. Essa foi só mais uma das partidas decididas por Escurinho nos anos 70. O jogador era um reserva de luxo da equipe bicampeã brasileira em 1975/76 e costumava marcar gols importantes em jogos decisivos. A formação de Escurinho como jogador foi toda feita no Inter. Com 11 anos, ele começou sua trajetória nas categorias de base do Clube. Sua chegada à equipe profissional aconteceu em 1970, depois de Escurinho marcar 59 gols no Campeonato Gaúcho de juvenis do ano anterior. O início foi difícil. Garantir espaço na equipe era tarefa árdua e ele acabou sendo emprestado para equipes do interior gaúcho, voltando a seu clube de coração em 1972 para participar de campanhas vitoriosas em campeonatos regionais. Em 1974, foi titular absoluto do time que conquistou o hexacampeonato estadual. No ano seguinte, o Inter realizou uma excursão pela Europa e Escurinho não viajou por não ter renovado seu contrato antes da viagem. Durante a excursão, destacou-se o poder de marcação e o vigor físico de Caçapava, e Escurinho passou a exercer a função que definiu como “comandante do banco”. Na campanha do bicampeonato nacional, sempre que o técnico Rubens Minelli precisava de uma alternativa mais ofensiva, recorria a Escurinho. O jogador levava perigo no jogo aéreo, sua especialidade desde as categorias de base. Além de marcar gols, o meia participou de um dos lances inesquecíveis da história colorada, quando fez uma tabela de cabeça com Falcão que iniciou no meio-campo e terminou com a conclusão do camisa 5 já dentro da área do Atlético-MG, adversário naquela semifinal do Brasileiro de 1976. Escurinho deixou o Inter em 1978. Sua ligação com o Inter, porém, permaneceu até o dia de sua morte, em 27 de setembro de 2011, em razão de uma parada cardíaca.
Fabiano
O terror dos rivais
Fabiano marcou história com atuação magnífica no famoso Gre-Nal dos 5 a 2.
Sabe aquele camisa sete que nenhum zagueiro quer ver perto da sua área? Um atacante com força, velocidade e habilidade que quando tem a bola dominada vai pra cima da defesa causando pânico no adversário? Pois o Inter revelou para o futebol este grande atacante. Trata-se de Fabiano Souza, que no fim dos anos 90 fez história vestindo a camiseta colorada. Porém, o que pouca gente sabe é que ele começou a sua carreira com uma idade avançada para os parâmetros do futebol. Fabiano tinha 17 anos e jamais havia pensado em ser um profissional. Trabalhava em uma fábrica, na cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo, e jogava bola com seus amigos apenas por lazer. E foi justo um destes amigos que o levou às categorias de base do clube da cidade. O então garoto só aceitou porque tinha perdido o emprego. O que o jovem não imaginava é que a partir daquela decisão sua vida mudaria completamente. No início da carreira Fabiano passou por clubes pequenos de São Paulo, até ser descoberto no Juventus-SP pelo dirigente Silvio Silveira (que trabalha até hoje no departamento de futebol do Inter), que o trouxe para o Beira-Rio em 1996. A partir daí sua vida mudou completamente. O Colorado foi o primeiro grande time que lhe dera uma chance, e Fabiano não decepcionou, pelo contrário, deu muitas alegrias aos torcedores colorados. Em 1997 o ataque era formado por uma dupla mortal: Fabiano e Christian aterrorizavam a vida dos zagueiros.O que iria marcar para sempre a história de vida do nosso ídolo eterno de hoje era o dia 24 de agosto de 1997. O Gre-Nal era válido pelo Campeonato Brasileiro. Foi um passeio da equipe colorada em pleno domínio gremista. Fabiano, já consagrado, acabou com seus marcadores, marcou dois gols e participou de outro marcado por Sandoval. Christian abriu o placar em uma bela cabeçada, ainda no começo do jogo, após cruzamento perfeito de Enciso. Aos 32min, Sandoval ampliou após magistral jogada de Fabiano, que deixou Rivarola sentado e passou para ampliar o marcador. Fabiano começou sua festa nas redes tricolores aos 16 minutos do segundo tempo: 3 a 0 após rebote de Murilo. Logo aos 23min, mais um gol do ponteiro, em um belíssimo chute cruzado, sem chances para Murilo. O meia Marcelo marcou o último gol da goleada aos 38min do segundo tempo, após chute de Luciano e rebote de Murilo. Nas gerais, os poucos gremistas que permaneciam no estádio olhavam atônitos a festa completa da Nação Colorada. O Grêmio ainda descontou com Gilmar, mas o dia estava marcado como o dia do Inter, o dia de Fabiano.
