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Acompanham esta conferência cinco partituras:
O olhar sobre o olhar que olha
Parasitologia e Autoritarismo:
uma
abordagem musical
Setembro
de 2003
Estou muitíssimo feliz que meus leitores sejam pessoas tão batutas e
bonifrates. Alcibíades, aliás, contou-me que eu não deveria usar palavras
cujo sentido eu desconheço, mas o fato é que o som é sempre mais importante
ou eu estou equivoquista. Bom, já diria Cortázar que "Temos que forçar a
voz para ouvir-nos entre o clamor das mancúspias" e, embora eu desconheça
verdadeiramente a última palavra "mancúspias",
conheço o vocábulo "ergasiofobia" que se relaciona com os
desocupados por necessidade. Fuller que o diga. O professor Max Bergmann
comprova exemplos do caso nas matérias biológicas. Nós, olhando ao redor,
podemos comprovar muitos exemplos do caso nas matérias não biológicas. Platão
na Grécia também, de modo que anunciou profeticamente a necessidade de termos
salários específicos para o cargo de vagabundo, o que seria de grande
economia, pois poderíamos produzir em paz.
Meu sonho já esquecido seria chegar a fórmula mágica que buscamos
todos, pluralismo
igual monismo, passando por todos dualismos que constituem o
inimigo necessário, o móvel que não paramos de deslocar. Ilya Prigogine, exímio
pianista, diria que: "por muito tempo, o resultado negativo
de Poincaré foi considerado no máximo como uma curiosidade. Na realidade,
trava-se de um resultado fundamental". O mesmo, no entanto, não pode-se
dizer da obra de Jean Françoise Rebel.
Como Sílvio Ferraz, me irrita profissionalmente a falta de seriedade, a
falta de humildade e a falta de referência a trabalhos dos outros.
Por isso esse excesso de referências. Aliás alguém, acho que um japonês,
disse que o pensamento humano procede por colagens.
Digo
que eu não poderia discordar mais de uma frase do que desta. Operamos, se
destrincharmos as coisas, muito mais por apresentação do que representação,
vide “A arte de não interpretar como poesia corpórea do ator”, de Renato
Ferracini. O pensamento, no entanto, parece proceder por um sistema criativo de
referências em que há perda e ganho de informações o tempo todo e incorporações
irredutíveis, gestos que migram das mais belas garotas com quem se convive para
o seu cotidiano e nem por isso se diz: peguei este da Fernanda, este da...,
porque seria uma tremenda falta de respeito e de humildade (a humildade tomada
como reconhecimento das possibilidades de relação). Por isso, peço desculpas
às quase mencionadas garotas, mas suspeito que a barreira entre a incorporação
e a referência é muitas vezes nebulosa e: quem onipresente para decidir o que
é um o que é outro? Como deixar o ladrão livre e aquele que toma emprestado
em paralelos?
Valério
Fiel da Costa, ao ser entrevistado a respeito de processos que não gerariam
resultados musicalmente válidos mostrou que
o
resultado musicalmente válido depende do culto do objeto. O objeto feito
considerado ideal, essência, é algo que existe em si, mas que está sendo
mantido à força desse interesse em uma determinada forma e um determinado
caminho, que foi estabelecido e está sendo seguido e que, portanto, gera essa
noção negativa de simulacro.
Anotei um trecho de um texto declamado na rádio livre de freqüência
105.7, a Rádio Muda, sobre o significado da palavra simulacro. Dizia: vivemos
numa simulacrocracia, enclausurados
no terror de um cotidiano estável, confortável e quem sabe até prazeroso.
Somos reféns da infinita hipocrisia que nos devora por dentro. É o mau sonho
que conspira contra a vida. Acordar não é fácil. Sair da jaula mais eficaz já
inventada pelo homem para o próprio homem: o indivíduo. Não se trata do
corpo, desejo, sensibilidade e percepção únicos em cada um, e, por isso,
universais, mas justamente a negação da sua autonomia. O indivíduo é o cidadão
numerável, cadastrável, tem uma profissão, bens materiais, e também direitos
e deveres previstos.
Ora,
os costumes, como formas concretas do ritmo, são essenciais para nossa sobrevivência.
