Tem gente No Metallica apaixonada por João gilberto, Tom Jobim. Mas o som do novo disco é a porradaria de sempre.

 São 11h da manhã e Kirk Hammet caprichou no visual. Óculos de lentes roxas, cabelo com gel, camisa de acetato colada no corpo... Sob o sol que invade o restaurante de um hotel de luxo em Sausalito (cidade próxima de SF), o guitarrista do Metallica personifica bem a metamorfose por que a banda passa desde Load. Mais sintonizados com sons contemporâneos e fugindo do rótulo heavy metal como diabo foge da cruz, os metaleiros dizem que  “alargaram os horizontes culturais”.

Antes de falar do novo disco Re – Load, segurando um frasco de vitamina ginseng, Kirk pede para dar uma olhada na carta de vinhos e desanda falr de... bossa nova! O guitarrista empolga –se com a técnica de João Gilberto e diz que Tom Jobim é uma de suas inspirações. Só se enrola na hora de explicar como isso pode se refletir no som pesado do Metallica. “Fico muito atraído pelo ritmo e pelo som de letras cantadas em espanhol ,ops, português... A língua de vocês é muito lírica, tem muitos ahhh. É tão bonita...”

Kirk reconhece que a mistura de raças entre a mãe espanhola e o pai irlandês contribuiu para criar seu eclético gosto musical. Ele agora freqüenta clubes de SF para escutar Jazz e Salsa. Sou meio obsecado por aprender outros tipos de música. Mas seu interesse não chega ao Haight – Ash –Burry, bairro hippie de SF. “Desde quando eu era criança, havia muitos hippies por aqui e eu nunca gostei deles. Não gosto de Greatful Dead nem de patchuli”, detona. E aproveita o momento heavy metal para descer pau no show de David Bowie que havia assistido semana passada. “Não gostei da jam tecno que eles fizeram por uns 15 min. Preferi ir comprar cerveja. Achei uma droga.

Re – Load é uma continuação de Load, mas está distante das origens da banda. A banda está experimentando ir além do metal. Se não fizessemos coisas diferentes, provavelmente acabaríamos com a banda. Tanta fome por novidade não bate muito com o lançamento de um álbum a partir das... sobras de Load. “Somos muito criativos”. Só não fizemos Load um álbum duplo na época por que demoraríamos o dobro do tempo em estúdio e queríamos sair logo em turnê. Para ele, lançar o disco foi a única maneira de colocar um fecho em parte do trabalho desenvolvido naquela época. “Se não tivéssemos um prazo, provavelmente estaríamos trabalhando em Load até agora. É difícil determinar quando a música já está legal, mas pra isso que serve o nosso produtor, Bob Rock.

Antes de ir embora, ele mostra uma tatuagem na barriga escrita “Born in San Francisco – 11.8.62”. Desconversa ao falar sobre um possível assédio sexual depois da mudança de visual. Mas admite. “Sei que sou meio obcecado por sexo”. Com mulheres. Morando na capital do homossexualismo, Kirk reage com diplomacia ás cantadas masculinas. “ As vezes ou assediado por homens, mas o assédio é muito maior por parte das mulheres. – e tenho uma namorada”.

Sai Kirk e entra o baterista Lars Ulrich. Bermudão e camisa regata branca, ele impressiona pela bronzeado, principalmente considerando que ele passou as últimas semanas trancado no estúdio. “Você falou com Kirk antes?”, pergunta ele, apontando para a garrafa vazia de ginseng. “Ele só bebe esse troço agora, isso engorda pra caramba”.

Em entrevista publicada pela revista Kerrang, o baterista teria dito que Re – Load pareceria com Spice Girls. Brincadeirinha claro! “Dei essa declaração apenas para causar alguma reação. No mundo do rock pesado ninguém se refere a elas. Ele defende o novo diso como continuação de Load: “Load está a milhas á frente dos outros álbuns do Metallica. Ok, mas o álbum preto que vendeu mais de 20 milhões de cópias? Lars responde com discurso: “Fazer aquele álbum foi muito difícil. A turne de 3 anos também foi barra. Naquele ponto poderia Ter acabado com a banda. Onde esta o Guns ‘n’ Roses? O Police gravou um grande álbum e se separou em seguida. É muito difícil lidar com a fama em proporções assim. Veja o que aconteceu com Kurt Cobain... Mas nós sobrevivemos. E isso me da orgulho!

Mas o que passou, passou. “Nossas mudanças interiores aparecem na nossa música. Não sabemos fingir. Somos honestos e emocionais. Mudamos na frente de todos”.

Reload conta com a participação especial de Marianne Faithfull, musa de Mick Jagger na década de 60, é a grande surpresa no novo disco do Metallica. Ela canta na faixa Memory Remains. Nunca tivemos nenhum convidado cantando em nossos álbuns. E ela era a voz certa para o que queríamos, define Lars. “Marianne concordou logo de cara em gravar com a gente. Ela é fucking cool! Nos encontramos em Dublin, gravamos tudo rapidinho e depois ficamos batendo papo e tomando vinho”.

  Matéria feita pela revista Showbizz – edição nº 148, novembro.

Voltar

 
Hosted by www.Geocities.ws

1