A OPINIÃO QUE FAZ A DIFERENÇA
   

São Paulo, segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Tiro de Meta


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ALLAH-LA-ÔÔÔ E A PAULA Ó Ò Ó Ó Ò Ó!!!

Allah-la-ôôô e a Paula Ó ó ó – ó ó ó. Atravessamos a geleira dos Alpes, o sol nem estava quente, mas queimou a nossa cara!

Allah-la-ô, tradicional marchinha de carnaval nascida num bloco da Gávea, parceria de Haroldo Lobo e Antonio Nassara,  foi gravada em 1940 por Carlos Galhardo, com arranjos de Pixinguinha. Agora Allah-la-ô, ganhou outra roupagem e apareceu com versão nova no Carnaval Europeu, mais especificamente na Terra do Chocolate.

E bem  aonde os Alpes fazem a curva, a bateria já esquentava ao som de muito blablabla , conversa desencontrada , alterada, mascarada. Coisa de folião carnavalesco?  Coisa de bêbado mesmo? Que nada, é o Bloco da Paula Ó ó ó que quer fazer jus ao nome.

Batido o martelo, olha o Brasil aí no carnaval da Suíça, da Áustria, do Sul da Alemanha. Marcando presença numa festa que acontece mais séculos do que o Brasil tem de existência.

Olha o refrao aí:


Allah-la-ôôô
e a Paula Ó ó ó – ó ó ó. Atravessamos a geleira dos Alpes, o sol nem estava quente, mas queimou a nossa cara!

E queimou a nossa cara mesmo. De vergonha... Aliás, vergonha para o povo e falta de vergonha do nosso presidente, ministro e autoridades diplomáticas que ouviram o cão ladrar, não sabiam aonde, mas partiram para o desrespeito à pátria alheia. Depois querem que o Brasil seja respeitado. Ah, mas quanto à musa da marchinha, nem a cara dela , nem a da família, ficaram queimadas. O bloco ali tem outro nome: "Gang dos Sem-Vergonha"...

Mas vamos ao refrão....

Allah-la-ôôô e a Paula Ó ó ó – ó ó ó. Atravessamos a geleira dos Alpes, o sol nem estava quente, mas queimou a nossa cara!

E o carnaval chegou na hora certa.

Em tempo de Amorim, Lula e Paula Ó do Borogodó saírem do centro das atenções da mídia. E o Battisti também, é claro. Este, já no pré-carnaval, foi ofuscado pela musa do golpe da prenhice em troca do visto.  O terrorista já fez um mea culpa, até pediu desculpas, arrependidíssimo, ao povo italiano. Mas continua alegando inocência. Será que ele vai estar em algum camarote vip dos desfiles das escolas de samba, ou vai correr atrás do trio elétrico do ex-ministro Gil, lá na Bahia?

E Paula não conseguiu sair a tempo de passar o carnaval no Recife e Olinda. Queria desfilar em carro do Corpo de Bombeiros pela orla  e caprichar no bronzeado para ser capa da Playboy. Só que os suíços conseguiram provar, por A mais B, que a pretensa musa do carnaval entrou com um hit bem fora do tom.

Ah, mas o carnaval está aí. E qual será a fantasia que esta gente vip vai usar?

Battisti deve sair fantasiado de sino, afinal, foi salvo pelo gongo. Se não fosse Tarso Genro e o "Bloco dos Dinossauros Bolcheviques", numa hora destas, ele estaria fantasiado de presidiário vendo o sol nascer quadrado na Itália. Aliás, aonde iria ficar preso por muitos e muitos carnavais, até abotoar o paletó.

O ministro das Relações Interiores, que quis fazer piada sobre a atuação das autoridades suíças no caso Paula Ó do Borogodó, lembrando que seus dois filhos estudam teatro, e que , portanto, estava acostumado com "encenações", deve se vestir de "dono de circo". A fantasia e o papel de palhaço ficou para o povo, brasileiro e o suíço, diante da afirmação sem graça e sem classe do Sr. Amorim.

Lula, que bradou aos céus que fazia e acontecia , ficaria bem de Tarzan. Afinal, Tarzan não sabe conjugar verbo, não sabe falar corretamente língua nenhuma; apenas urra. E fica interessante fazer o par com a Jane, obviamente, fantasia perfeita para a Primeira Dama, que pula de galho em galho com o Tarzan , (de um evento badalado para outro, ainda deslumbrada com tanta boca livre) mas ninguém sabe mesmo para que veio, já que o papel principal fica com o  cara do cipó: "Ohohohohohohohohoho!"

