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Em relação a Jesus mantemo-nos todos, sem exceção, a distâncias ainda incomensuráveis para compreendê-lo. Para nós, assemelha-se a uma estrela localizada em um ponto longínquo da galáxia; vemos o seu fulgor, percebemos a sua luz, sabemos de sua grandeza, mas ainda faltam recursos para nos aproximarmos. No afã de conhecê-lo, nos aprofundamos na busca por respostas; mas, para nós, as perguntas se multiplicam ao infinito em razão de nosso pouco entendimento. Um dos desafios maiores é entender que Jesus não se propôs a formar nenhuma religião. Religiões são organizações humanas que objetivam difundir um ordenamento moral que deve ser seguido por seus adeptos. O Cristianismo é o resultado do trabalho de ordenamento e divulgação realizados, principalmente, por Paulo, Pedro e Tiago, que se propuseram a difundir as máximas enunciadas por Jesus. Os desafios enfrentados por Jesus dizem bem sobre os seus propósitos. Os judeus - o povo escolhido por ele para exemplificar -, eram sectários e a sua sociedade era extremamente estratificada. Ali, as diversas classes sociais existentes por vezes mal se entendiam ou toleravam. Naquela sociedade, estavam expressas em sua forma mais pungente, as diferentes maneiras de pensar, de ver e viver a vida. Os samaritanos, nazarenos, publicanos, fariseus, escribas, saduceus, essênios e terapeutas, perfaziam o modelo básico que ainda hoje encontramos em nossa não menos estratificada sociedade. Que lugar menos recomendável para um homem comum propalar seus ensinamentos; no entanto, que lugar mais adequado para um Espírito elevado demonstrar, por meio da exemplificação, seus preceitos de humildade, tolerância, respeito, fé, resignação, e, acima de tudo, caridade. Passados mais de dois mil anos, todos tentam explicar Jesus, porém, bem poucos são os que conseguem realmente entrevê-lo; pois a maioria se entretém em adaptar Jesus à sua maneira de ver a vida. Assim, assistimos às imagens mirabolantes que fazem deste incompreendido Espírito. De um lado, pregam um Jesus místico e elitista; de outro, surgem com um Jesus guerreiro, rebelde e vingativo; acolá, o têm prisioneiro de sentimentos humanos, cheio de defeitos e paixões; além, o apresentam intocável, uma deidade inatingível e digna apenas de admiração; mais além, o querem exótico e ligado à magia; logo a frente, o dizem apenas um homem comum... Com todas estas definições precipitadas e superficiais, não nos detemos para analisar seu propósito maior: a igualdade entre os seres, o trabalho em benefício do semelhante, o amor como meta maior. Vivia na mais absoluta simplicidade; erigimos palácios suntuosos, cercados de ostentação e complexidades ritualísticas, para homenageá-lo. Exaltava os mansos e os pacíficos; marchamos à labuta diária como ferozes animais a defender nosso espaço e nossas opiniões. Enaltecia o perdão às ofensas; e seguimos entrincheirados em nosso orgulho ferido. Propalava a misericórdia; e continuamos a ouvir somente a dureza de nossos corações, julgando e sentenciando os companheiros de jornada. Ensinava sobre as infinitas e variadas moradas na casa universal; e persistimos xenófobos, dividindo classes, raças, credos... Mas, sobretudo, exemplificava o amor universal como única condição para a elevação espiritual; e permanecemos obtusos buscando soluções apenas para nossa satisfação pessoal. Na verdade, a chave para a compreensão de Jesus passa, necessariamente, por adotarmos o seu roteiro de vida e os seus ensinamentos, esta é a única maneira para conseguirmos a libertação de nosso modo de vida egocêntrico, e do materialismo que impera nas relações humanas. Ao final, fica a pergunta: conhecemos realmente Jesus ou ainda o temos como prisioneiro de nossas concepções individuais e de nossa maneira de ver e de moldar a vida à nossa volta? Como podemos compreender Jesus sem reformar o nosso íntimo?
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