A OPINIÃO QUE FAZ A DIFERENÇA
   

São Paulo, segunda-feira, 16 de março de 2009

Tiro de Meta


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Presente a um amigo


Adoro dar presente aos amigos. Especialmente fora de época. Efeito surpresa mesmo. E funciona deste jeito. Se vejo alguma coisa que é a cara da pessoa, compro, mesmo que o aniversário dela tenha sido um dia antes. O problema é que como estou sempre aqui e ali,  tenho um arsenal a ser entregue.  E este é sempre meu empenho nas promessas de Ano Novo: despachar pelo correio, não esquecer de colocar na mala na próxima viagem... E quando consigo entregar ou fazer chegar às mãos dos meus amigos aquilo que comprei para eles, me sinto muito mais feliz que os próprios.

Presente para mulher é sempre fácil. Mesmo que a mulher seja difícil. Quer ver? Para as desiludidas, depressivas, dá-se um jeito. Normalmente uma garrafa de uma boa bebida ou algo menos original - olha que um engradado de cerveja faz um sucesso -  um livro de auto-ajuda ou de piadas  (para depois que estiverem bêbadas). Muitas prefeririam uma cartelinha de remédios tarja preta, acho que está na moda, mas me nego a alimentar este tipo de perfil problemático. Remédio para mim é café para dar uma energizada no corpo, um bom livro (nunca Paulo Coelho ou congêneres), um bom filme, um bom papo e uma boa musica. Aliás, confesso, pessoas com o perfil acima esgotam a minha paciência.  Portanto, são amigos à distancia, ou que mantenho de preferência, distantes. (Na verdade, o melhor presente para as pessoas deprê, maníaco-depressivas, sempre tristes, pra baixo, bipolares ou resumindo, estilo Hardy (oh dia, oh azar, oh vida...) seria uma temporada numa clínica psiquiátrica, varias sessões de terapia com um bom profissional ou uma passagem de ida  para qualquer lugar onde mantenha distância, porque ninguém dá conta de  quem não  quer dar conta de si mesmo.

As do tipo nouveau riche se encantam com as marcas que consideram o máximo. E funciona assim, compre um reloginho Tommy Hilfiger porque não adianta dar um Bulova. De um pingente Svarovski, e guarde o vaso Kosta Boda para enfeitar a sua própria mesa. E claro, esta gente adora Diesel e acha que Karl Lagerfeld é marca de cigarro. Psssst!  Amigo é amigo. Simplesmente agrade, compre o que ele gosta ainda que você ache ridículo.

O melhor é quando se presenteia um amigo com gosto parecido. Ou quando se acerta o presente para aquele que faz a gente quebrar a cabeça na hora de comprar alguma coisa que ele não tenha.

Então, eu preciso escolher um presente para um amigo inteligente,  de princípios. Ele é boa praça, bem humorado.  Sempre coloca os pingos nos "is" quando a coisa não vai bem, principalmente no terreno publico. Fala com propriedade e escreve de tal maneira que informa, forma, faz refletir. É destas pessoas raras, que fazem a diferença. Investe na gentileza, na atenção, na cooperação. Acho que ser quem ele é faz com que no aniversário dele os amigos é que recebem um grande presente, afinal, é mais um ano de vida dele.

Para falar a verdade, o melhor presente são doses homeopaticamente cavalares de bom humor e uma passagem de ida para ele e toda família a um pais aonde seja possível fazer valer na prática tudo o que ele sonha , imagina e nos ensina com seus artigos aonde a cidadania e a justiça são uma constante.

E que não falte um bom cálice de vinho e que a vida de um cale-se  nos presentes de grego que insistem em se fazer presentes na vida de todos nós. Até no aniversario. Meu caro amigo, que Deus hoje e sempre afaste tartarugas e abutres do seu caminho.

Assim...

"Seremos a surpresa do ano", diz Barrichello. Mas não desejo esta surpresa de aniversário para você, meu  caro amigo.

"Temos que acabar com os dogmas da Economia, da Igreja", diz Lula. Que permaneçam os dogmas da Igreja, os dogmas econômicos e que Lula assuma , pelo menos, o dogma de seu próprio partido, ou de sua própria função. Aliás, que ele aprenda "o que é dogma". Afinal, temos um presidente completamente dogmático e ... deixa pra lá...

Mas se dogma é algo inquestionável, que a sua vida não seja um dogma. Mas que seja ela repleta deles: o dogma da felicidade, o dogma da reflexão (que belo paradoxo!), o dogma da busca do conhecimento, o dogma dos princípios, o dogma da dignidade, da solidariedade, do bom humor, da família, do amor e da caridade.

Feliz Aniversário, meu caro Valter Bernat!!!


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Júnia Turra é jornalista e escreve nesta coluna às quartas-feiras.
    



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