A notícia da morte dos Potter correu como vento, e em todos cantos da Europa já se comentava que as últimas vítimas de você-sabe-quem eram alguns dos maiores seguidores de Alvo Dumbledore.
Ísis não viu Snape durante as noites seguintes, apenas avistava Bartô sumindo durante seu número com uma menina loira. Nada de Severo, ela pensava tristemente. No seu último dia naquela província decidiu que não dançaria, deu uma desculpa a Pecker e voltou a seus aposentos; ela precisava ficar sozinha, e como precisava.
O cigano entrou na taberna, se desculpando e avisando que não haveria a dança entre Ísis e a naja naquela noite. Disse que ela estava indisposta, os clientes reclamaram, mas por fim quando chegaram os palhaços e os contorcionistas eles se distraíram e esqueceram a raiva. Contudo, um jovem de seus 18 anos ficou visivelmente preocupado e após fazer diversas perguntas deixou o lugar apressado.
Quando Severo chegou a vagão de Ísis, ela chorava.
-O que houve? – ele entrou como um tufão perguntando.
-O que você quer aqui?
-Eu fui até a taberna me despedir mas você não estava lá. Pecker me disse que você não estava muito bem, por isso não dançaria hoje. Fiquei preocupado...- murmurou ele quase como uma desculpa.
-O que você está tramando? Nesse mundo ninguém faz coisa alguma sem querer algo em troca! O que você quer? – Naquele momento Severo notou o quanto havia se precipitado com Ísis. Eram tempos difíceis, não se podia confiar em ninguém, mas talvez desconfiando de todos ao nosso redor estivéssemos da mesma maneira condenados.
-Um pouco de vida! Apenas isso...- disse ele cabisbaixo. Ela se aproximou um pouco mais calma, ele a beijou sem ao menos tomar conhecimento do que fazia, e com menos consciência ainda começou a desamarrar o vestido. Naquela noite os dois se amaram como se fosse a última vez. De fato, Severo acredita nisso, velou seu sono durante toda noite, mesmo depois de passarem a noite juntos ela ainda continuava um mistério para ele. Quem era ela? De onde viera? O que fazia naquele fim de mundo? E a pergunta mais importante, por que havia se entregado a ele? Havia tantos homens que poderiam cobri-la de jóias, tantos Lucius Malfoy
-Por que eu? – ele resmungou, e ela respondeu sem abrir os olhos.
-Porque você sabe como eu me sinto, porque você não me vê apenas como uma diversão noturna e porque eu sei que você precisa tanto de mim quanto eu preciso de você...
-Então é assim que acaba? Com juras de amor que não poderemos cumprir?
-Na verdade nós nem começamos ainda...-ela disse meio sem jeito – Mas poderíamos começar agora se você quisesse!
-Nós não podemos fazer isso..
-Nós devíamos ficar juntos, você sabe disso...
-Impossível, eu não posse deixar meu trabalho, nós acabaríamos mortos se eu tentasse...
-Me leve com você então! Tire-me desse fim de mundo, me salve...Eu espero há meses por alguém como você, Eu sei que você está apaixonado por mim. Por favor, me leve para viver com você...
-Você tem certeza do que está me pedindo? Eu não tenho uma vida exatamente fácil...
-Eu enfrentarei qualquer dificuldade ao seu lado se você prometer não me deixar para trás.
-Eu prometo.
-Amor, eu volto logo! – Narcisa olhou Lucius tristemente.
-Apenas volte vivo.
-Acalme-se, Narcisa! Nós apenas vamos tomar alguns drinques. Tem certeza que você não quer vir? Até Bartô vai levar uma namorada...
-Eu não sei, não acho uma boa idéia.
-Venha, Narcisa. Eu não vou perguntar outra vez.
-Está bem – o que mais poderia fazer? Passavam tão pouco tempo com ele que quando estavam juntos, ela apenas queria agradá-lo. Talvez esse tenha sido seu maior erro. Dia após dia ela tornou-se mais submissa.
-Tem certeza de que você quer ir?
-Sim, são seus amigos, não são?!
-É...minha segunda família.
-Então? Qual é o problema? Eu quero conhecê-los, quero que eles me considerem parte da "família"!
-Está bem, você venceu. Apenas vista-se o mais senhorio possível. Lucius estará lá, juntamente com Narcisa; não quero ouvir comentários sarcásticos essa noite. Sem chance de pôr este vestido, então? – Severo olhou o vestido, era preto, longo, decotado com um fenda que ia até quase o quadril.
-Definitivamente não.
No restaurante onde haviam marcado, existiam milhares de trouxas. Todos se sentiam desconfortável naquele local, mas ali era um dos poucos lugares onde podiam conversar em paz.
-Onde diabos está o Severo?- Perguntou Lucius, ao sentar a mesa, onde tanto os Lestrange como Bartô e namorada já esperavam.
-Não sabemos, ele nunca se atrasa, é sempre o primeiro a chegar...
-Como Líder, ele já devia estar aqui há muito tempo.
-Ele teve seus motivos – disse Bartô com um sorriso malicioso. Quinze minutos depois, um Severo muito atrapalhado entrava no bar, o acompanhando vinha uma linda garota de olhos azuis.
-Vejo que temos muitas novidades essa noite...- disse Rick com um olhar inquiridor.
-Não vai apresentá-la, Severo?
-Sim, claro...Essa Ísis...Ísis – Ele não havia se dado conta até o momento, mas ela nunca mencionara o sobrenome, nunca mesmo com os dois morando juntos.
-Ísis? Ísis do que? – Perguntou Narcisa curiosa.
-Meu sobrenome não é do interesse de vocês, eu o reneguei há algum tempo. - Lucius deu-lhe um olhar de desaprovação. – Não se preocupe Sr. Malfoy, meu sangue é tão puro quanto o de sua esposa.
-Gente, isso é clima?? Sente-se Ísis, o que nos importa é que Severo gosta de você! – Disse Belatriz interrompendo a guerra que se armava.
Meia hora depois Severo estava prestes a explodir, queria com todas as forças lançar um feitiço emudecedor, pois eles não paravam de falar como eram grandiosos, como todos se submeteriam a eles. Belatriz comentou o fim da dinastia Potter numa alegria, que um ouvinte desatento pensaria que ela falava de uma linhagem de gado.
Snape deu um longo bocejo, estranhamente Ísis continuava extremamente interessada na conversa.
-Puxa!!! Olha a hora, nós temos que ir, eu tenho uma surpresa para Ísis.
-Uma surpresa? Mas você não disse nada.
-Quieta...-sussurrou ele.- Se eu te contasse perderia a graça! – disse ele com a cara mais inocente do mundo.
-Então, boa noite a todos, espero que nós voltemos a nos encontrar! – disse ela com uma grande sorriso. Ela não pode ter se divertido essa noite, por Merlin, ela tem que ter achado isso tudo um absurdo,pensou Severo.
Quando já estavam longe do restaurante , Severo finalmente relaxou:
-O que deu em você?
-Não aguentava mais aquela conversa chata, você, pelo contrário estava se divertindo. - Snape caminhava rápido, Ísis correu e parou na sua frente. – O Que foi?
-Eu estava fingindo, queria agradar seus amigos, você disse que eles eram importantes para você. Eu achei um bando de idiotas, mas eu não poderia te dizer isso antes da gente sair daquele lugar.
-Ok, eu acredito...-ela continuou o encarando. – O que foi? Eu já disse que acredito! O que você quer?
-Um beijo. – Ele sorriu puxando a pra sí. E foi então naquele momento que Severo viu as últimas criaturas que desejava encontrar: Sirius Black e Thiago Potter.