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Aborto: solução ou sentença?
Licurgo Soares de Lacerda Filho
(Espírita; escritor e pesquisador)
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Quando se inicia a vida?

Alguns pesquisadores afirmam que seria posteriormente à fecundação, por exemplo: quando da nidação, ou na formação do sistema nervoso. Outros objetam, indo mais além, afirmando que ela se dá somente com o parto.

Opiniões divergem, e, neste cenário, o aborto vai sendo colocado em debate.

Alguns ponderam: não seria o embrião apenas um amontoado de células fecundadas? Questionam outros: ali, no início do ser, estaria realmente a vida?

As incertezas são tantas que, escolhendo o aborto como alternativa, em qualquer momento da gestação, prefere-se correr o risco de se extirpar uma vida em desenvolvimento, completamente indefesa e incapaz de contra argumentar.

Isto nos faz lembrar das leis básicas do direito humano: no caso de dúvida não se sentencia o réu, visto que poderia ser imputada uma pena indevida contra ele. Não é absurdo compararmos o feto abortado a um réu, já que sobre ele foi imposta a pena de morte; e, por mais assombroso que possa parecer, a sua sentença se originou não de um ato seu, mas da união - invariavelmente impensada - de seus pais.

Alguém já concebeu sentenciar os pais pela gravidez?

O fato é que, como sempre, quando buscamos a solução para problemas que exigiriam uma profunda mudança nas atitudes - e não apenas uma adequação comportamental -, optamos pelo mais fácil, ou seja, tentamos controlar seus desastrosos efeitos, quando a única solução viável seria conhecer as causas e encontrar as alternativas mais adequadas.

No caso da gravidez indesejada, a opção pelo aborto é a macula que se admite carregar por se achar difícil lidar com sua origem: a nossa incapacidade em realizar uma educação responsável - sobretudo a sexual.

Agindo assim, negligenciamos a possibilidade de tomar nossas decisões baseadas no respeito à vida, mais uma vez escolhendo dissimular nossas fragilidades.

Porém, outras questões devem ser consideradas.

Antes da chamada vida orgânica não haveria uma alma, um espírito, enfim, algo que precedesse a presente existência e merecesse a oportunidade de viver?

Negar o ensejo de seu nascimento não seria um ato tão cruel quanto seria condenar à morte aquele que se encontre em pleno vigor da juventude, privando-o da existência pela qual anseia?

O estudo dos preceitos básicos do Espiritismo - particularmente os contidos em O Livro dos Espíritos - esclarece que a ligação da alma ao corpo físico ocorre com a união entre o óvulo e o espermatozóide, ou seja, com a concepção. Aprofundando mais ainda no estudo daquela obra, entende-se que a vida assume dimensões muito mais extensas e complexas; pois como espíritos já vivíamos mesmo antes da fecundação. Sendo assim, não resta qualquer dúvida: o aborto é um delito, como o são todas as tentativas de se interromper a vida, em qualquer estágio que ela se encontre.

 

 

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