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| “Existe uma mídia, entre todos os outros meios de comunicação de massa, que normalmente não é tido na devida consideração talvez por ser considerada demasiadamente frívola ou epidérmica (não apenas metaforicamente) e que é a T-Shirt. (...) A Camiseta, como mídia pode ser definida como sua ação auto-hetero publicitária. Isto é, aqueles que vestem estão dispostos – pagando do seu bolso – a fazer publicidade – e nem sequer se trata de publicidade indireta mas, pelo contrário, diretíssima.”
Ao sair dos recônditos da lingerie, a camiseta foi promovida como vestimenta social e símbolo da forma de pensar e ser, neste momento (mais precisamente na década de 60 do século XX) a indústria da comunicação descobriu nela um novo e versátil veículo de comunicação de mensagens. Desde então não são apenas os meios de comunicação de massa que carregam mensagens publicitárias, como é o caso dos outdoors, TVs, rádios e jornais, é necessário perceber que nós mesmos somos agentes publicitários, bem como nosso corpo, mesmo que não sejamos homens-sanduíches (senhores que andam pelos centros urbanos com placas de anúncios penduradas no corpo). Nossas camisetas nos fazem outdoors ambulantes. “A camiseta é algo ligado à ousadia e criatividade. Usa como nenhuma outra peça consegue, sua liberdade de expressão e funcionalidade e tem uma imagem panfletária que não a desmerece, mas é a própria força da camiseta.” (Joffily, 1988:56) Com a camiseta, a moda teve a oportunidade de se integrar completamente com sua principal ferramenta (a publicidade) e deu vez ao mundo das comunicações, entre elas a comunicação não verbal (cores, formas, desenhos, fotos, grafismos), mas acima de tudo abriu um espaço valioso para a comunicação verbal. Existem opiniões menos fervorosas em relação à utilização da comunicação verbal na Moda, Malcolm Barnard em seu livro “Fashion as Communication” defende a força primordial da comunicação não verbal na moda em detrimento da comunicação verbal, “It is not difficult to understand that even when garments are covered in words, as brand names or slogans for example, there is still a level of nonverbal communication that exceeds the literal meaning” (Barnard,2002:29), embora sua afirmação seja plausível, não podemos relegar em segundo plano a potência das mensagens verbais existentes nas camisetas, como se o sentido fosse secundário. Para corroborar esta afirmação, Carlos Drummond de Andrade enfatiza a relevância das informações estampadas (sejam elas verbais ou não verbais) tanto no vestuário como em outros objetos pessoais, apresentando que estas mensagens interferem até mesmo em nossa subjetividade no célebre poema “Eu Etiqueta” que expressa o desconforto do poeta com nossa vida “fetichizada”. A seguir alguns trechos extraídos do poema: “(...) meu isso meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, (...) e fazem de mim homem-anúncio intinerante, escravo da matéria anunciada. (...) Agora sou anúncio, (...) Não sou vê lá - anúncio contratado.” (Carlos Drummond de Andrade, 1984: 85-87) Quando decidimos usar uma camiseta com inscrições estamos conscientemente fazendo parte do contexto daquela mensagem, imprimimos nosso ponto de vista e a nossa subjetividade. A camiseta é uma mediadora entre o usuário e a mensagem – é como se colocasse a pessoa em contato com aquela mensagem escrita ou pictórica, aumentando o sentimento de pertencimento com a causa social, política, religiosa ou até mesmo com a marca, ainda que a pessoa não tenha contato verdadeiro com o que é transmitido por sua camiseta, aqui entrando no terreno das aparências, onde não precisamos realmente ser, mas pelo menos parecer. Uma das forças da camiseta é o poder mágico da aparência, ou seja, ela nos faz parecer aquilo que está ali claramente estampado e representado nos signos verbais e não verbais. Dotada de vários significados simbólicos é um meio de comunicação com teor testemunhal, ou seja, juntamente com a imagem da camiseta está a nossa própria imagem, nosso rosto à mostra para os olhares alheios, atestando assim que “compramos determinada idéia”. É visualmente uma integração absoluta entre texto (contexto) e enunciatário (subjetividade). |
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