Dunga
Legítimo representante do viril futebol gaúcho, Dunga era da Fiorentina quando foi convocado para a Copa de 1990. O então técnico brasileiro, Sebastião Lazaroni, estava tão empolgado com o vigor daquele volante que decretou: o Brasil entrava na Era Dunga. Isso despertou temores de que o futebol brasileiro tinha chegado ao fim do glorioso ciclo criativo, em que meias e atacantes maravilhavam o mundo. Para os críticos de Lazaroni, aquela experiência não poderia acabar de outra maneira: o Brasil foi eliminado logo na segunda fase do Mundial mostrando um futebol de time pequeno. Dunga e a era que levava o seu nome foram o símbolo daquele fracasso. Hostilizado pela imprensa e pela torcida, sua história com a camisa amarela parecia ter terminado ali mesmo. Mas, quatro anos depois, veio a recuperação. Dunga reaparecia entre os relacionados para a Copa de 1994. O comando nos Estados Unidos era para ser de Raí, que no entanto acabou perdendo o lugar no time. Quando a tarja de capitão foi parar no braço de Dunga, os puristas esbravejaram. Mas o volante respondeu em campo. Jogou bem, marcou melhor ainda - ninguém roubou tantas bolas quanto ele naquele Mundial - e, ainda por cima, deu passes precisos, como o que colocou Romário cara a cara com o goleiro Bell, de Camarões, para abrir o placar no segundo jogo da Seleção. Não havia como negar: se Dunga inaugurou uma era, ela não era sinônimo de fracasso. No fim da Copa, quando ele ergueu a taça, repetindo o gesto de Bellini, Mauro e Carlos Alberto, Dunga não hesitou em soltar o grito quatro anos entalado na garganta. "Isso é pra vocês, seus traíras", esbravejou o capitão, em meio a muitos palavrões, sem se importar com a presença, ao seu lado, do vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Em 1998, já sem a mesma pegada mas ainda com o espírito de liderança, Dunga participou da campanha do vice-campeonato na França. Depois de uma bem-sucedida carreira internacional - no futebol italiano, alemão e japonês -, Dunga retornou ao Brasil, em 1999, para defender novamente o Internacional, seu primeiro clube. Fez o gol que livrou o Inter do rebaixamento no Brasileiro, contra o Palmeiras na última rodada da competição. Dunga assumiu o comando da Seleção Brasileira entre 2006 e 2010, tendo conquistado o bronze olímpico, a Copa América e a Copa das Confederações. Em dezembro de 2012 assumiu o comando técnico do Internacional. Em outubro de 2013 deixou o cargo com a conquista do Gauchão no currículo.
