A Descoberta da América pelos Turcos
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5 As meninas substituíram a mãe no balcão de vendas, mas preocupavam-se menos com a mercadoria e com as freguesas do que com os namorados. Retirado o freio, desmandavam-se. Nos tempos de Sálua acenavam para os rapazes das altas janelas do sobrado, castos namoros de caboclo; órfãs de mãe, arrulhos no balcão, beijos e bronhas na porta do quintal. À exceção de Adma, que não gostava de vender e não encontrara quem lhe arrastasse a asa. Foram-se as economias nos enxovais das filhas mais jovens. Casaram-se com rapazes da região, nenhuma delas escolheu patrício com índole e disposição para o comércio. Votos de louvor para o matrimônio de Jamile, a segunda em idade, pois Ranulfo Pereira, o noivo, estava bem encaminhado com roças plantadas em Mutuns, já colhia suas trezentas arrobas de cacau. Samira, dois anos mais moça, seguira destino modesto, porém digno, ao receber a bênção nupcial em companhia do telegrafista Clóvis Esmeraldino não sendo moço de posses, era de letras, charadista, decifrador de logogrifos, versejador de almanaque, capitais de duvidosa renda, mas de lustre e estimação. Quanto à caçula, Fárida, diziam-na a mais formosa entre as turcas do armarinho. Um pitéu, na cúpida designação de Alfeu Bandeira, aprendiz de alfaiate sob as vistas de mestre Ataliba Reis, dono da Alfaiataria Inglesa, cujas portas se abriam em frente às do sobrado dos Jafet. Alfeu degustou o pitéu que, diga-se a verdade, se oferecia num descaro condenado com vigor pelas famílias da vizinhança: tamanho agarramento, tanta esfregação tinha de acabar mal. Acabou bem, em casamento às pressas. Véus de tule esvoaçando sobre a intrépida barriguinha de Fárida, prenha de quatro meses, flores de laranjeira na grinalda, símbolos de pureza e virgindade. Virgem, só se for no sovaco, comentou mestre Ataliba, escolhido padrinho pelo noivo. No sovaco, será?, duvidou Raduan Murad, padrinho da noiva, cético como convém a um erudito. Puseram-se, no entanto, os dois de acordo com dona Abigail Carvalho, costureira responsável pelo vestido da nubente, quando a distinta a comparou a um querubim.
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| Sem cacau nem
logogrifo, Alfeu esforçou-se no balcão de O Barateiro.
Não lhe faltava boa vontade, faltava-lhe tudo o mais:
por ocasião do balanço foi aquele deus-nos-acuda.
Quando Ibrahim deu de si, estavam ameaçadas a pescaria,
as apostas na dama e no gamão, as noites de pândega e a
solvência do armarinho. Não cabia a Alfeu a culpa total
do descalabro pois, na mesma época, Adma se levantara em
guerra. Guerra santa, nela se empenhara desde que a alma de Sálua lhe aparecera em sonhos penando no infinito, sem poder assumir o merecido lugar na mão do Padre Eterno devido à dissipação a que a família se entregara após tê-la levado ao cemitério. Como gozar as delícias da bem-aventurança se na terra os entes queridos viviam na iniqüidade e no pecado? Para salvar a alma da Mãe, Adma partira a combater. |