De modelito fashion e cabelo curtinho, o Metallica quer sair do reduto.

Você se lembra da minha voz? Continua a mesma. Mas meus cabelos.... quanta diferença! O texto vale tanto para o comercial de xampu, quanto para o Metallica, que volta depois de 6 anos sem lançar um novo álbum e está a  3 anos praticamente fora do circuito. Eu podia esperar tudo do encontro com a maior banda de heavy metal do mundo...

Entro no Right Trax Studios, onde James, Lars, Jason e Kirk gravam seu tão esperado álbum. Primeiro o Staff da gravadora providencia - cheia de dedos – que eu ouça as únicas sete músicas prontas do disco. O pequeno gravador que carrego tem de ficar do lado de fora da sala. “Questão de segurança, sabe? Pra evitar pirataria...

As faixas com nomes provisórios rolam. O nome do disco também não pode ser revelado. Mais tarde é divulgado que o bicho vai se chamar Load. Se é muito diferente do Metallica que nós conhemos? A princípio não. A mesma reação que você teve quando viu a pinta dos caras, tenho elevado a milésima potência. Pensei que a entrevista fosse com o Metallica,não com os Chili Peppers! O baterista Lars Ulrich, com gel no cabelo e sapato 2 cores, pergunta. “E aí? Tá gostando? Você é o 1º estranho a ouvir as nossas músicas. “Estamos um pouco ansiosos...”

James completa: é , não sabemos como vão reagir a este álbum. Ele tem mais suingue, mais groove do que os outros. Mas me parece que você está encarando muito bem...” Lars insiste: Tá gostando mesmo?”

Atônito, eu só consigo me dirigir ao guitarrista Kirk Hammet e comentar que está a cara do Dave Navarro, dos Chili Peppers! James, Lars e Jason caem na gargalhada. Kirk , com uma camisetinha de renda, também. Mas é Lars quem responde por ele. Há – há... Ouvimos isso todos os dias... Ele está igualzinho mesmo! Kirk reage a brincadeira: Filha da Puta!!!

Embora os caras estejam na maior correria, o clima é ótimo no estúdio. Não há mais tempo para pentear o novo álbum que sai no dia 3 de junho. “O disco terá 14 músicas e nós só gravamos 7 delas... “Não paro de Ter idéias e ainda continuo escrevendo algumas letras”. Conta James. “É assim mesmo... este trabalho está saindo a 5 anos... Não esquenta não!” Segundo James o atraso tem explicação. “Desde o primeiro disco, só compúnhamos durante as turnês. Desta vez resolvemos ficar em SF para compor. Aí pintou a dispersão. “Em casa, com os amigos e famílias por perto, sempre aparecem coisas mais interessantes para fazer. "Agora tivemos de vir a NY para nos concentrarmos no trabalho. “Nós já temos 29 músicas prontas e continuamos criando! Já fizemos material para uns 3 discos!” completa Lars. Tanta criatividade, segundo a banda é resultado do amadurecimento pessoal e musical. Estamos com a cabeça mais aberta e não temos mais medo de experimentar coisas novas. Muitos dos grooves deste disco vem de soul music, que eu venho escutando direto. Também adoro disco music dos anos 70 confessa Kirk. Até Michael Jackson? Ë claro! As partes de guitarra são sensacionais. Estou pensando em colocar algumas coisinhas no Metallica...Já Jason rasga ceda para o amigo Andreas, seu parceiro num projeto paralelo chamado Quarteto de Pinga. “O Sepultura hoje é umas das melhores bandas do mundo. Andreas é um dos guitarristas mais brilhantes que já vi tocar. Mas prefiro não falar disso em entrevistas do Metallica. James aproveita a deixa para e retoma o assunto novas influências. “É ótimo que estejamos ouvindo sons novos. O Heavy Metal se transformou num antigo clichê e temos que dar um passo a frente. Estamos mais velhos, temos outros interesses..

A idade da banda também justifica a mudança no visual. Lars apareceu de cabelo cortado no Monster of rock, no ano passado. “Não sou mais moleque. Praticamente nasci de cabelo comprido. Cansei daquele look metaleiro com camiseta preta e calça apertada. No Heavy Metal, as pessoas são radicais e ficam te forçando a se enquadrar naquele estilo. Isto é ridículo! Desabafa Lars. James encara a questão filosofia do tudo – pelo – social. “O cara gosta de vários tipos de música, mas tem de aparentar ser uma criatura do Metal. Aí você vai a um clube de Jazz e paga o maior mico. Temos de ser mais sociáveis”.

OK, mas afinal, esse Metallica moderninho e todo fashion é a tampa do caixão de um defunto chamado Heavy Metal? “O público está sufocado com o radicalismo que sempre imperou no metal. Tem uma hora que a brincadeira perde a graça. Aquele blábláblá metálico enche o saco! O Heavy Metal é uma merda! Sentencia Lars. “Eu nem sei mais o que é Heavy metal. Soundgardem é heavy metal? Alice in Chains é heavy metal? Não sei sequer se o Metallica é heavy metal, conclui James.

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