A Descoberta da América pelos Turcos
6 Ibrahim buscou opinião e conselho com Raduan Murad, no bar, diante do tabuleiro de gamão; encontrou acolhimento entusiástico para a idéia, ajuda concreta para o sucesso do plano: Conte comigo, meu Ibrahim, iremos juntos à caça dessa avis rara. Comecemos por analisar o assunto em profundidade. Um presente dos céus aquela farsa, sob medida para ocupar o tempo vazio na cidade recente, desprovida de divertimentos: afora a jogatina, o bar, o cabaré, as pensões de raparigas, nada a fazer. Preso ao relato do parceiro, Raduan Murad semicerrava os olhos, feliz da vida. Discordou apenas do conceito de beleza expendido por Ibrahim, sem negar-lhe, todavia, condição de lugar-comum reproduzido nos tratados de moral. Tratados de moral, monumentos de hipocrisia! Virtude pode ser excelente para se alcançar o céu após a morte. Mas para a cama, meu Ibrahim, o que conta é a carnação, a matéria propriamente dita. Movimentando as pedras, passaram em revista os patrícios residentes em Itabuna. Numerosos, quase todos afeitos ao trabalho, alguns de seriedade comprovada. Solteiro um único, Adib, caçula de três irmãos, órfão de pai e mãe, por acaso garçom ali mesmo no botequim. Mocetão risonho e confiado, de manifesta esperteza na cobrança e no troco, indício de primeira. O mal era a idade, jovem demais para Adma. Adma já passou dos trinta confessou Ibrahim. |