- Narcisa?? – Lucio perguntou entrando no quarto.
- Fala amor! – Narcisa saiu do banheiro com os cabelos enrolados em uma toalha e de camisola.
- O que você acha de jantar fora hoje?
- Eu me apronto em quinze minutos...
- Está bem...
- Vou ficar linda especialmente pra você!
- Eu espero que sim, tenho algo importante para falar com você!!
As oito horas um Severo desligado e sonhador sentou-se na primeira mesa do bar. Não demorou muito para Crouch deixá-lo, indo ao encontro da garota da noite passada. Severo já estava na terceira bebida quando a cobra entrou no bar e logo lá estava ela de novo. Mais bela do que antes, embora em seu olhar ele visse uma tristeza que tentava sair. Novamente Severo se esqueceu de tudo, o mundo se resumia aquele corpo e aquele rosto que dançavam na sua frente. Ele não pôde deixar de encará-la, ao contrário dos outros, seus olhos não se encontravam nas ancas dela e sim em seus olhos. Alegremente ele notou que ela corava ao cruzar seu olhar com o dele. Ela ainda dançou um bom tempo antes de se retirar, porem a cor de seu rosto não voltou ao normal desde aquela troca de olhares.
Severo acabou a bebida e saiu do bar, não havia mais motivo para que continuasse ali. Ele caminhou sem direção, indo por um pequeno caminho que levava a um bosque.
- Noite fria não? – uma voz fina e forte falou por trás dele. Ele já um pouco paranóico devido ao seu trabalho segurou a varinha fortemente.
- Quem está aí? – ela saindo das sombras das árvores caminhou até ele.
- Meu nome é Ísis e o seu?
- Snape, Severo Snape... você é a...
- Sim, eu sou a dançarina... a falta de maquiagem muda muito uma mulher, não? – ele a examinou por completo.
- Eu não diria uma mulher, diria uma garota... – ele disse com um tom de desdém.
- Acredite... – ela se aproximou deixando seus lábios a poucos centímetros dos dele, quase os tocando – Sou mais mulher do que você um dia será homem em sua vida! – ao ver o desconcerto dele ela virou-se caminhando em direção as árvores novamente – Boa noite Severo.
- Espere!! – ela virou-se novamente olhando-o obliquamente.
- Sim?
- Eu não queria lhe ofender... mas é verdade você não parece uma mulher, parece uma garota de quinze anos...
- Dezessete e meio – ela o corrigiu sorrindo – Mas você não parece ser muito mais velho do que eu... diria que ainda não fez vinte anos... – ele riu.
- Ainda não fiz nem dezenove...
- Posso saber o que um garoto de dezoito anos faz caminhando na noite por aqui?
- Não sei, eu posso saber o que uma garota de dezessete anos faz caminhando pelo meio da noite por aqui? – ela riu, o olhando misteriosamente.
- Eu estava tomando um ar, não consigo respirar em meus aposentos... e você?
- Estou com a cabeça cheia, tenho muitos problemas que não sei como resolver.
- Quer que eu lhe deixe a sós com eles?
- De maneira alguma... você é trouxa?
- Trouxa? – Snape suspirou tristemente... tudo estava muito perfeito – Por que a pergunta? Não me diga que eu pareço uma trouxa, argh...
- Você é bruxa?
- Claro que sim... não sou uma bruxa muito competente, mas dá pro gasto... você pelo visto é bruxo...
- Com muito orgulho...
- Eu tenho que ir... não posso pegar sereno... Adeus! – ele a olhou entrar no bosque, lutou contra a vontade de seguí-la, mas ela o venceu. Caminhou pelos galhos se prendendo em vários deles. Demorou muito até chegar na clareira onde uma pequena cabana possuía a luz acesa. Envergonhado, bateu na porta.
- Pecker? Pode entrar... – mesmo sabendo que ela estava esperando outra pessoa, Snape entrou.
- pecker, me alcance aquela poção para pele? O vidro bege entre os outros dois transparentes. – Snape alcançou o vidro a ela. Ela molhou um algodão no liquido e virou-se para ele, puxando novamente o assunto de quanto tempo passariam ali... tamanho foi o susto quando ela viu Severo na sua frente que deixou o vidro cair.
- Vingardium Leviosa! – ele conduziu de volta a cômoda.
- Posso saber o que está fazendo aqui?
- Nem eu mesmo sei... eu apenas quis ficar perto de você... – ela riu.
- Que cantada mais gasta... fale a verdade... eu já ouvi isso de muitos, não fará diferença ouvir de mais um...
