Os primeiros treinos do Inter, em 1909, foram em um terreno baldio no fim da Rua Arlindo, entre a Saldanha Marinho e José de Alencar. Em 1910 o time foi para o Campo da Várzea, dividido com o time do Colégio Militar, na Volta do Cordeiro (referência ao comerciante português José Antônio Cordeiro, que cedeu um galpão onde os jogadores guardavam as goleiras depois de cada treino e jogo, para evitar que elas fossem roubadas por ladrões de madeira). Sulcos no chão eram marcados com leite de cal para demarcar as linhas do gramado, em dias de futebol.
Depois de algumas divergências com os alunos do Colégio Militar, em 1912 o Inter alugou a Chácara dos Eucaliptos. Era uma alameda com frente para a Rua da Azenha, no início da José de Alencar, o primeiro local de jogos exclusivo do Inter. Tinha uma cerca de tábuas, e um portão de madeira firmado em colunas de alvenaria, parapeitos, vestiários com cobertura de zinco e chuveiros, e arquibancadas de madeira, construídas nos próprios eucaliptos, que firmavam a sua estrutura. Em 1928 o dono da chácara comunicou a intenção de venda do terreno. O Inter tinha prazo e preferência de compra, mas não possuía o dinheiro, 40 mil contos de réis.
Estádio foi erguido no coração do bairro Menino Deus.
Em 1929 o engenheiro Ildo Meneghetti foi eleito como presidente do Inter e encontrou um terreno disponível na Rua Silveiro, que na época estabelecia o limite da cidade de Porto Alegre. O Inter fez a compra, e teve, finalmente, o seu primeiro patrimônio, 20 anos depois de sua fundação. Meneghetti colocou à venda ações para a construção do novo Estádio dos Eucaliptos.
A inauguração foi em março de 1931, com um Gre-Nal, vencido pelo Inter por 3 a 0. O Eucaliptos (que mais tarde ganhou o nome de Ildo Meneghetti) tinha inicialmente 10 mil lugares, com um pavilhão de madeira na Rua Silveiro e uma arquibancada de cimento no lado oposto.
Para a Copa do Mundo de 1950 o pavilhão da Silveiro também passou a ser de concreto, por conta da Confederação Brasileira de Desportos, CBD. O Mundial teve dois jogos no estádio - Suiça x México, e México x Iugoslávia.
Torcida em momento de vibração nos Eucaliptos.

A última partida no Eucaliptos foi disputada em março de 1969: o Inter ganhou do time mais antigo do futebol brasileiro, o Rio Grande, por 4 a 1; o velho ídolo Tesourinha entrou só no final, jogou alguns minutos, e arrancou a rede de uma das goleiras. O estádio resistiu ao tempo por mais de 80 anos no bairro Menino Deus. Em agosto de 2010, foi anunciada a sua venda para uma construtora.
Exatamente no ano em que estava terminando uma longa hegemonia do Inter no futebol gaúcho, 1956, começou a história da construção de um grande estádio, o Beira-Rio. No dia 12 de setembro de 1956, o vereador Ephraim Pinheiro Cabral, um homem do futebol, que por várias vezes presidiu o Inter, apresentou na Câmara de Porto Alegre o projeto de doação de uma área que seria aterrada no rio Guaíba.
Na verdade o Inter estava ganhando era um terreno dentro da água. Só em 1959 o clube fincava as primeiras estacas do Beira-Rio.
Adesivo para a construção do Beira-Rio
O Beira-Rio foi construído em grande parte com a contribuição da torcida, que trazia tijolos, cimento e ferro para a obra, inclusive do interior. Nesse sentido, havia programas especiais de rádio, para mobilizar os torcedores colorados em todo o Rio Grande do Sul. Consta que até Falcão, mais tarde ídolo colorado, chegou a trazer tijolos para a construção.
Na década de 60, uma época difícil para o Inter no futebol, o Beira-Rio, ironicamente chamado de Bóia Cativa parecia que jamais seria concluído. Cansados das derrotas do time nos Eucaliptos, ali pertinho, os torcedores saiam para ver as obras do novo estádio. A gente torcia por pedreiros, lembram os colorados daquele tempo.Na foto ao lado lançamento da Pedra Fundamental.
Finalmente o Beira-Rio foi inaugurado no domingo de 6 de abril de 1969, dois dias e 60 anos depois da fundação do Inter.
No jogo inaugural, contra o Benfica de Portugal, Claudiomiro faz o primeiro gol do Inter no estádio. E de repente um homem grande começou a chorar, e a abanar para a torcida, enquanto dava a volta olímpica no gramado: era Rui Tedesco, o engenheiro que concluiu o Beira-Rio. Emocionados estavam também os dirigentes, mas nada era maior do que o orgulho dos torcedores. Naquela tarde nascia o Gigante da Beira-Rio.
Na noite de 7 de abril de 1969, uma segunda-feira, a Seleção Brasileira venceu o Peru por 2 a 1, na inauguração dos refletores do Gigante, como também é conhecida a casa do Internacional. E o festival continuou, com a presença da seleção da Hungria, Peñarol do Uruguai, Grêmio. Nos anos seguintes, o Beira-Rio recebeu a Seleção Brasileira em várias oportunidades, em jogos contra a Tcheco-Eslováquia, Escócia, México, Paraguai, Romênia, Uruguai, Argentina, Alemanha.
Atualmente está sendo reformado para melhorias, incluindo a cobertura total, pretendem atualizar o Estádio Beira-Rio dentro dos padrões internacionais da FIFA para que esteja apto a receber jogos da Copa do Mundo. O Brasil será o país-sede da competição de 2014 e Porto Alegre foi confirmada como uma das cidades-base, recebendo um grupo do torneio e tendo o Estádio Beira-Rio como candidato a receber jogos do mundial. Em março de 2006, realizando a vistoria do estádio, o diretor de segurança e estádios da FIFA, Walter Gagg, elogiou o complexo e seu gramado, tendo previsão de término para dezembro de 2013.
Fotos desde o inicio da construção do Estádio Beira-Rio até a sua inauguração.
