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Lia era uma menina muito esperta e de um coração generoso. Ajudava a todas as amiguinhas com as lições da escola caso tivessem dificuldades. Havia entre elas, uma menina chamada Alice que era muito arredia. Por mais que Lia quisesse, não conseguia faze-la juntar-se ao grupo de amiguinhas da mesma idade. Durante o período de aulas, dentro da classe, Alice preferia sentar-se bem longe de todas, na última carteira da sala . A professora, dona Adélia, por diversas vezes chamava-lhe a atenção, pois lhe parecia que essa era dispersiva, desatenta. Um dia durante o recreio, Lia aproximou-se da menina e meigamente lhe falou: __ Olá, será que poderíamos conversar um pouco? Tenho tanta vontade de ser sua amiga, vejo-a tão isolada, tão tristonha! Será que estarei sendo indiscreta se tentar ajudá-la? Alice, um tanto surpresa, respondeu com um gesto afirmativo sem abrir a boca e baixando a cabeça rapidamente, sem olhar para o rosto de Lia. Esta persistia: __ Você não gosta de falar, por que? A garota notando a insistência de Lia, resolveu falar: __ Tenho vergonha que descubram meu defeito, sou deficiente. Lia assombrada, procurou com os olhos para ver sobre o que a amiga falava, pois não conseguira descobrir nada até então. Alice, levantando-se, puxa pela manga da blusa que cobria seu braço e Lia pôde ver uma prótese até a mão em lugar do braço e mão natural do corpo. Superando o impacto, pois Lia jamais prestara atenção no que via, disse-lhe: __ O que tem? Por que a vergonha? Veja como Deus foi generoso, dando a oportunidade de refazer seu braço, sua mão, com a tecnologia avançada, que só mesmo porque você mostrou é que eu pude entender onde estava sua deficiência! Alice, com voz tristonha, replica: __ Você diz isso porque o mal não está em você. Esse acontecimento foi por um atropelamento que sofri há tempos atrás, quando passeava de bicicleta. Fui atropelada por um carro e atirada longe, sofrendo a perda do braço e mão. Ainda tenho dificuldade de adaptação, por isso, não gosto que me vejam tentando a escrita. Esse é o motivo de esconder-me, evitando que percebam meu aleijão. __ Que bobagem Alice, diz Lia meigamente. Lógico que não posso saber qual seria meu comportamento diante da dor que você passa. Mas, sabe, minha amiga, o evangelho de Jesus nos dá força. Ele nos ensina a superar os momentos amargos da nossa reencarnação. Não conseguimos entender ainda os processos que Deus usa para nos fazer frear os impulsos, que muitas vezes nos desviam do caminho certo. Alice com os olhos pregados em Lia, querendo entender o que ela falava exclama: Nossa! Onde você aprendeu tudo isso? Afinal, creio que temos a mesma idade e nunca ouvi nada disso, apesar que pouco sei sobre religião. __ Está vendo minha amiga, diz Lia, meus pais são espíritas. Desde pequena ouço falar de Deus e de seu filho. E saiba que a religião é muito importante em nossa vida. Se você estivesse na Doutrina estudando os problemas reencarnatórios, diante de todos estes acontecimentos que vivenciou, você não estaria guardando essa mágoa em seu coração. Alice ponderou muito nas palavras que ouvira de Lia. E ansiosa pergunta-lhe: __ Será que eu poderei ir com você até a casa de seus pais, para que eles me ensinem o mesmo que você aprendeu? __ Claro, amiga, respondeu Lia satisfeita, não só você irá participar do Evangelho que fazemos todas as segundas-feiras, em nossa casa, como poderemos levá-la ao Centro Espírita, que freqüentamos todas as noites em que os estudos doutrinários se fazem através dos livros básicos de Allan Kardec. Alice pela primeira vez sentiu-se amparada. Aproximou-se de Lia e, abraçando-a, redargüiu: __ Obrigada, realmente você me trouxe paz. Estou sentindo que uma luz parece brilhar em meu cérebro, pois pelo pouco que ouvi você falar com tanta convicção em Deus, encheu-me o coração de esperanças. Despediram-se e Lia entrou em classe com muita alegria interior, pois além de ganhar mais uma amizade, pressentia que Alice sairia de sua introspecção e preconceito. Pois assim que passasse a estudar o evangelho, sentiria mais a Centelha divina em seu coração. Eloisa |
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