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SOFTWARES ESPECIALIZADOS EM MODA – SITUAÇÃO DO MERCADO E O PAPEL DAS UNIVERSIDADES NESTE CONTEXTO:

Para facilitar a interface estilista/computação, algumas empresas desenvolveram softwares específicos para a criação de moda. Um dos grandes diferenciais no processo de venda destes softwares, além das ferramentas exclusivas para a aplicação de moda, são suas equipes de treinamento, que vão até o local de trabalho do estilista e da equipe de criação e passam em média três dias imersos na realidade de cada empresa. A partir desta realidade, apresentam e ensinam todas as possibilidades disponíveis para o usuário no universo da computação gráfica e do processamento de imagens.

Em entrevista com dois profissionais de treinamento das maiores empresas do ramo -Lauriana Bourguignon e Alexandre Gioppo -  foi possível extrair algumas percepções importantes a respeito da utilização da computação gráfica no âmbito da criação de moda.

Ambos os entrevistados apontaram que a computação gráfica agiliza os processos de desenvolvimento de produto e que as ferramentas gráficas respondem muito mais rapidamente às necessidades de produção, o que permite posicionar o produto com maior agilidade no mercado e habilita o designer na antecipação da peça acabada nos aspectos de combinação de cores, caimento da peça, texturas de tecidos e até a conferência da modelagem, uma vez que já existem programas 3D para visualização de peça piloto virtual. 

Todavia, no momento da aprendizagem, os principais percalços são as  dificuldades no manuseio do computador, a resistência inicial, a tensão com a nova ferramenta, a alegação de falta de tempo para o aprendizado (em alguns casos associada ao medo do fracasso), o tempo escasso para realização dos projetos e finalmente o eterno estigma da crença de “ausência de arte” no uso do computador. Grande parte dos estilistas acredita que o computador “retira” toda a capacidade artística e única da criação e esta talvez seja a maior resistência nos treinamentos.

As dificuldades de entender a computação como uma ferramenta ampliadora das capacidades criativas começou a diminuir com a inserção do desenho digital nos curriculuns das faculdades de moda a partir de 1995, período que marca a instalação de softwares específicos, entre eles o Tex Design da empresa alemã Koppermann Computersystems.

Neste contexto, é preciso ressaltar que um universo técnico só é bem absorvido no cotidiano se for apreendido com exatidão e por isso o papel dos cursos superiores de moda foi decisivo para o crescimento da computação gráfica e do processamento de imagens na Moda.

O grande trunfo da utilização das ferramentas gráficas e digitais nas faculdades está no desenvolvimento de fichas técnicas de produto e nos próprios desenhos técnicos, porque a partir de uma base comum é possível rapidamente adaptar os modelos criados e ter a simulação virtual do produto. A partir de 2003 aproximadamente, muitos professores destas disciplinas começaram a incentivar cada vez mais a execução dos croquis diretamente no computador, o que aumentou consideravelmente o uso da Computação Gráfica na criação das novas gerações de formandos.

Na área de processamento de imagens, os alunos têm matérias de design têxtil, onde aprendem os conceitos da estamparia a quadro, cilindro e localizada, sempre com o auxílio dos softwares de criação, que facilitam a representação do rapport e a criação de variantes de cores das estampas criadas.
Com uma carga horária considerável para a aplicação da computação gráfica e do processamento de imagens, os alunos saem das instituições de ensino superior de moda conhecendo as ferramentas que utilizarão no mercado de trabalho.
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