- Eu não quero nada, me sinto satisfeito apenas em poder te olhar... – ela olhou-o nos olhos analisando as palavras dele, como se não soubesse se devia acreditar.
- Ísis? – o cigano batia na porta.
- Esconda-se no armário!! – ela sussurrou já o empurrando para dentro de um pequeno guarda-roupa – Sim, o que foi Pecker?
- Posso entrar?
- Na verdade não, eu estou nua... o que você quer?
- Apenas lhe dizer que a nossa data de partida já está marcada... em uma semana partimos...
- Ah... está bem... boa noite.
- Pra você também...
- O que você quer falar comigo, Lucius?
- Meus pais querem que o nosso filho se case com a primeira filha que os Parkinson tiverem... – Narcisa tomou um grande gole de vinho. Depois de respirar bem fundo, perguntou:
- E você, o que disse???
-Que eu pretendia te perguntar primeiro, mas eu honestamente não quero fazer com nosso filho o que os nossos pais fizeram conosco. – Ela finalmente respirou aliviada. Ninguém vai decidir o destino de uma criança que ainda nem nasceu, pensou.
-Obrigado Lucius, mas o que você vai fazer se seus pais insistirem na idéia?
-Mando ele cuidarem da própria vida, eles não podem fazer um casamento com dois seres hipotéticos. – Narcisa acariciou as mão de Lucius.
- Eles não vão interferir na vida do nosso filho como interferiram na nossa...
Era uma pena, mas as maiores brigas de Narcisa e Lucius seriam justamente sobre esse assunto. Após a derrota do mestre ele se tornaria uma pessoa completamente frustrada, e usaria o filho para corrigir seus erros. Ou seja, transformaria Draco na pessoa mais desonesta possível, enquanto Narcisa tentaria o contrário.
Severo saiu do armário lentamente.
-Quase que eu te causo um problema! Acho melhor eu ir, antes que eu nos ponha numa fria.
-Não se preocupe, não haveria grandes problemas se ele o visse aqui. O único problema é que ele se sente meio meu pai meio meu dono, acabaria te fazendo milhares de perguntas e não nos deixaria a sós.
-Como se você quisesse...
-Quem disse que eu não quero?? – Severo ficou vermelho, na verdade rosado, porque sua pele pálida nunca ganharia muita cor. – Por que você ficou sem jeito? Eu não disse nada demais...
-Não costumo receber muitos elogios...
-Posso fazer uma pergunta pessoal?
-Se eu dissesse que não, você ainda assim a faria?? - ele perguntou risonho.
-Claro que sim - ela respondeu revirando os olhos.
-Pois então pergunte...
-Por que seu olhar traz tanta culpa? – Severo olhou-a assustado, será que ela sabe de alguma coisa?!, não estava acostumada com pessoas tão sinceras.
-Por que seu olhar traz tanta tristeza? – Ísis o encarou fazendo uma cara debochada.
-Talvez pela mesma razão que o seu traz tanta amargura...
-Duvido muito.
-Eu perguntei primeiro, você poderia fazer o favor de responder Sr. Snape?
-Apenas não quero passar o resto da minha vida dessa maneira.
-Não foi bem isso que você planejou para sua vida – Ele a encarou confuso, o que ela queria dizer? – Eu também me sinto assim, Severo.
-Não era assim que você tinha imaginado?!
-De maneira nenhuma...
-Somos dois então...
Severo a mirou fixamente, ela acabou encabulada desconhecendo a razão que fazia aqueles dois olhos negros a observarem tão insistentemente.
-Alguma coisa errada? - ela perguntou olhando para o lado, fugindo dos olhos dele.
-Você me lembra alguém...mas não consigo me lembrar quem!
-Meu rosto é comum, todo mundo diz que já me viu em algum lugar! – ele sorriu, ela deu uma risada, definitivamente, sorrisos não combinavam com Severo Snape.
-Acho melhor eu ir...- ele falou hesitante quebrando um longo silêncio.
-Está bem, você vai aparecer amanhã? Eu gostaria de conversar com você novamente...- ela disse num sorriso enigmático.
-Sim...afinal de contas você está partindo em uma semana!
-O que você esperava? – perguntou ela rindo, uma risada desagradável como a de Lucius. –Esperava que eu ficasse aqui para sempre?
-Eu sabia que você iria embora, mas desejava que isso fosse apenas um sonho ruim. – Ísis o encarou intrigada, e sem saber o que fazia (assim como não entendera o que fazia durante toda aquela noite, o que tinha na cabeça para tê-lo abordado no meio da noite?!!) o beijou. Snape ficou completamente perdido devido ao gesto, não se moveu, ficou apenas tentando se convencer que realmente estava a beijando. Ela abriu os olhos durante o beijo e viu que ele sorria alegremente, um sorriso sincero que combinava com seu rosto.