Não obstante o indivíduo tem por ritmo incessante, na maioria das vezes, as
formas pop. Ele as toma como a mais livre expressão e não como base-histórica,
camada. alvez por isso a elegíaca frase de Bernardo Gomes de Barros: “a música
pop é o Cantus Firmus da nova era”. Talvez por isso essas aparições
dentro da música de acontecimentos tão banais mas inevitáveis. O fato é que
esquecemos de dobrar o ritmo, de produzir regras facultativas, de resolver
cerrar os olhos ou implantar quiálteras à exaustão. Transpor a linha de força,
ultrapassar o poder, isto seria como que curvar a força, produzir uma dobra. Não
se trata mais de formas determinadas, como no saber, nem de regras coercivas,
como no poder: trata-se de regras facultativas que produzem a existência como
obra de arte, regras ao mesmo tempo éticas e estéticas que constituem modos de
existência ou estilo de vida. Observou-se que o compositor Lucas Araújo passou
a jejuar num dia para emudecer no outro, enquanto o prodigioso compositor Mário
Del Nunzio idiotamente repetia a última palavra de cada frase, como o Barbosa
da antiga tv, carregando assim a linguagem de banalidade lingüística até que
a banalidade lingüística não fosse mais linguagem.
A literatura nos serve de fonte inesgotável, já que, cada um a seu
modo, traça as chamadas linhas de fuga da moda Deleuziana, coisa muito em voga,
embora de caráter duvidável. Enumero, o molusco de “A Espiral” de
Calvino, se calcificando; a tomada da “casa tomada” de Cortazar; a epidemia
de cegueira de Saramago; o aparecimento do túmulo de Stravinsky, quando
Scarlatti, Haendel e Vivaldi vivem, em Carpentier;
a prostituta, tanto no “Doutor Fausto” de Thomas Mann, quanto no “Retrato
do jovem como artista” de James Joyce.
Tem música o suficiente em Alberto Caieiro, tem música o suficiente em
Kafka. E eu não estou falando do audível do poema e da prosa, não estou
falando das poesias sonoras de Kurt Schiwitters, não estou falando do audível
dos poemas galácticos do Haroldo de Campos; eu estou falando de formulações
ali dentro que são musicais. São imensamente musicais os livros do Cage, o Silence,
o M, o X,
o Empty Words, mas também tudo
quanto é Guimarães Rosa. A cerca do último, em suas cartas, inclusive, o
leitor lê que muitas palavras foram escolhidas pelo seu timbre. A escuta
espectral, que deve muito à Stockhausen e toda aquela coisa de formantes rítmicos,
tenta-nos com a possibilidade da volta da harmonia. Essa pseudo dualidade criada
restitui o imperialismo da disconsonância, em uma versão fraca, é verdade,
porque acordes viram timbres, só que aí criam-se formas com oposição ou que
passam de uma coisa a outra.
Numa querida obra, realmente muito bonitinha, Istvan Zelenka indica que o
ideal da composição é a sensação da intensidade de cada diferente experiência
e não a mais-e-mais-perfeita performance de uma única versão “melhor”. Ao
que juntei a uma nota para uma peça
[forçar o conflito entre o som e as proposições, estimular ligações
obscuro-criativas. Promover a valorização insólita de termos ordinários]
para propor a inserção de coisas não sonoras na música, muitas delas de caráter
demasiadamente pedagógico, o que lamento nesse meu presente estado. A
tentativa, lógico, já foi feita antes inúmeras vezes, só que Feymann já me
havia advertido que “o teste de todo conhecimento é a experiência”.
É de se perguntar, no entanto, se a musicalidade do não musical precisa
mesmo ser incorporada ao musical. O fato é que sou músico, mesmo que não
queira, e poderia, por economia ou por uma observação e identificação com
uma espécie de imanência sonora do objeto-processo musical, só utilizar o
dito musical (se bem que poderia-se dizer que para o músico o movimento de
colocar o umbigo nas costas é musical).
