São Paulo, segunda-feira, 25 de maio de 2009
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A bolsa ou a vida
A Bolsa de Valores zerou este ano, até
agora, as perdas sofridas a partir de outubro, auge da crise. O emprego nem
remotamente. O rendimento dos salários tampouco: além de continuar medíocre como
é há séculos, ainda retrocedeu algo mais.
Não obstante, há festa no arraial. Sinal de que estamos de volta ao espírito
pré-crise: o que importa é a felicidade do capital. A vida, bom, a vida a gente
toca como Deus manda, como diria o caboclo no seu conformismo também secular,
afogado nas águas ou torrando ao sol das secas impenitentes.
Não é só no Brasil. Na Espanha, por exemplo, a Bolsa, este ano, está em
território positivo. Mas, no ano até abril, o número de postos de trabalho
decepados bateu em 1,1 milhão, à base portanto de 100 mil por mês, arredondando.
Não obstante, a ministra da Economia, Elena Salgado, vê uma luz no fim do túnel
e é capaz de jurar que não se trata de trem vindo em sentido contrário, frase
que já deveria ter caído em desuso.
Com isso, a gritaria a respeito da falência do capitalismo selvagem, a pregação
quase missionária em favor de uma nova arquitetura financeira global capaz de
mitigar os efeitos perversos da jogatina -está indo tudo para o saco.
Tanto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chama de "trambique" as apostas
em derivativos, que afundaram a Sadia. Mas o BNDES, banco público, põe dinheiro
para ajudar na compra da empresa supostamente "trambiqueira" pela Perdigão,
compra tratada com o codinome de fusão.
Se é trambique, como diz Lula, deveria ser regulado pelo governo, e não
incentivado via BNDES, não?
Menos mal que pelo menos Barack Obama já soltou seu plano para regular
justamente os tramb... ops, derivativos. Sei não, mas desse jeito os EUA correm
o risco de saírem mais sólidos que outros da crise que criaram.
[email protected]
Texto originalmente
publicado, domingo, dia 24 de maio, na Folha de S.Paulo
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Clóvis Rossi atualiza a coluna São Paulo (originalmente publicada na Folha
de S. Paulo) de terça a domingo.
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