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  Anjo ou demônio?
Edson Rodrigues
 

      

Éramos ainda muito crianças, quando tomamos conhecimento da existência de um certo Zaqueu, contemporâneo de Jesus. A narrativa em torno da pessoa dele fez-nos  tomar de um amor fraternal tão grande por aquela figura, que segundo as narrativas evangélicas era quase um homúnculo, um anão, mas que na verdade era sim, um gigante em humildade e senso de responsabilidade por tudo o que empreendia e que ora passamos a coletar tudo o que nos seja possível conhecer em torno daquela atraente personalidade.  Chegamos mesmo a aprender pequeno hino de descrição à sua pessoa e ação naquele dia inesquecível do seu encontro com Jesus, o qual dizia:

 

(cantado)

"Zaqueu pequeno quase um anão,

Desejava ver Jesus,

Então subiu em uma árvore lá,

Para ver a rua que ao Mestre conduz,

(declamado)

Então disse Jesus:

Zaque desce depressa

Hoje me convém pousar em sua casa

(bis)

Então depressa desceu Zaqueu

E com alegria recebeu Jesus"

 

Via como que tela panorâmica, ou de outras vezes era como se estivesse in loco assistindo e participando da cena evangélica: Aquele homem, de estatura franzina e amiudada, saltitante nas pontas dos pés, no meio do pó volátil da estrada que conduzia à "cidade das palmeiras" como era chamada a bucólica Jericó, cidade onde tinha o seu domicílio. Por mais que tentasse não conseguia o seu intento de sobrepairar àquele mar de cabeças humanas e divisar, ainda que à distância, o vulto majestoso do jovem Mestre nazareno.

Hoje mais amadurecido e também mais apaixonado por essa figura evangélica impar, reflito no extremo e imperecível bem que ele levou para o seio da sua família, explicitado por Jesus no diálogo rápido, mas de importância eterna registrado pelo evangelista Lucas no capítulo 19:2a10.

Salvação para a família, ou seja: bênçãos sobrecaíram  àquela família por uma atitude desprendida do seu chefe. Embora fosse homem de posses e pudesse se impor a multidão, mandando que servos o conduzissem em uma liteira à presença de Jesus, demonstrou sua humildade subindo pelo próprio esforço a uma árvore vetusta chamada sicômoro. E que pensar da recompensa imediata que teve? Imagine Jesus estacando de inopino debaixo da árvore, voltando os olhos compassivos e dulcíssimos para aquele homem tímido, engraçadamente encarapitado no meio da fronde, chamando-o explicitamente, pelo nome como se já fossem velhos conhecidos?

"__Zaqueu, que fazes aí? Desce logo, porque hoje pernoitarei em tua casa!"

Fico pensando quantos de nós estamos ainda hesitantes em abençoar a nossa família através de semelhantes atitudes de desprendimentos!

Não abençoamos às vezes sequer com pensamentos na saída ou no retorno ao lar!...

Eu que utilizo diariamente de transporte coletivo, outro dia fiquei estarrecido com o conceito de lar exarado por uma senhora em diálogo com outra que pelo que deu a entender era sua colega de trabalho.

 

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