O
que Alvin Lucier talvez tenha mostrado quanto a isso, na sua gagueira musical,
“Im ssssitting in a rooooom...” é que a sala em que estamos ressoa conosco,
ou antes, nós ressoamos com ela. Ligeti diria que certas idéias ficam pairando
no ar, disponíveis para quem quiser ou antes, para quem quiser se
disponibilizar para elas. Na verdade ocorrem as duas coisas, inseparáveis. Idéias
e pensamentos dançam porque tudo dança quando em algum lugar, numa sala, num
acento ou num segundo. Dessa percepção passei a me preocupar mais com o não
sonoro até que as coisas, tudo, fiquem mais confusas e um salto não seja um
salto, um som um som, mas um som mods sdafum sam otlalwriug as. Lembro me agora
claramente de um belíssimo poema de Jackson Mac Low: “En
nZe eaRing ory Arms, /Pallor pOn laUghtered laiN oureD Ent”.
Seria
estar estrangeiro na minha própria língua, mas não. Na verdade, seria retirar
da música tudo que lhe não é sonora, diferentemente dos textos meus, onde as
citações são uma tentativa, uma fuga sem fuga (lembro-me de um poema que
certa vez tentei escrever que dizia, sobre algo amoroso, “o coração se
expande para dentro”).
Tudo isso é muito afetado assim em palavras e, não é que todas essas
citações tenham algo em comum, é que, cada qual num lugar, num momento, eis
que ocorre uma proliferação confusa de pensamentos, como me faz maravilhoso
monólogo feminino do livro de um dia único que gostaria que Mahler tivesse
lido. Idéia mais esdrúxula, começa assim: sim porque ele nunca fez uma coisa
como essa antes como pedir para ter seu desjejum na cama com um par de ovos
desde o hotel...
O fato de que o habitat do parasita é um
organismo vivo (seu hospedeiro) implica em: grande limitação do espaço onde
se processam os fenômenos ecológicos; grandes variações nas características
do meio, que se modifica tanto em função das atividades do parasita
(metabolismo, produtos tóxicos, ações patogênicas) como em função da reação
do hospedeiro à presença do parasita (fenômenos imunitários, inflamação,
necrose, fibrose, hipertrofia etc.), isto é, das relações
parasita-hospedeiro.
Isso que li foi retirado de um livro de Luis
Rey, de uma medicina tão musical que inspirou-me, uma musa como outras, só
menos bela com toda uma aparência antifeminina. Mas esse movimento inspiratório
não é próprio apenas das artes. Pode-se sem nenhuma dúvida, segundo Henri
Atlan, encontrar fontes de inspiração fora da experiência científica: mesmo
nos sonhos ou poemas. Mas é outra coisa lhes dar em seguida coerência e forma
que possa ser integrada no discurso cientifico. Aqui as coisas não equivalem,
mas pode-se dizer que sim, não vamos ser chatos, uma música que é
inteiramente formalizada não tem muita graça de se fazer. Olhando, por exemplo
uma besteirinha da Yoko Ono podemos deixar escapar “isso é arte
conceitual”, só que tossir por um ano é poesia, tem toda uma evocação para
mim que não é o que está escrito, nem o fato de alguém tossir assim por todo
esse tempo. Esse não foi um bom exemplo, muito desconexo, mas também todo
exemplo é intercambiável com qualquer outro exemplo possível e, segundo uma
torção da epistemologia anarquista de Feyearabend, não há exemplo que
justifique sua presença melhor do que qualquer outro, ou melhor, “tratando-se
de ciência, meu Deus, tudo vale”, muito embora não se trate de ciência
aqui.
Dagognet
diz que “hoje em dia em medicina, existem imagens mais que sintomas, e
portadores mais que doentes”. Inclusive, ao notar a profusão de ônibus
fechados, cujas janelas não podem ser abertas, percebi como o ambiente fica
mais viciado e impositivo . Afinal, não há como conciliar o ar condicionado
com a abertura da janela, o vento e o cheiro do ar de fora. Da mesma forma, já
os carros têm ar condicionado, as salas, prédios inteiros, mentes e
pensamentos. Tudo muito conveniente e doentil. Entramos aqui na elaboração de
objetos que criam necessidades. Podemos citar o celular, por exemplo. Mudando o
enunciado, o café e a cerveja. Que a minha música nunca seja criadora de
necessidade é um alívio, mas minha situação semi-neurótica pede mais providências.
