A Descoberta da América pelos Turcos

 

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Sentado a descansar ao fim da azáfama do dia, ai estafante!, na calçada do Empório de Itaguassu — na frente o negócio, nos fundos a moradia —, decorridos alguns anos da cerimônia do pedido de casamento, Jamil Bichara ria estrepitosamente ao recordar os lances da transação do armarinho, o perigo que correra quando, aconselhado por Raduan Murad, Ibrahim Jafet lhe oferecera sociedade em O Barateiro e, em contrapartida de noivado e casamento, a mão de Adma, a primogênita. As três irmãs mais moças, bem ou mal casadas, ela, cabaçuda: ácida, caturra, incólume, mais que donzela: vitalina.

Por ela (e pelo armarinho, um negocião!) Jamil estivera a pique de abandonar Itaguassu e o Empório recém-estabelecido — de valioso apenas o nome, vendola de farinha e feijão, cachaça e alpargatas. Depois passaria a vender a grosso e a retalho, aprovisionando os fazendeiros das vizinhanças e os habitantes do lugar, estoque variado que ia da carne-seca às calças de bulgariana, das sandálias de couro cru aos chapéus e botinas, madrastos e morins, carretéis de linha, agulhas de costura, brilhantina, estampas de santos católicos, milagreiros. Se bem maometano, do ramo chiita, Jamil não mantinha preconceitos de religião em se tratando de ganhar dinheiro: Alah é grande, sua sabedoria é infinita, lê no coração dos homens, tudo pode compreender e estimar.


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