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| Título: Camiseta Inscrita: A Moda das mensagens excedendo a Moda das formas
Autora: Mariane Cara Evento: Congresso Metáforas da Moda Realização: USP Ano: 2006 IMPORTANTE: Este texto é protegido legalmente por direitos autorais. A citação de partes só é permitida para fins acadêmicos, cumprindo a norma ABNT (NBR 10520) relacionada à Referências Bibliográficas. Camiseta Inscrita: A Moda das mensagens excedendo da Moda das formas Nos últimos 50 anos a camiseta se transformou numa peça de roupa indispensável em qualquer armário. Dotada de formas simples, é espaço aberto para a criatividade, tal como um papel em branco, onde podemos inserir mensagens verbais, imagens, cores ou interferências gráficas (sejam elas bordadas, estampadas, ou com aplicações em qualquer outro método de impressão) que são inscritas na segunda pele: a cultural. “A camiseta tem um valor para troca de idéias, de imagens, de mensagens, mesmo políticas e culturais – do slogan gráfico visual, que o homem, a mulher e, sobretudo, os jovens ostentam cada vez mais freqüentemente, quer por moda, quer por escolha pessoal, quer para se adaptarem a um hábito generalizado.” (Dorfles, 1988). Sem deixar a comunicação nas entrelinhas, a camiseta é um ato de expressão sem medo e sem pudor. Sua força panfletária facilita o reconhecimento das pessoas através dos signos nela contidos, algumas vezes é até possível descobrir dados interessantes sobre os gostos e posições pessoais pelas inscrições impressas. Por exemplo, peças com logomarcas de partidos evidenciam ideais políticos; com mensagens religiosas demonstram a força da fé e aquelas com logomarcas famosas do mundo da moda apresentam o status ou até mesmo o estilo preferido. Nas mensagens inscritas o intuito é exteriorizar, comunicar e demonstrar a diferenciação com símbolos facilmente reconhecíveis, que se apresentam aos olhos humanos de uma forma de fácil leitura, em um dos níveis mais rápidos de visualização: a região torácica. Para entender melhor a força da camiseta é importante localizarmos seu espaço nas funções do vestuário. Ao partirmos da aplicação teórica baseada em três pilares: proteção, pudor e adorno, como cita Embacher (1999), temos uma certa dificuldade em encontrar a disposição da camiseta estampada em uma destas funções. Digamos que a camiseta é uma peça mais inclinada ao adorno que um simples elemento de proteção ou pudor (questões mais utilitárias que estão dispostas em todas as roupas, inclusive nas camisetas), mas ao mesmo tempo, é preciso levar em consideração que suas formas simples não privilegiam tanto o adorno em seu sentido tácito (que geralmente clama por formas eidéticas mais complexas e insinuantes). De fato, nas camisetas há uma força maior da comunicação e da mensagem transmitida trabalhando em conjunto com o papel ornamental da função do adorno, sugerindo assim uma variação para esta terceira função. Para diminuir a tensão da rigorosidade de nomenclatura, ou até evitar idiossincrasias, digamos que a camiseta tem a função de “enfeite midiático”, um adorno inclinado à comunicação, um espaço aberto para todo tipo de pensamento que aproveita o escopo do design para levar mensagens da maneira mais aprazível aos olhos. O papel principal da camiseta com inscrições é ser mídia e é possível dizer que a camiseta com inscrições é uma roupa-mídia no sentido literal como demonstra Gillo Dorfles (1988): |
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