A eliminação da concatenação por oposição/contraste e elucidação
demonstrativa. Preocupo-me mais então com a justaposição do que com a
aglutinação. Sciarrino, Feldmam, mas também Nono. Uma coisa que começa e
termina. Ou algo múltiplo e confuso, angustiado, se eu tenho dois materiais então
coloco um em cima do outro.
Utilidades, a composição transforma o anseio estético em utilidade prática,
em coisas experienciáveis. A crítica trabalha com a memória da experiência,
mas a experiência já se foi. “Todo sentimento forte provoca em nós a idéia
do vazio. E a linguagem clara que impede esse vazio impede também que a poesia
apareça no pensamento”. Quero, creio que de acordo com Artaud, que se tenha a
memória como experiência autônoma daquilo que já não é, que se considere,
de uma vez por todas, a memória como um processo. A crítica relativa como uma
solução para a beleza da crítica, e não da obra, muito embora as duas
dialoguem mais ou menos intensamente. Como em lógicas quânticas, onde se tem a
projeção de um auto estado do observador na descrição do fenômeno, o método
crítico observa essa projeção, sua saída é justamente fugir do estado de
observador, para absorver métodos implícitos da obra quando o observador
torna-se obra. É aí que o observador se torna mais observador, mas claro que
falo assim porque a praticidade do agora exige. Essa fusão, já constatada
filosoficamente, infelizmente, não é possível sem confusão e achismos, a
melhor coisa que conseguimos foi tornar pública a crítica o máximo que
pudemos, com os compositores, intérpretes e a platéia, criticando ao mesmo
tempo. A crítica da crítica não tem vontade, portanto, de ser justa, ela
apenas sugere uma forma de ação considerada por ela como melhor.
De tudo isso constato que podemos trabalhar com a perspectiva de que as
pessoas não sejam indivíduos que dominam o metier abstrato e mesquinho, mas
como pessoas que, em determinado momento, sob tais circusntâncias, numa derivação,
por exemplo, são perpassadas por um saber técnico profundo, técnica
significando o que Stravinsky apontou como sendo o “homem por inteiro”. Mas,
então, o que é o homem? Ferneyhough, na sua já conhecida confusão, bagunça
e profusão de idéias, justifica sua música complexa com um “Esse sou eu e
essa é a minha música”. A questão de quando Ferneyhough é Ferneyhough,
pode ser respondida assim: quando ele é música.
Espero não ser confusa a idéia de ser
tomado pela música e tomar a música de empréstimo. Falo de abrir mão de toda
força comunicativa que o ato sonoro tem. Abrir mão de estar falando alguma
coisa. Dizer que a música não fala nunca.
A repressão autoritária sempre paira sobre nós, com duas expressões
em mecanismo elástico: a retenção e o encorajamento, ambos conduzindo-nos
como cabrestos, de um a outro como convém, ora pela liberdade e expressão
individual, ora pelo amordaçamento e reafirmação de formulações arbitrárias
aspirantes a axiomas sociais. O problema da contenção da repreensão é uma
encruzilhada. Acabamos caindo na repressão por encorajamento, quando falamos
de coisas excessivamente sem ter o que dizer, ou na retenção, quando
mandamos alguém se calar porque ele é um merda.
Um professor genérico, por exemplo, mestre G, diz para seu aluno
regular: “Você não vai se atrever a falar em seu nome enquanto não tiver
lido Patatovsky, Kant e Buhrslkj, hã?!!”. Outro, nosso conhecido, o cito
porque descordo dele nesse assunto completamente, o professor Jonathas Manzoli,
certa vez disse que “não podemos deixar os alunos soltos porque assim
criaremos Franksteins”. Bom, a lista de exemplos é extensa, numa reunião de
projeto pedagógico em música, os professores falavam em garantir a formação
do aluno medíocre, o base-line, o filmmaker, o bostinha convicto, o bom
humilde, o bem sucedido, etc e é claro que todo mundo precisa de bases, mas não
há nada mais nojento que alguém que domine o metier, no sentido da frase do
contrapontista Paulo Silva: “Se bastassem os conhecimentos teóricos para ser
um grande compositor, eu seria um dos maiores compositores de toda a
humanidade”.
