A OPINIÃO QUE FAZ A DIFERENÇA
   

São Paulo, segunda-feira, 09 de março de 2009

Tiro de Meta


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Aonde fica Dubai?

Nem a Paula O., aquela que tentou dar o golpe da barriga, do visto, do seguro, na Suíça, quis ir pra lá. Também, se não conseguiu cortar seu corpitcho (horroroso, por sinal) dentro do alfabeto que devia ter aprendido na escola – escreveu o “S” de baixo para cima, como um “5” - imagina o estrago que faria em árabe.

E, descoberta a falcatrua, naquelas terras, o papai “adevogado” assessor de parlamentar; o Lula, o Amorim e esta turminha da pesada, iam enfiar a viola no saco. Se europeu é educadinho e bobinho, árabe não é  trouxa e entende bem de “negocinhas”.

E Dubai... bom, aonde fica mesmo? Não seria  uma cidade com uns prédios como naquele desenho animado “Os Jetsons”, de Hanna-Barbera?

Fiquei sabendo que tem muito brasileiros comprando ações de uns prediozinhos ali. Mas também, que bobagem, conheço outros tantos que viraram sócios do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. A diferença é que se no Rio de Janeiro tem  quem aplique 171 (artigo do Código Penal referente ao crime de estelionato), Dubai é  um 171 inteiro, de cabo a rabo.

Mas quem se importa?

Na Europa o povo não tem o menor interesse em passar férias por ali. Na Ásia, também não.Os asiáticos vão  trabalhar em Dubai e recebem uma miséria, diga-se de passagem.  Bom, mas imaginem um lugar fantasia, criado de forma efêmera, supérflua, para agradar... quem???

Eles têm parques temáticos, artificiais. Nada que chegue aos pés dos parques temáticos americanos ou europeus. Prédios enormes em ilhas artificiais com arquitetura assim e assado. Até  aí, Inês é  morta! O Cristo Redentor, o Taj-Mahal, o Portão de Brandenburgo, a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade.... e o resto é  resto. Dubai é  zero à esquerda.

Prefiro o Teatro Municipal de Manaus, o centro financeiro de Frankfurt as margens do rio Main, e a arquitetura de Brasília...

Mas Dubai tem cassinos... Nada que chegue aos pés de Las Vegas e de qualquer cidadezinha  européia, todas ostentando cassinos maravilhosos.

Huuuum, Dubai tem shopping centers... Muitos, muitos, muitos. E a cada dia aparece mais um aqui, mais um ali.

Então agora você sabe aonde fica Dubai?  Fala sério. Aquela turma que achava o máximo fazer compra em Miami, no Paraguai ou na então Zona Franca de Manaus, que depois passou por Cancun e mais meia dúzias de ilhotas do Caribe, agora ou faz um cruzeiro ou vai para Dubai.

A turma de velhotas estilo Suzana Vieira acha o máximo tentar agarrar um garçon ou um cozinheiro da tripulação de navios italianos. Desde que esteja na faixa dos 20 aninhos, claro. Os artistas decadentes enchem os bolsos de grana, dando seus showzinhos em alto mar. Os mais jovens optam pela balada “como uma onda no mar”. Embarcam numa diversão relativamente barata,  para uma boa orgia com álcool, drogas e pegação.

Ah, mas a classe dos elegantes, dos “viajantes eruditos” da nossa terrinha, claro, tem  que manter a pose. Angra dos Reis, Cancun, Miami? Não. Dubai. Porque Dubai é  coisa típica do brasileiro que quer aparecer. Investir em viagens que envolvam cultura, história?

Quanta bobagem... O negócio é  comprar,  consumir. Seja no Brasil ou em Dubai. Mas o shopping center do vizinho é  sempre  melhor, não é  verdade? Tem gente que sai das praias paradisíacas da Bahia e vai para Dubai. Pode?

Cada povo tem o turismo que merece.

O que pode ser mais falso, efêmero e superficial que Dubai? Nem os produtos made in China. Para quem quer ir de nada a lugar nenhum e voltar com a mala cheia e a boca mais cheia ainda (de lorotas) para contar para o vizinho, compre já o pacote para Dubai.

Come,  bebe, tira foto, compra. Compra, tira foto, bebe. Dubai e seus turistas brasileiros: juntou a fome com a vontade de comer.


Eu preferia uma viagem à lua. Deve ter menos lunático optando por este pacote turístico. E pelo menos dá para observar o cosmos. Aposto que Yuri Gagarin sentiria vazio maior em Dubai do que no espaço. Ah, mas se você já está de malas prontas para férias em Dubai, fica a sugestão de leitura para o vôo: “A Insustentável Leveza do Ser”.

‘E como diz Isaac, meu amigo judeu que passa por Dubai só em escala para Israel : “se du bai, eu fico”.

Boa
Viagem!

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Júnia Turra é jornalista e escreve nesta coluna às quartas-feiras.
    



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