(Aliás, do jeito que andam devastando a Amazônia, Tarzan só vai ficar com a Jane. Não vai ter mais galho, nem cipó, nem macaca Chita para contar a história)

E vamos treinar o refrão:


Allah-la-ôôô
e a Paula Ó ó ó – ó ó ó. Atravessamos a geleira dos Alpes, o sol nem estava quente, mas queimou a nossa cara!

Agora, e a Paula Ó do Borogodó? Não deve mudar a fantasia. Mas também não deve colocar o bloco  na rua, ou os efusivos foliões brasileiros podem fazer picadinho dela. Parece que carnaval no frio, abaixo de zero, ainda que com muito schnaps e cerveja na cabeça, não afeta tanto a memória como num país tropical como o Brasil. Assim, se ela quiser incrementar a "maquiagem" pré-carnavalesca, que ela magistralmente preparou sozinha, se junte aos patrícios pelas ruas de Zurich. Estão loucos para ver a caveira dela.

Agora vou dar as dicas  para quem ainda quer se fantasiar de Paula Ó do Borogodó neste Carnaval. Sigam as instruções:

Basta fazer cara de coitada, de meiga (como dizem os mineiros, mei-galinha), e estufar a barriga. Posicionem a câmera (para depois mandar a foto para os amigos. Só que, pelo amor de Deus, não copiem o ultrassom de gêmeos da tal firma americana para enviar junto com a foto - como ela fez - porque isto dá um rolo danado)

Conseguiram?

Então, vamos lá. Peguem uma faquinha meio sem ponta,  os cortes tem que ser superficiais, e nem pensem em encostar nos seios ou em outras áreas sensíveis. Tem que ser como ela fez. Entenderam? Agora escrevam "SVP", a sigla do tal partido suíço. Só que tem que escrever o "S" como "5". Coisa de semi-analfabeto, amador, estas coisas. Faz logo o que estou mandando ou a fantasia não vai sair igual à realidade.

Pronto, vamos agora para as ruas. Porque como Paula Ó do Borogodó só deu queixa dois dias depois, deixem tudo se acabar na quarta-feira. E encham a cara, porque para esta fantasia é preciso ser muito mau caráter.


Huuuum
... gente.... pensando bem, acho que eu vou desistir...

Estufei a barriga. Sem muito esforço, parecia que eu estava grávida de quíntuplos. Assim, na foto, a cara que fiz não foi de coitada, ou de meiga, mas foi uma bela cara de bunda mesmo. Quando peguei a faquinha meio sem ponta, achei melhor deixar o trabalho para um profissional. Vou pagar uma lipo ou uma boa academia. Ai, meus sais, tem umas gordurinhas sobrando. Viu, até esqueci a sigla do tal partido. Seria "Salve as Baleias"?

Também não gosto de Schnaps, nem de cerveja. No máximo uma taca de vinho tinto, muito café e coca-cola light. Assim, de cara limpa, não vou conseguir contar todas aquelas histórias da Paula Ó do Borogodó. Ela matou marido no acidente da TAM. Nem lembro o nome falso do cara que ela usou. Também, nem bêbado ia acreditar que três skinheads iam atacar alguém na hora do rush, numa vila de periferia onde os moradores são mais olheiros do que nas favelas do Rio.

Sabem de uma coisa? Ei, galeraaaaa!

Não dá para ser um personagem tão mau caráter. Nem na fantasia.  Mas vamos colocar o nosso bloco nas ruas de Zurich. Só que fantasiados... de amigo urso.  Sem pele natural. Guardemos nossas energias para arrancar o couro dela, da Paula Ó do Borogodó, se ela aparecer por aqui. Afinal, ela Óoooooooooo na gente, e a Suíça Óoooooooo nela !!!!

Olha o refrao:


Allah-la-ôôô
e a Paula Ó ó ó – ó ó ó. Atravessamos a geleira dos Alpes, o sol nem estava quente, mas queimou a nossa cara!


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Júnia Turra é jornalista e escreve nesta coluna às quartas-feiras.
    



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