Menino e Menina

Menino e menina
nos campos de Agosto
sem nuvens no céu
sem mágoas no rosto:

muita ventania
de noite e de dia.

Para ousar no vento
sem temor do raio,
a mão pequenina
arma o papagaio.

Pois que sopre o vento
no maior tormento.

Na alegre feitura
a maquina frágil
se infiltra no vôo,
se faz forte e ágil.

Linha zero, papel fino
brincam menina e menino.

Um anjo os anima,
tocando tambor.
A vida se abre
nos olhos em flor.

Que alegre arranjo
vai tocando o anjo!

Leve o papagaio
de papel de seda
rasgará no espaço
ligeira vereda.

Triste o meu destino:
não fui o menino...

Mas bem que adivinho:
conheço a menina,
ouvi essa marcha,
andei na campina.

Não vi mais o anjo
que toca o tambor
mas sei que a menina
aprendeu com ele

a canção de amor,
puro amor...

Conheço a campina,
conheço a menina...
Sei que o papagaio
que subiu ao céu

levava nas cores
um destino: o meu.

Achei a campina
e nela a menina
que ouviu o tambor
e aprendeu com os anjos

a lição de amor,
puro amor...


 

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