As Asas Abertas

Na braçada de flores que a menina
carregava e onde as mãos ela escondia
morava a garridice campesina
do prado em maio, quando nasce o dia.

Sua cabrinha, que era magra e mansa,
brincava junto. Nada as protegia,
fora as visões eternas da esperança,
dos caminhos da vida fugidia.

Por um misteriosíssimo capricho,
estavam juntos, a criança e o bicho,
frágeis, mais frágeis do que um ser que dorme.

Mas sobre eles velava a própria infância,
e Deus abria, em plena rutilância,
as asas plenas do seu anjo enorme.


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