Textos
O esquema de sucesso gera produtos iguais, estilos semelhantes, enfim, clones da apresentadora, com os mesmos enfoques, com a mesma superficialidade, freqüentemente com as mesmas imagens, resultando no que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chama de estandardização da realidade, e no caso em questão, estandirzação da realidade infantil.

Para mostrar um exemplo desta saga infindável de clones, vamos a alguns nomes que emanam da mesma fonte de modelo de programa: Angélica, Eliana, Jackeline, Andréia Veiga, Lucinha Lins, Mariane e um caso à parte nas questão cor de cabelo: Mara Maravilha.

O clone se dá porque como em todos os outros processos de cultura de massa, a cópia é um instrumento de padronização e garantia de sucesso fácil, é a reprodutibilidade técnica que fala Walter Benjamin, guardadas as devidas proporções, afinal, o modelo original não pode ser considerado uma obra de arte, afinal provém de um esquema puramente comercial e com interesses excusos e nada artísticos.

Criança: Consumidor em Potencial

As Louras e seus programas infantis iniciaram sua saga em meados de 1984, mas porque esta data foi o marco deste tipo de programa?

A partir de meados dos anos 80, o mercado percebeu que as crianças são consumidoras em potencial, e por isso marca também o início da fase em que os programas infantis passam a ser comandados pelas “tias” louras platinadas.

Analisando friamente as mensagens veiculadas e os produtos que formam estes programas, percebemos que uma das preocupações deste esquema é estimular hábitos de consumo entre as crianças. O pioneiro da mercantilização da programação infantil foi o Clube da Criança, comandado pela estreante Xuxa Meneghel, que lançava muitos produtos e que continua a lançar diversos produtos, de sandálias a CDs, sempre com vendagens expressivas.

Na seqüência a mesma fórmula para vender produtos foi copiada por suas clones, saturando o mercado com a imagem das “tiazinhas” louras e incentivando desde cedo, de uma forma até perversa, o consumo de roupas, maquiagem e sapatos que transformam as crianças em miniaturas de adultos.

Citamos o exemplo mais atual da apresentadora Eliana: Sua imagem está nos mais diversos produtos infantis e a apresentadora é uma das pessoas que mais arrecada no final do mês com os royalties de seus produtos.

Existe tudo da Eliana, principalmente na parte de brinquedos. Sua imagem é sinônimo de consumo, e um consumo ingênuo, portanto mais perigoso ainda, pois uma criança não sabe distinguir necessidades, ela tem apenas desejos (e a quantidade de desejos maior possível de tudo que lhe é apresentado.

Lançando Moda e Padrão de Comportamento

Até os 7 (sete) anos, a criança gosta de imitar outras crianças ou os adultos ao seu redor, assim como o que vê na TV, por isso há uma necessidade até mesmo psicológica das crianças imitarem seus ídolos, no caso, a loura bonita, que apresenta-se em trajes minúsculos.

Vale ressaltar que a criança aprende por experimentação, por observação e por imitação, sendo esta última a base de sua aprendizagem e decorrendo daí a necessidade e a importância de modelos ao longo da infância.

Como a criança brasileira passa cerca de 3 (três) a 5 (cinco) horas por dia à frente da telinha, a TV assumirá a posição de padrão de imitação, e de forma de ver o mundo, tendo como base as tais Xuxas, Angélicas e todas as outras.
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