Ademais, para os conhecedores de Mary
Shelley, é sabido que o termo Frankstein só é pejorativo na aparência, ou
seja, quando se trata de implantes de silicone e garotas infladas. É fato de
que no monstro, por trás da aparência horripilante de retalhos, constrói-se
uma consciência poderosa, uma poética, um ser sensibilíssimo.
A música como acontecimento e as citações como a história que o possibilita. As outras não linguagens também, com símbolos que apontam para significados sem ser significantes, coisas descritas por palavras apenas para tornar comunicativa a natureza semi, ou ainda, não comunicativa delas. Quando o símbolo foge a nós e o vir a ser torna se um devir perpétuo, colocamos-lhe a coleira comunicativa. Um exercício seria considerar que há as coisas purificadas e que elas são verdadeiramente assimbólicas. Um exercício onde deixa-se o subjetivo das forças majoritárias já estabelecidas, do simbólico-significante, para se individualizar através da aceitação e recepção, da experiência como um acontecimento, movimento vital.
A percepção prática que se distingue da
estética cria um campo muito centralizado em dualidades. A vida e as pessoas são
mais poéticas que isso. A droga me parece ser nem um pouco necessária, o que não
impede o procurar por um estado
“Petroleum, estado no qual tudo- coisas, vozes, lembranças- passa por
cima e intumesce, entorpece”. Encontrar-se em um estado não-booleano, achar
um momento verdade, se impulsionar rumo ao processo
de conhecimento da totalidade, usando as lógicas para-consistentes, as quânticas
e as formas não usuais de inferência e percepção.
Segundo os mestres Zen o nosso grande erro
é querermos impor a lógica aos fatos, quando são os fatos que determinam a lógica.
Já considerando que os fatos não existem sem a lógica, porque sem a minha
presença eu não perceberia a minha presença, posso defender uma lógica de
interesse clínico, em que o contágio seja aquilo que desperta.
Um trecho plagiado de Waldyr Alves Rodrigues jr. Suponhamos um dado
sistema quântico que preparamos em um dado estado quântico simbolicamente
denotado e suponhamos que desejamos conhecer o valor de um certa grandeza física
observável que caracteriza o sistema. Para tanto a realização de uma experiência,
dita medida, é necessária. A teoria afirma que o sistema quântico é tal que
o referido estado é uma combinação linear de auto-estados do operador que
representa o observável. Tal significa que antes de executar-se a medida o
sistema quântico encontra-se de fato em um estado de muitas possibilidades.
Quando a medida é executada o sistema quântico, que se encontrava no estado
mencionado, é subitamente projetado em um novo estado quântico, que é um dos
auto-estados do operador que participavam da combinação linear que definia o
estado anterior. Este fenômeno é chamado de redução do pacote de onda ou
ainda análise musical.
Espero que os senhores leitores sejam inteligentes e comentem, critiquem
e xinguem, de preferência enviando um fac-símile para mim, esse meu textículo.
Sobre as possíveis dúvidas, adianto me aqui profeticamente já as elencando e
as respondendo.
“A máquina para tratamento de textos modificaria a nossa maneira de
escrever?”
Sem dúvida. Para aqueles que servem dela com regularidade, o texto
armazenado não é mais considerado como objetivo a alcançar, mas como a matéria
prima a partir da qual eles retrabalharão. Eles têm portanto a tendência a
escrever de maneira modular, cada vez menos uma síntese global e cada vez mais
uma escrita combinatória.
Por que ainda se fala em evolução?
Porque o Neo-evolucionismo existe. Agora, embora as coisas evoluam, ninguém
sabe se elas o fazem para melhor ou para pior (ou para ambos ou para outros
ou...). Que as pessoas possam, não que elas queiram, porque eu não quero impor
minha vontade a ninguém, embora não tão ocasionalmente eu o faça.
A sua música não pecaria por ingenuidade e falta de consistência?
Sim, mas outras pecam por falta de falta de consistência.
O senhor não poderia ser mais verdadeiro e espontâneo?
Olha, o que é espontâneo? Terminar com a velha e boba e conhecida história
de quando David Tudor respondeu a alguém: “se não sabe, então porque
pergunta?” ?.