-Por Merlin seu coração disparou – disse Ísis num tom um tanto irônico.
-Bem agora eu vou embora. – ele já estava saindo pela porta quando Ísis conseguiu falar novamente.
-Do que você esta fugindo? – ela perguntou indignada.
-Não estou fugindo, apenas não quero iludir! Você está partindo em uma semana, esqueceu?
-Por que você não fica essa noite? – perguntou ela, Meu deus, o que deu em você?? Sua oferecida?, ela pensou.
-O que você está tramando? – talvez ela saiba de algo,pensou Severo.
-Você é louco?
-Uma coisa eu aprendi nesse mundo : ninguém faz nada sem querer algo em troca. O que você quer?
-Um pouco de companhia, só isso!! – ela gritou furiosa. Ela estava lá se humilhando, se entregando a ele. E ele se atrevia a desconfia dela. – Saia, vá embora. Não quero que você continue aqui. SAIAAA!! – Severo baixou a cabeça e saiu pela porta, o que mais poderia fazer?
-Narcisa!!! Chegou uma coruja de seus pais!! – Ela desceu com os cabelos molhados ao encontro de Lucius, seus cabelos balançavam magicamente a cada degrau.
-Leia para mim, por favor.
-Claro...- Lucius abriu a carta, mas não chegou a lê-la para Narcisa. Amassou o pergaminho e jogou-o na lareira, acendendo-a com um feitiço em seguida.
-O que foi amor?
-Família estúpida a sua não? A simpatia da sua mãe estava te xingando por não convencer o idiota do seu marido, que por acaso sou eu, a fazer um dos melhores casamentos da história!
-Era óbvio que minha mãe concordaria com seus pais Lucius, acredite, ela é mais fria que seu pai, acho que se Lord Voldemort a conhecesse ela se transformaria em seu braço direito.
-Se eles não fossem quem são, eu acabaria com eles...Se eles não financiassem nossa campanhas, por deus eu mataria meu pai com o maior prazer, e ainda vou fazê-lo... – ao falar isso Lucius de um soco na mesa para aliviar sua raiva.
-Quebrar a mesa não irá ajudar, Lucius. Nós prometemos que nosso filho se casará com quem ele quiser seja por amor ou por interesse, mas será uma escolha dele...e assim será!
-Mas...
-Nada de mas, devemos obediência apenas ao Lord das trevas, não nos curvaremos a mais ninguém! - Lucius sorriu, mesmo depois que tudo ruísse, Narcisa seria ainda a única pessoa capaz de acalmá-lo.
-Olá meus servos, é muito bom vê-los!
-Meu senhor, aqui estão eles. – Disse Rick jogando o casal aos pés de Voldemort.
-Bom trabalho Belatriz, Rick. Meus parabéns a vocês. Sua recompensa os espera em sua casa.
-Obrigada,senhor.
-Agora, me deixem a sós com o senhor e a senhora Potter.
-O que você quer Voldemort? - Perguntou James levantando-se e o encarando.
-Você sabe, Scott James Potter...
-Nós nunca nos aliaremos!! Nunca, eu quero um mundo justo para o meu filho viver!
-Talvez ele não cresça...- riu Voldemort caminhando pela sala – Vocês poderiam ser grandes, estariam entre meu grupo de comensais de elite, vocês teriam todo poder que quisessem.
-Eu prefiro morrer...- disse James com repulsa.
-Preferiria que eu matasse sua esposa? – Perguntou Voldemort apontando a varinha para o peito de Morgana Potter com um sorriso malicioso. - Preferiria?
-Eu respondo, sim! – Ao falar isso, ela se levantara e dando um tapa no rosto de Voldemort. Ele apenas deu uma risada sem emoção e antes que Scott pudesse fazer qualquer menção, uma luz verde já partia de sua varinha.
-Nãoooooo! – ele gritou. Segurou o corpo de Morgana ainda no ar, teve ainda tempo de sentir a última batida do seu coração.
-E agora, Potter? Qual a sua escolha? Quer ter o mesmo fim que a sua mulher?
-Eu escolho o caminho certo, Voldemort. Eu te amaldiçôo, Lord Voldemort, Tom Riddle! Que tudo que você realmente ama se perca, que você perca todo o poder que tanta almeja...Que tudo que você ama te traia, assim como você traiu o mundo mágico.
-Cale a boca, Potter! – Voldemort gritou demonstrando pela primeira vez raiva, e logo a mortal luz verde do Avadra Kevadra já saía de sua varinha.