A Descoberta da América pelos Turcos
17 Hoje a despesa é por minha conta... anunciou Ibrahim Jafet, após ordenar uma rodada de anis. Assumira a cadeira e o posto deixados pelo farmacêutico Napoleão Sabóia, único campeão nacional capaz de enfrentar os invencíveis sírio-libaneses no tabuleiro do triquetraque. Baixando a voz, confidenciou ao ouvido de Raduan Murad: Ontem comemorei quinze dias, compadre... Quinze dias, meu Ibrahim? Uma quinzena inteira? Sim, decorrera uma quinzena inteira sem que a vitalina Adma esperasse com pragas e injúrias a chegada do Pai, de madrugada, para o escarcéu habitual: certos vizinhos até sentiam falta. Estava acontecendo algo inexplicável, Adma nem parecia a mesma; Ibrahim era capaz de jurar tê-la visto sorrir por mais de uma vez nos últimos dias. Quinzena de bonança total; nenhuma bruxaria a perturbá-lo no momento crucial da passaladagem, impedindo-o de exercer com ardor e competência sua condição de macho deixara de broxar. Que me diz, compadre, que explicação me dá? Raduan não encontrara explicação imediata mas passou a conceber e a acumular suspeitas à proporção que se amiudavam imprevistas atitudes do jovem Adib, sempre a rondar-lhe a mesa. Sem quê nem porquê, ao cruzar a vista com a dele, o garçom sorria ou piscava o olho, sorrisos e piscadelas de cumplicidade. Certa ocasião murmurou-lhe ao ouvido, esfregando as mãos: vai tudo bem, professor! As suspeitas amadureceram, pelo jeito Adib tinha a ver com a misteriosa transformação de Adma. |