Filho de hippies

Em 10 de fevereiro de 1962 nasceu, na cidade de San Francisco, California, Clifford Lee Burton. Seus pais foram Jan e Ray Burton, hippies da época. Sempre foi uma pessoa excêntrica. Às vezes era grosseiro. Sua maior qualidade foi ter sido sempre muito honesto com todos. 
Teve uma boa formação musical. Era estudioso. Conhecia bastante a teoria, principalmente harmonias e melodias. Além disso, tinha uma incrível noção de ritmo. Teve influências de Geezer Butler (Black Sabbath), Geddy Lee (Rush), Stanley Clarke (baixista de jazz). Admirava Lemmy Kilmister pelo modo de usar distorção. Das bandas, gostava do que Glenn Danzig produzia (ouviu Misfits e Samhain), de Thin Lizzy e de Black Sabbath dos tempos de Ozzy Osbourne. 

Cliff e o Metallica

Antes de entrar no Metallica tocou na banda Trauma. No mês de agosto de 1982, quando se apresentava no festival Whiskey-a-go-go, conheceu James Hetfield e Lars Ulrich. Eles ficaram impressionados com o estilo e a técnica do baixista, convidando-o para se juntar ao Metallica. Depois de três meses de insistência, Cliff aceitou com a condição de que a banda se fixasse em San francisco. Quem tocava baixo anteriormente era Ron McGovney. 
A primeira fita demo que gravaram foi em 5 de março de 1983, chamada NO LIFE 'TILL LEATHER. Em seguida conheceram o produtor Jon Zazula, do selo Megaforce. Foram então para Nova York gravar o primeiro disco. Quando assinaram com a Elektra Records, foram criticados pelos fãs. Diziam que a banda entrava em um grande selo só para ganhar dinheiro. 
Fizeram grandes shows até 1986. Abriram para Venom, pioneiros do death metal, e mais tarde para Ozzy Osbourne. Em Donnington, 1985, tocaram na mesma noite de ZZ Top. No festival Day on the Green, 30 de setembro do mesmo ano, havia 60.000 pessoas na platéia. Yngwie Malmsteen também se apresentou nesse dia. 

Depois que Cliff Burton morreu na Europa, durante shows da Master of Puppets Tour, o Metallica se popularizou muito mais. Gravaram o primeiro videoclip e venderam milhões dos novos álbuns. Perderam, porém, um pouco de sua identidade thrash metal. 

Em setembro de 1986, o Metallica excursionava pela Europa, com a turnê Masters Of Puppets. Depois de uma série de apresentações nos Estados Unidos, abrindo para Ozzy Osbourne, era a vez de mostrar o novo show aos europeus. O acidente de ônibus que vitimou Cliff Burton ocorreu quando a banda viajava de Estocolmo para Copenhague. Foi às 6h15 da manhã do dia 27 daquele mês. Acompanhe abaixo os detalhes da tragédia. 

Shows na Europa

Depois de shows em Oslo (Noruega) e Lund (Suécia), o Metallica chegava em Estocolmo. James Hetfield havia ficado três meses sem tocar guitarra devido a um acidente com skate. O roadie John Marshall estava o substituindo. A apresentação da noite de 26 de setembro criava uma expectativa a mais. Com tudo correndo bem na Suécia, a banda partiu de madrugada para a Dinamarca, país natal do baterista Lars Ulrich. 

Os lugares no ônibus 
No ônibus da turnê viajavam os quatro músicos, o manager Bobby Schneider, os roadies Marshall, Aidan Mullen e Flemming Larsen, além do motorista. Havia uma certa disputa pelos lugares onde dormiam. O lugar mais dispustado era o que Kirk Hammett ocupava. 
Frente às discussões, decidaram tirar no baralho a sorte de escolher um espaço nos beliches. Quem tivesse a carta mais alta tinha a preferência. Kirk tirou um dois de copas e Cliff um ás de espadas. Então este escolheu mudar para onde o guitarrista estava. 

Gelo na estrada: o acidente

O acidente ocorreu quando, supostamente, o ônibus derrapou no gelo que havia na pista. O motorista perdeu o controle perto de uma cidade chamada Ljungby (ainda na Suécia). O lado direito, onde dormiam Cliff e dois roadies foi o mais prejudicado. O baixista, na parte de cima do beliche, foi atirado para fora, quebrando a janela. O veículo tombou e caiu em cima dele. Teve morte instantânea. 
Kirk ficou inconsciente por alguns segundos. Acordou, ouviu quase todos gritando, escapou pela saída de emergência, olhou para o lado e viu o companheiro morto. 
Ficaram presos nas ferragens, por quase três horas, Mullen e Larsen, os técnicos das guitarras. Lars quebrou um dedo do pé e os outros tiveram ferimentos leves. 
Depois de irem para o hospital, Schneider reuniu todos e disse para que a banda voltasse ao hotel. A reação de James foi a seguinte: "Banda? Não existe mais 'banda'! Agora são apenas três caras." 

Futuro do Metallica sem o baixista

Passado o estado de choque em Kirk, Lars e James, decidiram continuar com seu trabalho. A última coisa que Cliff gostaria é que parassem naquele momento. Começa então uma nova fase da vida do Metallica. Sem seu representante mais excêntrico, seu melhor músico, a banda perde o posto de símbolo do thrash metal. Haviam criado o estilo, junto com os comtemporâneos Exodus, Anthrax e Slayer. 
Já foram lançados três álbuns depois de Master of Puppets. São bons discos, é verdade, mas fogem do que ficou definido nos anos de Cliff Burton. O novo baixista, Jason Newsted, está muito distante de seu antecessor. Não apresenta a mesma técnica nem o 'espírito do thrash' que via-se em Burton. 
(No terceiro álbum do Megadeth, lançado em 1987, há uma música em homenagem ao músico. Chama-se In my darkest hour.) 
Apesar de tudo, o Metallica ainda apresenta qualidades e é claro que merece respeito. Só é necessário distinguir as duas fases: pré e pós-morte de Cliff Burton.

 

 

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