Dario
Contratado por uma fortuna em 1976, Dario estreou em um amistoso contra o Esportivo. Tinha tanta gente no Beira-Rio que só a renda da partida foi suficiente para quitar o passe do centroavante. Ao contrário de craques como Figueroa, Falcão, Paulo César e Valdomiro, Dario Maravilha era um jogador desengonçado, grande, mas sempre capaz de colocar a bola para as redes. Só tinha técnica para uma coisa: o cabeceio, e neste ponto era o melhor jogador do futebol brasileiro. Tinha tanta impulsão que parecia parar no ar, gerando um dos seus primeiros apelidos dentro do futebol. Dario foi artilheiro do Brasileiro de 1976, inclusive marcando o primeiro gol na decisão, vitória de 2 a 0 sobre o Corinthians. No ano seguinte, pegou uma forte pneumonia que afetou seu rendimento e Dario deixou o Internacional, mas já havia marcado de forma indelével seu nome na história do clube da Padre Cacique. Outro traço marcante da carreira de Dadá, é que foi o grande rei do marketing pessoal dentro e fora das quatro linhas. Muito mais pela retórica e pelas centenas de gols do que pela pouca intimidade que mostrava com a bola nos pés. Dario Peito-de-aço, Dadá Beija-Flor e Rei Dadá são apenas alguns dos muitos apelidos que acompanharam o atacante durante os seus 21 anos de carreira. Além dos nomes, Dadá foi um grande "filósofo" do futebol brasileiro. Suas frases certamente estarão para sempre na memória dos torcedores de todo o país. O irreverente Dadá "Não venham com a problemática, que eu tenho a solucionática", "só existem três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá", "depois do Garrincha, Dadá é a maior alegria do povo", "eu me preocupo tanto em fazer gols, que não tive tempo de aprender a jogar futebol", "Garrincha, Pelé e Dadá têm de ser currículo escolar", "não existe gol feio; feio é não fazer o gol". Exemplos das "pérolas" do primeiro marqueteiro do futebol brasileiro. Foi o goleador do Brasileiro de 1976 e decisivo na conquista do Octa Gaúcho.
Christian
Apelidado pelos torcedores de Jesus Christian, jogador foi o maior artilheiro do Inter em uma só edição do Brasileirão. O atacante Christian Corrêa Dionísio é mais um dos ases oriundos do Celeiro Colorado. Natural de Porto Alegre, o jogador nasceu em 23 de abril de 1975. Começou nas categorias de base do Inter em 1989. Três anos depois, o atleta tentou a carreira no futebol português, entretanto, não obteve êxito. Apesar do revés nos gramados, ele considera que sua primeira passagem pela Europa valeu como experiência. Em 1996 ele retornou ao Internacional, mas foi na temporada seguinte que sua estrela brilhou. Em 1997 ao lado de Fabiano, Christian formou uma das mais bem sucedidas duplas de ataque do Internacional. Juntos, eles ajudaram o Inter a conquistar o título gaúcho, em cima do Grêmio, e a terminar o Campeonato Brasileiro de 1997 na terceira colocação. O centroavante terminou a competição com 23 gols e tornou-se o maior artilheiro do time em uma só edição do Brasileirão. A temporada de 1997 também ficou marcada pelo “Gre-Nal dos 5 a 2”. No dia 24 de agosto, o Colorado foi até o estádio Olímpico e aplicou uma goleada histórica no maior rival. Christian fez o primeiro gol da partida. Suas boas atuações no Internacional o levaram até a Seleção Brasileira. Em 1999, o atleta fez parte do grupo campeão da Copa América. No mesmo ano, o esportista transferiu-se para o Paris St. Germain (França). Apesar das dificuldades iniciais, o jogador conseguiu se adaptar. Em 2001, Christian foi para o Bordeaux (França). No ano seguinte teve rápidas passagens por Palmeiras e Galatasaray (Turquia). Entre 2003 e 2004 jogou pelo Grêmio. Nas duas temporadas subsequentes, o atleta passou por Omiya Ardija (Japão), São Paulo, Botafogo, Juventude e Corinthians. Em 2007, retornou ao Internacional e participou da conquista da Recopa Sul-Americana. No início de 2008, Christian mudou-se para a Portuguesa. Antes de encerrar a carreira, o atleta passou por Pachuca (México), Monte Azul, Pelotas e São Caetano.