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O leão e o mico

Histórias que Vovó contava...
Autor: Roque Jacinto
Editora : Luz no Lar
Páginas: 24 a 26


O Leão andava de olho no Mico:

- Ainda vou jantar esse Macaco! - rosnava baixinho.

Por isso é que o Leão rondava debaixo das árvores, onde o Mico fazia as suas micagens nos galhos mais altos.

Ele esperava surpreender o Mico, nua distração e abocanhá-lo.

Jamais, porém, conseguia surpreendê-lo.

Um dia aconteceu o quase-impossível.

Partiu o cipó em que o Mico se balançava e ...bumba!

O Mico caiu bem debaixo das patas do Leão.

O Leão lambeu os beiços!

- Vai ser um nhoquet só - resmungou o Leão.

Preso, bem preso sob as patas do Leão, o Mico se debatia inutilmente, sem conseguir safar-se de seus apuros.

Já via até uma grande dentada!

- Auuuunnnn - rugia o Leão, vitorioso.

O Mico, treme-que - treme, pediu, implorou, rogou para que o Leão lhe devolvesse a liberdade... sem comê-lo.

O Leão, contudo, apenas rosnava contente.

- E nada de macaquices! - advertia meio furioso o Leão.

E o Leão passava a língua pelo beiçaço.

De repente o Mico deixou de se bater.

- Amigo Leão - falou o ardiloso Mico, fingindo calma -, está certo que você me prenda e me coma, sem ter medo da indigestão, já que tenho carne dura! Mas, pelo menos, arrume sua juba, porque Leão, desjubado, quando come a sua caça, perde toda a majestade.

O Leão, muito vaidoso, levantou as patas para arrumar-se.

O Mico, então espertamente escapuliu. O Leão, ao ver-se logrado, ficou a urrar e a bufar de raiva.

Olhava o Mico que se refestelara no topo da árvore rindo e a balançar-se, segurando-se nos galhos com o rabo, depois de tanto susto.

- Desça que estou com fome - urrou o Leão outra vez.

 O Mico, nessa hora, gritou bem alto:

- Quem é vaidoso, da vaidade se alimenta.

Arrume sua juba, seu bobo!

E lá se foi o Mico, com suas micagens.

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